Projetos Ambientais

Projetos de conscientização e reciclagem são armas contra o problema do lixo no Rio

Compartilhe:     |  5 de outubro de 2019

Entre as sugestões, especialistas sugerem reduzir e reutilizar os resíduos

O projeto Recicla Orla está expandindo seus pontos de entrega voluntária nos quiosques Foto: Gabriela Fittipaldi / Agência O Globo

Política Nacional de Resíduos Sólidos completou nove anos em agosto passado. Mas é uma data que ainda não tem motivos para comemoração. Desde então, a produção de lixo no país aumentou 28% — o que representa 78,4 milhões de toneladas por ano. No estado do Rio, a produção é de 21.708 toneladas por dia, e o percentual de reciclagem na capital está em apenas 2,72%, segundo dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).

— É preciso que cidadãos, gestores públicos e empresas assumam suas responsabilidades no assunto, para que todo volume tenha uma gestão adequada, com prioridade para o reaproveitamento e a reciclagem do material descartado como determina a lei— afirma Carlos Silva Filho, diretor presidente da Abrelpe.

Apesar do panorama desfavorável, algumas iniciativas estão sendo criadas para dar destinação correta ao lixo produzido na cidade, estimulando a consciência ambiental nos cidadãos. Nascido há três meses, o Recicla Orla está expandindo do Leblon para Ipanema seus pontos de entrega voluntária nos quiosques. Agora são seis locais de coleta, com previsão de chegar a toda a orla carioca. A parceria da concessionária Orla Rio com a startup de sustentabilidade Polen já arrecadou, nesse período, mais de 70 toneladas de material a ser reciclados.

— Os resíduos são coletados, selecionados e direcionados à reciclagem, voltando para a indústria, que faz a reutilização desse material — explica Renato Paquet, CEO da Polen.

Cada lixo em seu lugar. Fernanda Vieites utiliza os pontos de coleta seletiva do projeto Recicla Orla Foto: Gabriela Fittipaldi / Agência O Globo
Cada lixo em seu lugar. Fernanda Vieites utiliza os pontos de coleta seletiva do projeto Recicla Orla Foto: Gabriela Fittipaldi / Agência O Globo

Moradora do Leblon, a publicitária Fernanda Vieites, de 31 anos, já é uma das colaboradoras assíduas do Recicla Orla. O hábito de separar o lixo começou há dois anos, mas ela esbarrava na dificuldade de encontrar lugares específicos para entregar.

— Meu prédio não tem lixeiras de coleta seletiva. Antes eu separava e deixava com o porteiro, mas não controlava se ele entregava para o caminhão da coleta seletiva ou acabava misturando. Agora eu aproveito a caminhada na praia para levar os resíduos — conta.

Outra novidade na região é o Espaço Convivência Sustentável (ECoS), na Lagoa, inaugurado pela Secretaria de estado do Ambiente e Sustentabilidade e pelo Instituto Estadual de Ambiente (Inea). O local, que abre aos sábados e domingos, das 9h às 16h, visa a conscientizar e mobilizar a sociedade sobre o desenvolvimento sustentável por meio de palestras e oficinas, além de ter uma ação de recolhimento de lixo para reciclagem. Lá é possível ainda obter informações sobre o descarte correto.

Reduzir, reutilizar e reciclar são as palavras-chaves

Segundo Cristina Caiado, gerente geral da Marina da Glória, são retirados sete sacos de 200 litros de lixo do mar diariamente Foto: Bruno Kaiuca / Agência O Globo
Segundo Cristina Caiado, gerente geral da Marina da Glória, são retirados sete sacos de 200 litros de lixo do mar diariamente Foto: Bruno Kaiuca / Agência O Globo

Desde 2016 a Marina da Glória voltou a receber tartarugas e peixes, visitantes ilustres e que estavam sumidos há mais de 20 anos, afastados pela poluição das águas. Esse retorno foi resultado de vários projetos ambientais realizados no local e que não podem parar. Para se ter uma ideia, diariamente são retirados sete sacos de 200 litros de lixo do mar na área da Marina.

— Apoiamos projetos ambientais importantes, com foco em reciclagem e no correto descarte de lixo. Mais de 16 mil pessoas já foram beneficiadas. E trabalhamos a conscientização da população e de funcionários e clientes para que se tornem multiplicadores — afirma a gerente geral, Cristina Caiado.

O material reciclável tem dezenas de destinos, inclusive financeiro. Pode, por exemplo, virar desconto na conta de luz. Por meio do projeto Light Recicla, o consumidor só precisa comparecer até um dos ecopontos na cidade e se cadastrar. Na Zona Sul, há endereços em Botafogo, Leme, Copacabana, Humaitá, Leblon e Vidigal. Após o cadastro, ele receberá um cartão e passará a entregar o material reciclável (plástico, metal, vidro, papel e óleo vegetal usado) em troca de bônus. Cada item tem um preço por peso que gera o crédito na conta de energia escolhida.

Os recicláveis também podem ser revertidos numa boa ação ao próximo. Como o projeto Rodando com Tampinhas, iniciativa da professora Márcia Dabul em parceria com o pároco da Igreja de São José da Lagoa, Padre Omar. As tampinhas de plástico recolhidas são vendidas para empresas de reciclagem através do Instituto Soul Ambiental. Todo o dinheiro arrecadado é revertido para a compra de cadeiras de rodas aos pacientes da Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação do Rio de Janeiro (ABBR). Com mais de 13 toneladas de tampinhas arrecadadas, 86 cadeiras de rodas foram doadas até agora.

A Comlurb coleta 1.700 toneladas de material reciclável no Rio por mês Foto: Bruno Kaiuca / Agência O Globo
A Comlurb coleta 1.700 toneladas de material reciclável no Rio por mês Foto: Bruno Kaiuca / Agência O Globo

Segundo o presidente da Comlurb, Paulo Mangueira, a Zona Sul é a região que mais faz a separação do lixo dentro de casa.

— Ela chega a atingir 16,5 % dos materiais potencialmente recicláveis. Os bairros que mais contribuem para esse alto percentual são: Leblon, Ipanema, Jardim Botânico e Lagoa — conta.

Fabiano Araújo, gerente de coleta seletiva da Comlurb, revela que 1.700 toneladas de lixo reciclável são recolhidas por mês na cidade e levadas para cooperativas de catadores, que fazem a separação do material. Ele diz que a população tem papel fundamental nesse processo.

— A mudança começa em casa, quando cada um entende que é responsável por seu resíduo. É uma questão cultural — diz Araújo, completando que, para começar, bastam duas cestas, uma para resíduos sólidos e outra para os orgânicos. — A separação de vidros, latas e plásticos é feita pelos catadores. Só de plástico são mais de 20 tipos.



Fonte: O Globo - Patricia de Paula



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