Projetos Ambientais

Projeto de educação ambiental beneficia quilombolas

Compartilhe:     |  22 de dezembro de 2018

A Comunidade Quilombola São Roque possui parte do território sobreposto aos Parques Nacionais de Aparados da Serra e da Serra Geral.

Localizada nos municípios de Praia Grande (SC) e Mampituba (RS), a Comunidade Quilombola São Roque possui parte do território sobreposto aos Parques Nacionais de Aparados da Serra e da Serra Geral. Neste mês, os moradores participaram da Feira Viva, uma iniciativa do projeto de educação ambiental que vem sendo desenvolvido pelas Unidades de Conservação (UCs).

O projeto de educação ambiental na Comunidade São Roque busca transformar as situações de conflito em oportunidades de melhoria da proteção do patrimônio natural e do desenvolvimento socioambiental dos moradores e do entorno dos parques. O fio condutor da ação educativa delineia novas perspectivas de convívio social e alternativas econômicas sustentáveis que gerem renda e melhoria da qualidade de vida da comunidade, valorizando os aspectos históricos e culturais que contribuíram com a preservação da área das unidades.

A iniciativa visa aproximar e sensibilizar as partes envolvidas, incluindo o conselho consultivo das UCs, a partir do desenvolvimento de um processo de troca de saberes e colaboração entre os atores locais. O objetivo é a retomada do diálogo com a comunidade e a construção equitativa e justa de alternativas econômicas que promovam a reprodução física e cultural digna dos quilombolas na área sobreposta, a partir de atividades de uso indireto dos recursos naturais, compatíveis com a categoria de manejo das UCs.

TERMO DE COMPROMISSO

Recentemente, teve início a execução de um Termo de Compromisso entre o ICMBio e a Comunidade de São Roque, prevendo a utilização de parte da área sobreposta para moradia e subsistência. A comunidade se desenvolveu ao longo dos dois últimos séculos quando negros escravizados desciam a serra buscando abrigo e melhores áreas de cultivo. Alguns deles ficavam nas roças durante todo o ano e assim se estabeleceram no local.

Com o histórico de conflito institucionalizado em razão da sobreposição, a gestão dos Parques buscou uma ação educativa de interação e cooperação institucional em torno de objetivos socioecológicos comuns nas áreas sobrepostas, materializado no projeto de educação ambiental.

A iniciativa envolveu a realização de oficinas participativas para o planejamento, sistematizando atividades semiestruturadas de coleta de dados. Um dos resultados foi a Feira Viva, evento que abordou a realidade da Comunidade, cujo produto foi um diagnóstico da identidade local que abrangeu temas como cultura, história, meio ambiente, saúde e turismo, sempre se baseando na troca de saberes entre os comunitários e outros atores sociais.

Na feira, foram apresentados vários elementos da cultura da comunidade, traduzidos no saber-fazer do próprio evento: mostra de artesanato com trabalhos em madeira entalhada, ferramentas tradicionais, venda de ervas e chás medicinais, produção agroecológica e orgânica, doces e culinária típica, confecção de balaios com fibras naturais, música e dança.

Está prevista, ainda, a realização de uma oficina de capacitação na qual o produto final será a proposta de uma trilha interpretativa, considerando os temas abordados na Feira Viva, além de outros aspectos que se enunciarem ao longo do processo. Em seguida, serão definidas as ações necessárias para implantar a trilha como produto turístico integrado ao Programa de Uso Público dos Parques, considerando o manejo, a sinalização e a interpretação histórico-cultural e ambiental. A trilha será orientada pelos princípios e diretrizes do Turismo de Base Comunitária e será ferramenta para a conservação da natureza, promoção do desenvolvimento socioambiental e geração alternativa de renda, para que a comunidade empreenda práticas sustentáveis de uso do território sobreposto aos limites dos Parques.


Fonte: ICMBio



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