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Proliferação de molusco vira uma ‘praga’ e polui Água Vermelha

Compartilhe:     |  28 de julho de 2014

A Justiça Federal deu prazo de 90 dias para que a concessionária AES Tietê, responsável pela barragem de Água Vermelha, em Ilha Solteira, apresente um plano ambiental de emergência para conter a proliferação do mexilhão dourado, molusco de origem asiática que chegou à região há cerca de dez anos e virou praga em rios e reservatórios.

O pedido de providências foi feito pela Procuradoria da República de Jales, que protocolou ação civil pública contra a concessionária e obteve liminar assinada pelo juiz da 1ª Vara, Fabiano Lopes Carraro. A decisão foi publicada quinta-feira e estipula multa diária de R$ 1 mil por descumprimento.

“A invasão de ecossistemas por uma espécie exótica é uma forma de poluição e, portanto, seu combate deve ser feito por ações coordenadas entre as diversas esferas de governo”, afirma o juiz, que também manda a concessionária criar uma força-tarefa conjunta com o Ibama para solucionar o problema.

Segundo a decisão, inicialmente o plano ambiental deve impedir o continuidade da proliferação do mexilhão e depois concluir a erradicação total. Até lá, AES também tem prazo máximo de 60 dias para apresentar um mapeamento detalhado da infestação do molusco especificamente no reservatório de Água Vermelha.

A ação foi proposta pelo procurador Thiago Nobre, após conclusão de inquérito civil que investigou a situação e expôs “bem a gravidade do problema, visto a facilidade de proliferação do referido molusco e os danos que traz ao ecossistema invadido e, especialmente, ao homem e à sua economia”, conforme afirma o juiz.

Outro lado

A assessoria de imprensa da AES Tietê informou que a empresa já tomou ciência da disponibilização da decisão na última quinta-feira e apresentará recurso. A concessionária, entretanto, não diz quais medidas vai adotar. Já o Ibama afirmou que ainda não foi “notificado oficialmente pela Justiça Federal.”

O molusco

O mexilhão dourado chegou acidentalmente à América do Sul trazido de carona em navios cargueiros da China e do sudoeste da Ásia no final da década de 90. Aportou na Bacia do Prata, na Argentina e, em menos de um ano, já havia sido detectado em águas doces do Rio Grande do Sul. Em 2003, atingiu os rios Paraná e parte do Pantanal. Há quatro anos virou problema para usinas do noroeste paulista.

Sem inimigos naturais, a espécie invasora, com grande capacidade de incrustação e rápida taxa de crescimento, produz colônias que chegam a agrupar 40 mil mexilhões por metro quadrado. Segundo a Justiça, uma força tarefa criada há dez anos pelo governo federal tentou medidas de contenção da praga, mas acabou sendo engavetada.

Maiores danos são materiais

O biólogo da Unesp de Rio Preto, Arif Cais, acredita que, embora considerado uma praga, o mexilhão dourado causa mais problemas de danos materiais e não necessariamente à saúde humana ou à vida aquática dos rios. “Unicamente danos materiais, principalmente para as usinas hidrelétricas porque ele se fixa na tubulação e pode obstruir a passagem de água”, disse.

O biólogo confirma que o molusco chegou acidentalmente no Brasil e não tem predador natural. Ele se alimenta de algas e outros micro-organismos e concorre na cadeia alimentar diretamente com peixes como lambari. “O problema é que para encontrarmos um lambari hoje no rio Grande é muito difícil, então sobra espaço para o mexilhão comer e se reproduzir”, afirma.

Para Arif Cais, mesmo sendo inofensivo à maior parte do meio ambiente, a medida judicial mandando que a concessionária e o Ibama contenham o avanço do molusco é salutar. “O bom é que uma hora tem de começar (a combater)”, fala. “Eles citam o reservatório de Água Vermelha, mas na verdade o mexilhão já é amplamente encontrado até na barragem de Marimbondo”, completa.



Fonte: Diário Web



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