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Programação especial na próxima quinta-feira marca Dia Mundial da Alimentação

Compartilhe:     |  13 de outubro de 2014

Por Alexandre Nunes

Alertar as pessoas sobre a importância de uma alimentação saudável para garantir uma melhor qualidade de vida. Esse o objetivo do Dia Mundial da Alimentação, promovido pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e que é comemorado todo dia 16 de outubro, em mais de 150 países.

Para marcar a data, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural da Paraíba – Emater promoverá na próxima quinta-feira (16), durante todo o dia, na sede do órgão, na estrada de Cabedelo, um evento de conscientização sobre segurança alimentar, com exposição de fotografias, mostra de vídeos e momento de degustação.

A coordenadora do Núcleo de Extensão Social da Emater, Eliésia Paulino, informou que a exposição sobre segurança alimentar será composta por painéis com fotografias sobre o trabalho realizado pela empresa, a exemplo das hortas da agricultura familiar, as capacitações de transformação, manipulação e beneficiamento de alimentos e a criação de pequenos animais.

Além disso, a exposição mostrará as fotos com as ações possibilitadas pelas políticas públicas de segurança alimentar, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos – PAA, que garantem renda para quem vive no campo e alimento para as populações em situação de insegurança alimentar.

“Também vamos mostrar as nossas ações para facilitar o acesso do trabalhador rural ao programa de cisternas, além do nosso trabalho com plantas medicinais para garantir a saúde do homem do campo. Ainda mostraremos todo o trabalho que é feito na área de agroecologia, prática que garante um alimento saudável”, revelou.

Eliésia Paulino disse que, além dos painéis em exposição, vai acontecer um momento de degustação com sucos naturais da região. Em seguida, acontecerá a exibição do vídeo “Muito além do peso”. Ela explicou que as ações da Emater, relacionadas à segurança alimentar e nutricional, transição agroecológica e geração de renda junto ao agricultor familiar, se somam a outras ações governamentais de combate à fome, à desnutrição e à pobreza.

A Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano (Sedh), por exemplo, trabalha com os restaurantes populares, que oferece refeições balanceadas, saudáveis e acompanhadas por nutricionistas. As refeições são vendidas ao preço de R$ 1,00, e o público usuário é formado por pessoas inscritas em programas sociais como “Bolsa Família”, desempregadas, em situação de insegurança alimentar e nutricional e vulnerabilidade econômica e social.

A Sedh também atua com a Câmara Intersecretarial de Segurança Alimentar (Caisan), que tem parceria com o Conselho Estadual de Segurança Alimentar (Consea) e conta com 22 órgãos do Governo. O objetivo da Caisan é fortalecer as ações governamentais de segurança alimentar e nutricional que existem no Estado, com a implantação do Sistema e do Plano Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional da Paraíba.

Brasileiro consome 5,2kg de veneno/ano

Os brasileiros tomam até 5,2kg de veneno por ano per capita, via alimentação, alerta Emmanuel Falcão, nutricionista e mestre em Educação Popular. Segundo o especialista, o envenenamento por alimentação vem do excesso dos agrotóxicos na lavoura, do uso de componentes na ração para crescimento rápido de animais de corte, como o frango, e até da ingestão de certos alimentos transgênicos, como a maioria dos alimentos de soja, que derivam das sojas transgênicas.

“Assim vão surgir, além da desnutrição, as doenças tipo câncer. Se olharmos os dados, o que vem surgindo de novos casos de câncer, é algo alarmante. Tudo isso é resultado da má alimentação por envenenamento”, analisou.

O Brasil é o 5° maior produtor de alimentos do planeta, um dos maiores produtores de grão, o melhor produtor de carne de frango e o segundo maior rebanho de carne bovina do mundo. Em sua malha produtiva, o Brasil tem condição para trabalhar com o agronegócio e agricultura familiar.

