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Em 4 anos, o planeta pode superar o temido aumento de 1,5 grau

Compartilhe:     |   16 de julho de 2020

temperatura média global se manterá ao menos um grau centígrado acima dos níveis pré-industriais, entre 2020 e 2024, e há 20% de chances de que em algum desses anos aumente para 1,5 grau, alertou a Organização Meteorológica Mundial (OMM).

Atualização climática anual global para a década, liderada pelo Serviço Meteorológico do Reino Unido, oferece uma perspectiva climática para os próximos cinco anos. Este ano mostra que a temperatura média da Terra já está 1 grau acima da do período pré-industrial e que o último período de cinco anos foi o mais quente.

Em sua atualização anual de previsões, com dados de várias agências meteorológicas coordenadas pelo Reino Unido, a OMM prevê que todas as regiões, exceto algumas partes dos oceanos no hemisfério sul, tenham uma temperatura média mais alta do que nos últimos anos.

Também prevê um clima mais úmido em regiões de alta latitude e no Sahel (zona ecoclimática e biogeográfica de transição entre o deserto do Saara no norte e a savana sudanesa ao sul) e, inversamente, mais seco no norte e leste da América do Sul.

Anomalias de pressão no nível do mar sugerem que o Atlântico Norte poderá ter ventos mais fortes em direção ao oeste, causando climas mais tempestuosos na Europa Ocidental. Além disso, em 2020, é provável que o Ártico tenha aquecido mais do que o dobro da média mundial.

“Este estudo mostra, com um alto nível de habilidade científica, o enorme desafio que temos pela frente para cumprir o objetivo do Acordo de Paris sobre Mudança Climática para manter um aumento da temperatura global neste século bem abaixo de 2 graus acima dos níveis pré-industriais e buscando esforços para limitar a temperatura a um aumento de 1,5 grau centígrados”, disse o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas.

Greenpeace expressou preocupação com este relatório. “O relatório da OMM vai além e diz que existe 20% de probabilidade de que em um dos próximos cinco anos a temperatura seja excedida em mais de 1,5 grau. Em outras palavras, a elevação da temperatura está se adiantando e o perigoso aumento de 1,5 grau é possível que seja alcançado antes de 2024”, disse Tatiana Céspedes, porta-voz da área de campanhas do Greenpeace Colômbia.

A covid-19 não resolverá a crise climática

Os modelos de prognóstico não levam em consideração as mudanças nas emissões de gases do efeito estufa como resultado do bloqueio do coronavírus, embora estudos diferentes tenham mostrado uma redução nas emissões em grandes economias, como China e Estados Unidos.

Recentemente, o estudo Impactos socioeconômicos e ambientais da covid-19 quantificados, da Universidade de Sydney (Austrália), mostra a maior queda na história das emissões de gases do efeito estufa, analisando 38 regiões do mundo e 26 setores.

Do final de fevereiro até maio, os bloqueios, as proibições de viagens e o fechamento de fábricas causaram uma queda de 4,6% nas emissões globais. As maiores quedas ocorreram nos Estados Unidos e na China, em grande parte devido às viagens aéreas, terrestres e uma diminuição do uso de energia, água e gás, mas têm um alto custo econômico.

Segundo a coautora Arunima Malik, 147 milhões de pessoas (4,2% da força de trabalho global) perderam empregos em período integral, levando a uma queda no consumo de 3,8 trilhões de dólares, o que se tornou o pior choque econômico desde a Grande Depressão, quando o mundo experimentou uma queda drástica nas emissões durante a crise financeira de 2009, que cortou as emissões de dióxido de carbono em 0,46 gigatoneladas.

No entanto, a OMM enfatizou que a desaceleração industrial e econômica da covid-19 não substitui a ação climática sustentada e coordenada.

“Devido à longa vida útil do CO2 na atmosfera, não se espera que o impacto da queda de emissões neste ano leve a uma redução nas concentrações atmosféricas de CO2 que estão impulsionando o aumento da temperatura global”, disse o professor Taalas.

E, mesmo que as emissões globais de gases do efeito estufa caíssem 4,6% ao ano, as emissões teriam que cair outros 3% a cada ano, entre 2020 e 2030, para estar no caminho certo para limitar o aquecimento global e evitar resultados mais extremos da crise climática.

Taalas acrescentou: “Embora a covid19 tenha causado uma séria crise econômica e de saúde internacional, a incapacidade de enfrentar a mudança climática pode ameaçar o bem-estar humano, os ecossistemas e as economias por séculos, os governos devem aproveitar para adotar medidas climáticas como parte de programas de recuperação, garantindo que voltemos a crescer melhor”.

Dados centrais do relatório da OMM

É provável que a temperatura mundial anual exceda em pelo menos 1 grau os níveis pré-industriais (que correspondem à média do período de 1850-1900) em cada um dos próximos cinco anos, e é muito provável que esse aumento oscile entre 0,91 e 1,59 grau.

A probabilidade de que, nos próximos cinco anos, ocorra um ou vários meses com uma temperatura pelo menos 1,5 grau acima dos níveis pré-industriais é de 70%.

Há uma probabilidade de 20% de que a temperatura de um dos próximos cinco anos exceda os níveis pré-industriais em pelo menos 1,5 grau, mas essa probabilidade aumenta com o passar do tempo.

É extremamente improvável (3%) que a temperatura média dos cinco anos correspondentes ao período 2020-2024 ultrapasse em mais 1,5 grau os níveis pré-industriais.

No período 2020-2024, é provável que a temperatura de praticamente todas as regiões, exceto em partes dos oceanos meridionais, seja mais quente que no passado recente.

No período 2020-2024, é provável que nas regiões situadas em latitudes altas e no Sahel se produza um aumento da precipitação em relação ao passado recente, enquanto nas zonas setentrional e oriental da América do Sul é provável que as condições sejam mais secas.

No período 2020-2024, as anomalias da pressão a nível do mar sugerem que na região setentrional do Atlântico Norte os ventos do oeste podem se intensificar e isso poderá significar um aumento da atividade tempestuosa na Europa Ocidental.

Em 2020, é provável que a temperatura de grandes zonas terrestres do hemisfério norte exceda em mais de 0,8 grau o valor do passado recente (o que corresponde à média do período 1981-2010).

Até 2020, é provável que o Ártico tenha esquentado mais do que o dobro da média mundial.

Uma mudança de temperatura menor é esperada nos trópicos e nas zonas de latitudes médias do hemisfério sul.

Em 2020, é provável que em muitas partes da América do SulÁfrica meridional e Austrália as condições sejam mais secas do que no passado recente.



Fonte: REVISTA IHU ON-LINE -  El Tiempo - Tradução é do Cepat

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