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Projeto da UFCG constrói casas ecológicas para a população do semiárido paraibano

Compartilhe:     |  8 de maio de 2016

Um projeto desenvolvido por professores e alunos da Pós-Graduação em Engenharia Agrícola da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) está proporcionando moradias confortáveis a 1.200 moradores do distrito de Ribeira de Cabaceiras, na região do Cariri paraibano.

Financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o projeto, intitulado “Construção de Eco Residência Rural na Região do Semiárido Paraibano” tem como objetivo dotar os pequenos agricultores de moradias sustentáveis do ponto de vista ambiental, numa ação combinada com o manejo das bacias hidrográficas da região.

O distrito de Ribeira está localizado no município de Cabaceiras, onde se registra o menor volume de chuvas do País. Daí a necessidade de construção de casas ecologicamente sustentáveis, começando pelo material destinado à construção dessas moradias.

O professor Geraldo Baracuhy, da Unidade Acadêmica de Engenharia Agrícola e um dos participantes do projeto, explica que as casas são construídas com tijolos prensados, de solo e cimento. Segundo ele, além de contribuir para oferecer moradia a um custo menor, o projeto também pode ajudar nas políticas habitacionais da Companhia Estadual de Habitação Popular (Cehap) em outros municípios da Paraíba.

Essa tecnologia, desenvolvida pelo professor Edson Pereira Guedes, dispensa a queima em olarias, como ocorre com os tijolos convencionais. Dessa forma, a cobertura vegetal da caatinga não é derrubada para servir de lenha destinada à produção do material de construção.

Em Ribeira de Cabaceiras as casas são conjugadas (unidas pela mesma parede), o que provoca mais calor no período mais quente do ano. Com a modificação introduzida pelo projeto do grupo de pesquisadores da UFCG, a ventilação das casas é maior, aliviando o calor muito comum à região; ensejando, ainda, economia de água e energia elétrica.

As casas têm 69 m² com cinco metros de altura, dois quartos, sala, cozinha, um banheiro e um mezanino. Na área externa, o telhado em formato de pirâmide garante maior captação da água da chuva. A cobertura das casas é resultado de uma dissertação de mestrado do professor de design Abdon Miranda. A madeira para sustentação do telhado é mista, mas as portas e janelas são feitas de madeira de jatobá.

O engenheiro civil Vicente Rocha aprimorou o modelo das casas com a instalação de janelas na direção do vento e de um sótão multiuso. Este compartimento é comum em casas da Zona Rural, servindo para estocar feijão, milho e outros grãos, e até para guardar ferramentas usadas no cultivo das lavouras de subsistência. Além da economia de energia e água, a técnica proporciona uma redução de quatro graus centígrados na temperatura ambiente.

Cinco teses de doutorado e três de mestrado subsidiaram o projeto das residências ecologicamente corretas de Ribeira de Cabaceiras. Uma delas tem por título “Estudo de Conforto Térmico das Eco Residências”. Mediante esse estudo, chegou-se ao melhor padrão de ventilação natural de cada casa. Todas as unidades são construídas com tijolo aparente e cobertas com telhas comuns.



Fonte: A União - Chico José



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