Na opinião de Emmanuel Falcão, esse é o cenário atual na produção de alimentos no país, o que poderia ser bastante promissor, se não fosse o grande gargalo existente no agronegócio, que é o envenenamento natural das águas e das terras brasileiras. Para o especialista, não é possível comemorar o Dia Mundial da Alimentação sem uma reflexão sobre o tamanho desse desastre ecológico.

Ele defende a ideia de que é preciso buscar nas boas práticas, como a agroecologia, as formas de se trabalhar para recuperar os bolsões de água, diminuindo a quantidade de veneno e também evitando o processo de aplicação de fungicidas e herbicidas na produção de alimentos. Segundo ele, a opção é trabalhar com os defensivos agrícolas naturais.

“Estamos fazendo isso aqui na Paraíba, em diversos assentamentos. O trabalho é feito em parceria com Universidade Federal da Paraíba – UFPB, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – Incra e diversas ONGs, como a Assessoria de Grupo Especializada Multidisciplinar em Tecnologia e Extensão – AGEMTE. Estamos induzindo os agricultores a trabalhar a produção orgânica de suas hortaliças e botar nas feiras agroecológicas, como uma boa prática para minimizar custos e o impacto na saúde das pessoas e também potencializando o trabalho com as plantas medicinais”, complementou.

Emmanuel Falcão revelou que o trabalho nos assentamentos paraibanos beneficia diretamente 25 mil pessoas e, indiretamente, com o desdobramento de toda a cadeia produtiva envolvendo produção, comercialização e consumidores, chega a atingir em torno de 100 mil pessoas.

Obesidade e desnutrição

Falcão, que também é consultor da ONG AGEMTE, acrescentou que é preciso debater a questão da obesidade, que é causada pela alimentação em excesso e sem orientação nutricional. “A falta de conhecimento e os alimentos ingeridos inadequadamente levam à obesidade, à cardiopatia e à diabetes. Entretanto, a obesidade não deixa de ser uma carência alimentar, porque está obeso não significa está bem nutrido. É sempre possível encontrar alguma deficiência nutricional na pessoa obesa”, acrescentou.

Por outro lado, existe o problema da desnutrição e subalimentação que, de acordo com Emmanuel Falcão, ainda persistem nas periferias das grandes cidades, apesar das políticas implantadas no Brasil de combate à fome, ressaltadas no relatório global da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Segundo o relatório, de 2002 a 2013, caiu em 82% a população de brasileiros considerados em situação de subalimentação.

“Mesmo assim, ainda existe uma carência de alimentos muito grande, associada ainda ao desperdício que a gente vê nas grandes centrais de abastecimento. No entanto, existe uma campanha no Brasil para minimizar esse desperdício, transformando-o em alimento acessível nos bancos de alimentos, nas cozinhas comunitárias e restaurantes populares, espalhados pelo país”, informou.

Saiba Mais

João Pessoa aparece, entre capitais dos 26 estados brasileiros e Distrito Federal, com um percentual de 51,3 % de adultos com excesso de peso.

A frequência de adultos obesos, em João Pessoa, é 17 %. Já o percentual de adultos que consomem frutas e hortaliças regularmente, na capital paraibana, é de 38,6 %.

João pessoa é uma das capitais brasileiras onde menos se troca almoço ou jantar por lanches, com apenas um percentual de 8,3%.

O percentual de adultos que costumam consumir carnes com excesso de gordura, em João Pessoa, é 22,9%. Com isso João Pessoa é a capital brasileira onde menos se consome carnes com excesso de gordura. Só 19,6% dos pessoenses adultos consomem alimentos doces em cinco ou mais dias da semana.

Já a frequência de adultos que consomem refrigerantes em cinco ou mais dias da semana, em João Pessoa, é de 13%, enquanto o percentual de adultos que consomem feijão em cinco ou mais dias da semana é de 73,4%,uma posição de liderança diante de muitas capitais brasileiras.

Os dados são do relatório Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico – VIGITEL Brasil 2013.



Fonte: Jornal A União



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