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Proteger pandas-gigantes: um investimento lucrativo

Compartilhe:     |  1 de julho de 2018

Para cada dólar investido na conservação do panda-gigante (Ailuropoda melanoleuca), gera, pelo menos outros dez dólares de retorno em serviços ambientais, de acordo com um estudo liderado pelo Instituto de Zoologia da Academia de Ciências Chinesa.

Na avaliação, publicada esta semana na revista científica Biology Current, os pesquisadores concluíram que em 2010 os serviços ambientais fornecidos pelos pandas e as florestas protegidas onde eles vivem foram calculados em pelo menos U$ 2,6 bilhões (mais de R$ 10 bilhões). Já os gastos foram gastos U$ 255 milhões (cerca de R$ 1 bilhão), no mesmo ano.

Levantamentos realizados pelo governo chinês mostram que a população e área ocupada pela espécie têm aumentado gradualmente. Além de investimentos milionários, o governo chinês já criou 67 reservas naturais para proteger o urso (um marsupial, nesse caso). Mas os gastos na conservação ao longo de 50 anos são criticados por quem considera “desperdício”, lamentam os pesquisadores.

Os autores do estudo lembram que as medidas para proteger uma espécie carismática como o urso-panda contribuem também para a preservação de florestas e proteção de diversas outras espécies que compartilham o mesmo habitat. E eles destacam os benefícios para as populações humanas proporcionadas pelo carisma do animal e pelos ambientes protegidos junto com ele.

Para medir em termos monetários esses benefícios, a equipe calculou separadamente o valor de cada categoria de serviços ambientai (fornecimento de água e alimentos, regulação de recursos hídricos e alimentos e culturais, como recreação) fornecido por hectare de floresta protegida por programas voltados à conservação do panda.

O maior retorno vem da conservação e regulação de água e alimentos (US$ 1,9 ou cerca de 7,35 bilhões). As belezas naturais valeram para a população chinesa e países signatários da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) U$ 709 milhões (R$ 2,5 bilhões).

Se forem considerados todos os países do mundo, esses benefícios naturais são ainda maiores e elevam os lucros em serviços ambientais com investimentos em conservação para U$ 6,9 bilhões (R$ 26,7 bilhões), ou cerca de 27 vezes o valor investido.

O status de conservação do panda-gigante foi alterado em 2016, pelos critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, em inglês). Ele passou de “em perigo” para “vulnerável”, ou seja, está menos ameaçado.



Fonte: ((o))Eco - Vandré Fonseca



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