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Projeto Tamar comemora aumento da população de tartarugas brasileiras

Compartilhe:     |  11 de junho de 2015

O projeto Tamar está comemorando o aumento da população de cinco espécies de tartarugas marinhas ameaçadas de extinção, que vivem em águas do Brasil: Caretta caretta (tartaruga-cabeçuda), Eretmochelys imbricata (tartaruga-de-pente), Chelonia mydas (tartaruga-verde), Lepidochelys olivacea (tartaruga-oliva) e Dermochelys coriacea (tartaruga-de-couro).

“Foi uma alegria grande quando a gente pegou a última estatística”, disse à Agência Brasil o oceanógrafo Guy Marcovaldi, coordenador do Projeto Tamar. Nos últimos cinco anos, essas cinco espécies de tartarugas marinhas aumentaram em 86,7% seu contingente populacional. O grande destaque foi a tartaruga-oliva, encontrada no estado de Sergipe e no extremo norte da Bahia. Essa é a menor espécie de tartaruga marinha que aparece na costa brasileira, com peso entre 50 e 60 quilos.

Diferentemente das outras quatro espécies verificadas no Brasil, a tartaruga-oliva atinge a maturidade entre 11 anos e 16 anos, enquanto as outras começam a se reproduzir entre 20 anos e 30 anos de idade. A tartaruga de maior peso (700 quilos) é a tartaruga-de-couro, com população restrita ao estado do Espírito Santo.

Nos primeiros 15 anos de atuação do Projeto Tamar, que completa 35 anos em 2015, Guy Marcovaldi relatou que foi sendo ampliado o esforço dos biólogos nas praias e multiplicada a ação geográfica. “Nós fomos conquistando novas praias para salvar mais tartarugas”. Nos 15 anos seguintes, houve maior conscientização ambiental, acompanhada de melhores técnicas para salvar e ampliar o número de nascimentos de tartarugas.


Foto: Divulgação

Em média, a população de tartarugas vinha aumentando em torno de um milhão de animais a cada cinco anos. “E nos últimos cinco anos, dobrou o número de filhotes e de fêmeas desovando, porque aquelas crianças que a gente viu nascer durante todos esses anos se transformaram em adultos e começaram a se reproduzir. Então, teve o que a gente chama em biologia de bloom [proliferação ou explosão]”. Com a última estatística, essa tendência se consolidou.

Nos primeiros cinco anos do projeto, a população de filhotes somava 83 mil tartarugas. No segundo quinquênio, já eram 764 mil, evoluindo no terceiro quinquênio para 1,6 milhão. Entre 1995 e 1999, o número alcançava 2,1 milhões, subindo para 3,1 milhões entre 2000 e 2004, e atingindo 4,5 milhões entre 2005 e 2009. No período recente de 2010 a 2014, o número saltou para 8,4 milhões. Isso ocorreu, segundo o coordenador, porque as praias brasileiras começaram a ser repovoadas pelas tartarugas jovens, que têm muita capacidade de reprodução.


Foto: Divulgação

A nova geração de tartarugas marinhas mostra um sinal de recuperação das espécies que incidem no Brasil. “Elas saíram da UTI [unidade de terapia intensiva], mas ainda não tiveram alta. Já não estão para morrer”, disse o coordenador. Isso significa que a curva descendente observada até o final da década de 1980 começou a se reverter e mostrar tendência ascendente, afastando-se da extinção, explica ele. “[Nos últimos cinco anos, essa curva] deu uma guinada para cima. Mas ainda não chegou a números que permitam a gente dizer que elas estão livres da ameaça de extinção.”


Foto: Divulgação

A população adulta de tartarugas fêmeas no Brasil soma em torno de 20 mil. Guy Marcovaldi estimou que para afastar por completo o risco de extinção, serão necessários “pelo menos” mais 35 anos de trabalho. Sediado na Bahia, o Projeto Tamar estende-se pelos estados de Sergipe, Pernambuco, do Rio Grande do Norte, Ceará, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina.

O coordenador aguarda a próxima estatística, que será divulgada em dois ou três meses, e indicará a reprodução ocorrida no último ano. A tendência, entretanto, só estará visível nos próximos cinco anos, concluiu.



Fonte: CicloVivo - Alana Gandra - Agência Brasil



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