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Quais efeitos o incêndio em Santos pode causar na saúde e no meio ambiente

Compartilhe:     |  7 de abril de 2015

Por Débora Ely

A cortina de fumaça preta que cobre parte do céu de Santos (SP) deixa apreensivo quem a testemunha. Moradores de bairros vizinhos ao depósito da empresa Ultracargo, cujos tanques com 6 milhões de litros de combustíveis cada estão em chamas desde quinta-feira, temem os efeitos do incêndio na saúde e no meio ambiente. Enquanto isso, a fuligem mancha paredes, e a qualidade do ar se deteriora.

A Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) classificou, nesta segunda-feira, a qualidade do ar na região do incêndio como N3-Ruim, em uma escala que vai de N1-Boa a N5-Péssima. A liberação de gases poluentes, resultado da queima de combustíveis como gasolina e etanol, pode causar efeitos imediatos no sistema respiratório. São substâncias que estão diariamente na atmosfera em função do próprio uso de veículos, por exemplo, mas que apresentam riscos maiores quando a exposição é em quantidades expressivas e por longos períodos.

— Um acidente deste tipo tem consequências imprevisíveis. Não sabemos, por exemplo, quanto tempo essa fumaça ficará no ar. Provavelmente, a longo prazo, haverá consequência principalmente para quem já tem alguma doença respiratória — aponta a diretora do Instituto de Toxicologia e Farmacologia da PUCRS, Maria Martha Campos.

O contato com o dióxido de enxofre — substância resultante da queima de gasolina — pode causar, de imediato, tosse seca, irritação e ardência nos olhos, nariz e boca em quem está mais próximo ao foco do incêndio. Conforme a pneumologista do Hospital de Clínicas Marli Maria Knorsd, o efeito seguinte seria a inflamação das vias aéreas e até mesmo falta de ar. Porém, ela alerta que as consequências dependem diretamente da intensidade da exposição aos gases poluentes. Marli diz, ainda, que estudos mostram o agravamento de problemas cardiovasculares em momentos de picos de poluição.

— Se a concentração (de gases poluentes, como dióxido de enxofre) é alta, pode tanto causar doenças em quem não tem, quanto novos sintomas em quem já sofre de alguma, como asma ou bronquite. Se a pessoa já tem uma doença respiratória ou cardíaca, ela faz parte de um grupo mais suscetível — diz Marli.

Em casos de alta exposição, a inalação dos poluentes pode evoluir para um edema pulmonar e, em quem sofre de doença cardiovascular, causar até um infarto.

Incêndio causa também danos ambientais

Conforme a Cetesb, as condições meteorológicas de Santos favorecem a dispersão de partículas — ou seja, as correntes também podem prejudicar o ar de localidades vizinhas. Especialistas alertam que, caso a qualidade piore, moradores mais próximos devem ser orientados a deixarem as suas casas.

Outro risco diz respeito ao dano ambiental. Um relatório preliminar da Ultracargo aponta que o incêndio provocou a contaminação da água do canal do estuário de Santos e pode ser a causa da morte de milhares peixes. “A água usada para conter as chamas foi despejada no estuário pelo sistema de escoamento da Ultracargo contaminada com combustível, provocando alteração da temperatura e saturação do oxigênio, provavelmente causando a morte dos peixes”, divulgou a Cetesb. Para o coordenador do curso de Engenharia Ambiental da Unisinos, Carlos Alberto Moraes, esse é o primeiro de uma série de possíveis efeitos decorrentes do acidente.

— O hidrocarboneto (combustível com base no petróleo) atinge a água, dificulta a luminosidade do céu e a transferência de oxigênio, o que leva rapidamente à mortandade de peixes por sufocamento e, também, por ficar com o óleo impregnado na pele — explica. — Já a questão da fuligem, que com o vento é disseminada, pode gerar um aceleramento de corrosão das espécies nativas, queima das folhas das árvores e a própria geração de chuva ácida decorrente do contato desses gases com a umidade.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) afirmou, por meio de nota, que analistas da equipe de emergências ambientais de São Paulo vêm acompanhando diariamente o acidente, mas que ainda é muito cedo para fazer qualquer avaliação sobre impactos ambientais.



Fonte: Zero Hora



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