Entrevista

Qual é a diferença entre vegetarianismo e veganismo?

Compartilhe:     |  28 de março de 2021

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Você acha que vegetarianismo e veganismo são assuntos novos ou da moda? Então, sentimos dizer, mas você se enganou. Muito antes dos hambúrgueres à base de plantas surgirem nas prateleiras dos mercados, o filósofo grego Pitágoras já defendia uma alimentação sem carne, no século 6 a.C,. e com seus seguidores acreditava que todos os animais tinham alma – a justificativa é similar para praticantes de religiões como budismo e hinduísmo, que frequentemente adotam uma dieta sem carne.

A causa também é defendida pelo gênio da computação Bill Gates, que alerta que o mundo deve parar de comer carne para agir contra o aquecimento global e também pelo maior campeão da história da Fórmula 1Lewis Hamilton, que inaugurou uma rede de fast food de alimentos feitos com plantas em Londres.

É correto dizer que os termos vegetarianismo e veganismo têm se popularizado, e esses modos de vida estão atraindo cada vez mais adeptos. No Brasil, há quase 30 milhões de vegetarianos, o que representa 14% da população, de acordo com dados divulgados pela Sociedade Vegetariana Brasileira, com base na pesquisa feita pelo Ibope em 2018. Seis anos antes, apenas 8% haviam se declarado vegetarianos.

Mas, afinal, qual é a diferença entre vegetarianismo e veganismo? Se você sempre teve dúvidas sobre tipos de alimentação e terminologias, é disso que vamos tratar.

Qual a diferença entre vegetarianismo e veganismo?

O vegetarianismo prevê uma dieta sem carne, seja ela bovina, de frango, peixe ou outro animal. Ovo, leite e derivados podem ser consumidos. Existe também o vegetarianismo estrito, isto é, nada de origem animal vai para o prato.

Já no veganismo não se come nada de origem animal, como no vegetarianismo estrito, e também não se compra nenhum produto que tenha origem animal ou que tenha sido testado em animais – a ideia é não financiar o sofrimento animal de qualquer tipo. Aí entram cosméticos testados em coelhos, gelatina, mel e até produtos que usem corante feito a partir da cochonilha, um inseto.

“O vegetariano é aquele que não consome nenhum tipo de proteína animal, carne, peixes, porém, consome leite e ovos. O veganismo pode ser considerado mais como uma filosofia de vida, pois o vegano não consome nada que o processo de fabricação venha de origem animal, incluindo inclusive seus derivados,” explica a nutróloga Valéria Goulart.

Para além de uma dieta, os adeptos do vegetarianismo e do veganismo são tocados pela preocupação com o bem-estar animal. Foi esse o principal motivo que inspirou a professora de ensino infantil Caroline Silva Santos, 34, a mudar seu modo de vida. Há quatro anos ela aderiu ao veganismo, após ter sido vegetariana por três.

Ela defende o veganismo como uma filosofia. “Sempre gostei de animais, não somente dos de estimação. Depois que descobri o vegetarianismo e a exploração animal em diversas formas, decidi que não queria mais compactuar com isso”, comenta Santos.
Existem diferentes tipos de vegetarianos, além do estrito?

Sim. Entre os vegetarianos que consomem produtos de origem animal, os mais comuns são ovolactovegetarianos (consomem ovo, leito e derivados), ovovegetarianos (apenas ovo, sem leite e devirados) e lactovegetarianos (consomem leite e derivados, mas não ovo).

Mas e as proteínas?

Esta é uma pergunta recorrente e que já virou tema de brincadeira na comunidade vegetariana e vegana. Isso porque o questionamento costuma ser frequente por quem não conhece a fundo a alimentação livre de produtos de origem animal.

“Parece que não, mas a proteína é facilmente encontrada sem ser necessário consumir derivados de animais. Podemos encontrá-las, por exemplo, nas amêndoas, quinoa, castanha, soja, lentilha, grão-de-bico e chia”, afirma a nutróloga.

Goulart ainda lembra que o ser humano deve consumir em média 1g de proteína por quilo corporal. Mas a recomendação pode variar, de acordo com o tipo de gasto energético diário. Cada 100g de soja, por exemplo, possui 35g de proteína.

É saudável ser vegano ou vegetariano?

Será que tirar os bichos do prato pode garantir uma vida mais saudável? Tudo vai variar de acordo com os seus hábitos diários, mas a nutróloga afima que é possível, sim, ter uma vida saudável com uma dieta vegetariana ou vegana.

“Posso afirmar com clareza que é possível sim manter o corpo saudável. As vitaminas presentes nos alimentos naturais são riquíssimas e, como toda a dieta, ela deve ser feita da forma mais variada possível”, diz.

Goulart ressalta alguns dos possíveis benefícios da dieta sem carne e produtos de origem animal. “A tendência é reduzir os níveis de colesterol, melhorar o fluxo sanguíneo, ter um nível de gordura saturada baixo, e diminuir a ingestão de sódio”, explica a nutróloga.

“O mais importante é consumir os alimentos das mais variadas cores. Os nutrientes vêm das cores: o licopeno dos alimentos vermelhos, a vitamina C dos alimentos cítricos e de tons amarelos, o betacaroteno presente nos alimentos alaranjados”, explica. Ela ressalta a importância da vitamina B12 para o bom funcionamento das células nervosas. Apesar de ter origem animal, a vitamina tem sido adicionada a diversos produtos vegetais pela indústria alimentícia.

Se o problema for o preço, ser vegano ou vegetariano também não é coisa só para os ricos. Os produtos industrializados, como os hambúrgueres e linguiças à base de vegetais costumam ter um preço mais elevado, mas também não são o suprassumo de uma dieta saudável, sendo de origem vegetal ou animal. O melhor é escolher alimentos in natura, fazer compras em feiras locais ou hortifrútis.



Fonte: Ecoa - Giacomo Vicenzo



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