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Projetos da UFCG aproveitam água dos esgotos para ser utilizada no abastecimento de casas

Compartilhe:     |  8 de dezembro de 2014

Em tempos de racionamento, uma das alternativas é o tratamento e reúso da água dos esgotos. Pensando nisso, estudiosos investem em pesquisas na área de táticas avançadas de tratamento de águas residuárias para aumentar as possibilidades de reaproveitamento do líquido. Como é o caso do professor de engenharia da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Adrianus Van Haandel, que desenvolve o sistema de tratamento desses resíduos, que podem ser utilizados para o abastecimento das casas onde não há esgotamento sanitário, chamado UASB.

O sistema de UASB capta a água do esgoto e faz o devido tratamento eliminando as sujeiras para que ela torne-se própria para o consumo, de acordo com o professor. Essa tecnologia pode ser aplicada também nas indústrias e na agricultura, como mecanismo de retenção de gastos dos recursos hídricos, mas ele destaca que não há uma conscientização por parte da população para adotar essas medidas. “Não é falta de conhecimento. As pessoas sabem como resolver o problema, mas não vão fazer isso porque custa dinheiro”, explicou.

O UASB foi desenvolvido através do Programa de Pesquisa de Saneamento Básico (Prosab), financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Sua proposta é estabelecer grupos de pesquisadores de várias instituições, que se encontram periodicamente, em princípio três vezes por ano, para expor suas pesquisas e debater o progresso.

As atividades são divididas através dos grupos formados por mestres e doutores que desenvolvem pesquisas, treinamentos de pessoal, produção de literatura de saneamento para estudantes e pessoal na prática e também consultorias de transferência de tecnologia para o setor.

Os estudiosos já realizaram cerca de onze consultorias no Brasil e no exterior, mas segundo o professor Adrianus, a procura por esses serviços em Campina Grande ainda não é considerável. O Prosab funciona no bairro do Catolé. Ele visa a colocar em prática os projetos desenvolvidos pelos pesquisadores nos laboratórios, de modo que eles venham a contribuir para o aperfeiçoamento de tecnologias nas áreas de águas de abastecimento, águas residuárias e resíduos sólidos que sejam de fácil aplicabilidade, baixo custo de implantação e melhorem a condição de vida da população.

Programa desenvolve atividade desde 1996

O núcleo do Programa de Pesquisa de Saneamento Básico da Universidade Federal de Campina Grande teve o início das suas atividades em 1996 e até 2008 era financiada com o dinheiro do Banco Mundial, voltado para o desenvolvimento de pesquisas na área de saneamento. Depois ele continuou com recursos do governo federal, que segundo o professor de engenharia Adrianus Van Haandel, enfrenta dificuldades na transferência de verbas, o que diminuiu o rendimento do programa.

Ainda assim, o projeto já desenvolveu muitas pesquisas distribuídas nas áreas de tratamento de água, tratamento de esgoto, lodos e solos, resíduos urbanos e energia para saneamento básico. Ao todo já foram contabilizadas 120 produções literárias, 40 dissertações de mestrados, 11 teses de doutorados e 11 consultorias.

 

Além do Sistema Unifamiliar de Fluxo Ascendente (UASB), o Prosab desenvolve outras seis pesquisas, como o desenvolvimento de sistemas de tratamento anaeróbio de alta taxa para o tratamento de esgoto, substituição do sistema de lagoas de estabilização por um sistema UASB + lagoa de polimento, desinfecção de efluentes visando a sua aplicação na agricultura para ferti-irrigação, tratamento de esgoto para reuso industrial, otimização de sistemas de tratamento aeróbio com remoção de nutrientes e sistemas de lodo ativado em regime de bateladas sequenciais.

CG terá plano de saneamento 

Para que a população campinense tenha acesso aos serviços de saneamento básico, a Secretaria de Planejamento (Seplan) da cidade está elaborando o Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB), em cumprimento da lei federal de n° 11.445. Divulgada há 7 anos, essa lei estabelece diretrizes nacionais voltadas para a área e determina que todos os municípios têm a obrigação de criar o PMSB até dezembro de 2015. Sem ele, as prefeituras deixam de receber os recursos federais para projetos de saneamento.

“O PMSB trata-se de um documento que parte inicialmente do conhecimento da situação atual dos serviços de saneamento básico no município, ou seja, abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem pluvial e coleta de resíduos sólidos. A partir desse diagnóstico o PMSB irá propor soluções que busquem a universalização desses serviços num determinado período de tempo”, explicou o engenheiro da Secretaria de Planejamento, Alexandre Araújo.

Segundo o engenheiro, o objetivo do plano é apresentar, através de uma análise do setor, quais as medidas que devem ser tomadas para que todos tenham acesso aos serviços de saneamento básico. “O plano buscará atender todas as áreas não servidas, servidas de forma deficitária e áreas de expansão, notadamente que precisem dos serviços básicos”, informou.

De acordo com o secretário de planejamento do município, Márcio Caniello, um comitê formado por vários órgãos, com a Cagepa, Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e Secretária de Saúde estão analisando o documento.  “Depois de analisado, veremos quais os projetos que serão aplicados a curto, médio e longo prazo”, disse. O plano do município vem sendo elaborado desde junho de 2013 e a previsão é que ele seja concluído em fevereiro do ano que vem, onde será submetido à aprovação da câmara de vereadores. (Especial para o JP)

 Em que consiste o saneamento básico

– Abastecimento de água potável: constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações necessárias ao abastecimento público de água potável, desde a captação até as ligações prediais e respectivos instrumentos de medição;
– Esgotamento sanitário: constituído pelas atividades, infra-estruturas e instalações operacionais de coleta, transporte, tratamento e disposição final adequados dos esgotos sanitários, desde as ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente;
– Limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos: conjunto de atividades, infra-estruturas e instalações operacionais de coleta, transporte, transbordo, tratamento e destino final do lixo doméstico e do lixo originário da varrição e limpeza de logradouros e vias públicas;
– Drenagem e manejo das águas pluviais urbanas: conjunto de atividades, infra-estruturas e instalações operacionais de drenagem urbana de águas pluviais, de transporte, detenção ou retenção para o amortecimento de vazões de cheias, tratamento e disposição final das águas pluviais drenadas nas áreas urbanas.



Fonte: Jornal da Paraíba



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