Projetos Ambientais

Projeto Dunas Costeiras

Compartilhe:     |  13 de janeiro de 2019

As dunas costeiras formaram-se durante os últimos 5000 anos pela interação entre o mar, o vento, a areia e a vegetação. As correntes marítimas litorâneas transportam grandes quantidades de areia. Parte destes grãos são depositados nas praias pelas marés altas. A areia acumulada é transportada pelos ventos dominantes para áreas mais elevadas da praia.

Esse complexo ecossistema estende-se por 600 Km no litoral gaúcho, desde o arroio Chuí, ao sul, até o rio Mampituba, ao norte, formando o maior sistema de praias arenosas do mundo. As dunas servem de barreira natural à invasão da água do mar e da areia em áreas interiores e balneários. Também protegem o lençol de água doce evitando a entrada de água do mar.

A vegetação nativa desempenha importante papel na formação e fixação das dunas.

São plantas adaptadas às condições ambientais extremas como salinidade, atrito dos grãos e movimentos de areia. A medida que a vegetação pioneira cresce, as dunas ganham volume e altura. Com o passar do tempo outras plantas colonizam o local, mantendo o equilíbrio ecológico e a estabilidade do cordão de dunas litorâneas. O tuco-tuco é um pequeno roedor que habita galerias escavadas nas areias. Caules e raízes da vegetação nativa compõe a sua alimentação.

PROJETO DUNAS COSTEIRAS

Em 1986, o NEMA desenvolveu um plano piloto em uma área ao sul do Balneário Cassino, na qual o cordão de dunas fora retirado. Após um ano de manejo alcançou-se resultados positivos na recuperação do cordão frontal e restabelecimento da cobertura vegetal nativa. Já em 1989 devido ao sucesso obtido e também pelo aumento da invasão de areias na zona urbana, a Autarquia do Balneário Cassino solicitou um parecer técnico que culminou na criação do Projeto Dunas Costeiras. Os principais objetivos focalizam: a recuperação e fixação do cordão de dunas; a assessoria aos órgãos competentes pela preservação do ambiente; a capacitação de funcionários públicos que atuam nos manejos e o desenvolvimento de ações de divulgação e educação ambiental envolvendo as escolas e a comunidade do balneário.

O trabalho consiste na disposição de barreiras, onde anteriormente existia o cordão de dunas. As barreiras dificultam o transporte de sedimentos, gerando zonas de pouca intensidade de ventos, as quais freiam a mobilização dos grãos que são trapeados no local. As barreiras favorecem o estabelecimento de estolões e sementes no período de soterramento e a gradativa recolonização da cobertura vegetal nativa. Em casos mais críticos forma-se, no pós-dunas, uma cortina arbustiva protetora com o plantio de espécies vegetais adaptados ao local. Em 1992, um Viveiro Florestal foi implantado para servir de apoio aos plantios.

A experiência do NEMA em ações de gestão participativa desenvolvidas pelo “Projeto Dunas”, em conjunto com os órgãos competentes, obteve ao longo de 12 anos resultados exitosos na recuperação e fixação das dunas em uma área de 2.500 metros de extensão, delimitando a avenida beira mar hoje livre das invasões de areia; definiu políticas e estratégias para solucionar os problemas de ocupações irregulares de “Áreas de Preservação Permanente”; regularizou a exploração de areia, em área fora do campo de dunas, aliviando uma pressão de retirada de 40.000 toneladas de areia de dunas/ano; proporcionou o desenvolvimento da cobertura vegetal; o resgate das funções ecológicas e biodiversidade possibilitando a retomada gradativa da harmonia paisagística e identidade da frente da praia. Ressalta-se, ainda, a partir de 1994, o fechamento gradativo de 14 ruas de acesso à praia. Atualmente existem 08 acessos operacionais dos 22 existentes anteriormente, contribuindo significativamente à desfragmentação do cordão litorâneo. Por meio das ações de divulgação e educação ambiental o projeto despertou o interesse e conscientização da comunidade em relação aos problemas ambientais, possibilitando a geração de mudanças de postura das administrações municipais, mitigando e prevenindo as diversas ações impactantes.

A extensão do trabalho a outros municípios do RS, foi possibilitada com os projetos “Diagnóstico dos Processos Naturais e Antrópicos do Sistema de Dunas Costeiras do Litoral do Estado do Rio Grande do Sul” (Convênio NEMA/FNMA-MMA, 1996/97) e “Monitoramento, Recuperação e Fixação de Dunas Costeiras do Litoral de Torres”, (Convênio NEMA/ Prefeitura Municipal de Torres, 1997). O Projeto Dunas Costeiras tornou-se referência a nível municipal, estadual e nacional e veiculou o trabalho como exemplo de manejo costeiro bem sucedido.



Fonte: Octopus



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