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Quarentena contra o novo coronavírus também freou avanço da gripe comum

Compartilhe:     |  1 de junho de 2020

Já faz alguns meses que grande parte do mundo adota algum tipo de distanciamento social para desacelerar o novo coronavírus. Mas as quarentenas generalizadas parecem estar freando também um outro inimigo, que não tem nada de novo: o vírus da gripe.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reportou recentemente que a temporada de gripe no hemisfério norte foi “fortemente menor” neste ano em comparação com o ano passado. Os números de novos casos caíram drasticamente já em abril, quando o normal é acontecer apenas em maio. E, em números brutos, os casos de gripe diagnosticados laboratorialmente também foram menores. Os dados são de 71 países reportados à plataforma FluNet, da OMS.

Os resultados são bastante positivos, já que se estima que, todos os anos, entre 290 mil e 650 mil pessoas morram por conta do vírus Influenza. Esse total é baseado em estimativas da OMS, já que nem sempre os casos são comprovados por testes de laboratório. Qualquer redução na chamada “temporada da gripe”, quando os casos disparam durante o inverno, se traduz em menos vidas perdidas. Além disso, os casos de gripe deste ano já estavam significativamente altos em janeiro em comparação a anos anteriores (a temporada geralmente começa em fevereiro), o que levou a cientistas e agentes de saúde pública a questionar se poderíamos enfrentar uma desastrosa onda de gripe em 2020.

A OMS alertou, porém, que a temporada de gripe no hemisfério sul ainda não começou. Portanto, não dá para saber se o mesmo acontecerá por aqui – até porque muitos países já estão começando a afrouxar suas medidas de contenção da Covid-19, então o efeito sobre a gripe pode não ser tão forte como foi no norte.

A redução de casos aconteceu poucas semanas depois da OMS declarar pandemia de Covid-19, o que aponta para a influência das medidas de isolamento social no fenômeno – afinal, a gripe também se transmite de pessoa para pessoa, de forma similar à do novo coronavírus. Outros motivos podem ter influenciado, como o fato de pessoas estarem evitando hospitais durante a pandemia e não serem diagnosticadas, mas, segundo a OMS, as medidas contra a Covid-19 são as principais responsáveis.

“Medidas de saúde pública, como restrições de movimento, distanciamento social e aumento da higiene pessoal provavelmente tiveram um efeito na diminuição da gripe e na transmissão de outros vírus respiratórios ”, disse a organização em comunicado enviado à revista Nature.

Os dados globais concordam com evidências locais de redução de casos de gripe durante a pandemia. No estado americano de Nova York, conforme reportou a Nature, a temporada de gripe terminou cinco semanas antes do normal. Em Hong Kong, o número de mortes por gripe confirmadas laboratorialmente foi 62% menor, segundo este estudo. E em 2003, durante a epidemia de Sars (doença causada por um coronavírus semelhante ao da Covid-19) na China, uma redução nos casos de gripe também foi observada.

É possível que outras doenças também tenham uma redução neste ano devido a medidas contra à Covid-19, mas ainda não há muitos dados globais sobre isso. Após anos de crescimento devido a quedas na vacinação, os casos de rubéola, por exemplo, voltaram a cair à nível global: foram apenas 36 durante o mês de abril. Como se trata de uma doença que afeta principalmente crianças, o fechamento de escolas pode explicar o porquê. Outras males, como sarampo e catapora, também entrariam nessa conta.

Mas o cenário geral não parece tão positivo assim no longo prazo. Isso porque a OMS recomendou que todos os países pausem temporariamente suas campanhas de vacinação em massa para evitar aglomerações e contato social. Cerca de 80 milhões de crianças já estão sem vacinação para diversas doenças por conta desta medida, segundo estimativas da própria OMS e do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos. Isso pode levar a um ressurgimento de doenças que poderiam ser prevenidas.

Além de tudo, os países que mais sofrem com essas enfermidades tendem a ser os países pobres, que enfrentarão cenários ainda piores com seus frágeis sistemas de saúde sobrecarregados e com a pausa temporária no financiamento internacional devido à Covid-19. Resumo da ópera? Ainda é cedo para comemorar.



Fonte: Superinteressante



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