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Quatro dicas para cultivar fruta-do-conde e também como cultivar atemoia, híbrido da fruta

Compartilhe:     |  17 de setembro de 2014

A fruta pode ser chamada de pinha, fruta-do-conde, ata, pinheira, ateira ou quaresma. Deliciosa, faz parte da família Annonaceae e é uma opção perfeita para regiões de clima quente, uma vez que não suporta temperaturas muito baixas.

Tropical, é original das Antilhas e de sabor agradável. A fruta-do-conde (Annona squamosa L.) também pode ser conhecida como anona, araticum e cabeça-de-negro, tem boa aceitação no mercado. Ela é fonte de vitaminas, sobretudo a C e as do complexo B, além de proteínas, carboidratos, cálcio, fósforo e ferro.

Já alguns séculos depois do descobrimento da ata, os cientistas criaram um híbrido. No início do século 20, cientistas norte-americanos se empenharam no desenvolvimento de uma fruta com desempenho comercial superior ao da fruta-do-conde e o sabor da cherimóia, um dos mais apreciados no mundo.

Assim surgiu a atemóia.

Confira abaixo como solucionar quatro problemas comuns com esses frutos.

 

Apesar de o pé de fruta-do-conde emitir flores, elas murcham e caem e as folhas amarelam. O que fazer para conseguir frutos?

Julio Teixeira Pinto, Belo Horizonte, MG

A presença de poucos frutos pode estar relacionada a fatores ambientais, fitossanitários e nutricionais. É indispensável fornecer água e nutrientes à planta.

Em anonáceas, como no caso da fruta-do-conde, a polinização artificial tem sido usada com sucesso na obtenção de frutos. O manejo correto de pragas e doenças também é de grande importância para o desenvolvimento da fruteira.

A Circular Técnica número 7 – Instruções Técnicas para o Cultivo da Pinha (Annona squamosa L.), da EBDA (Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola S.A.), traz informações referentes ao assunto de forma simples e detalhada.

A publicação pode ser solicitada na Avenida Dorival Caymmi, 15.649, Itapuã, CEP 41635-150, Salvador, BA, ou pelo [email protected]

CONSULTOR: JOSÉ EMÍLIO BETTIOL NETO, engenheiro agrônomo e pesquisador do IAC-APTA – Centro de Fruticultura do Instituto Agronômico, Av. Luiz Pereira dos Santos, 1.500, Corrupira, CEP 13214-820, Jundiaí, SP, tel. (11) 4582-7284, [email protected]

Como tratar um pé de ata, cujas frutas ficam pretas e cheias de formigas?

Celia Medeiros, Formosa, GO

Geralmente, o aparecimento de formigas em fruteiras está associado à presença de outras pragas na planta. As cochonilhas, por exemplo, possuem uma relação de simbiose com as formigas, que oferecem “proteção” e espalham a praga pela planta.

Em troca, recolhem o excedente de seiva não aproveitado pelas cochonilhas. Possivelmente, a cor preta está relacionada com o próprio dano da praga nos tecidos da fruta e, também, com a presença de fumagina, um fungo semelhante à fuligem que encontra condições de desenvolvimento na solução açucarada excretada pela praga.

Contudo, como existem outros fatores que causam essa coloração nas frutas, a sugestão é solicitar a presença de um técnico da área agrícola no local.

Assim, o profissional poderá fazer um diagnóstico mais preciso e indicar uma solução apropriada para recuperar a fruteira, cuja fruta ata também é conhecida como fruta-do-conde, anona, araticum e cabeça-de-negro.

CONSULTOR: JOSÉ EMÍLIO BETTIOL NETO, pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, tel. (11) 4582-7284, [email protected]
Nunca consigo comer frutos de um pequeno plantio de pinha e atemoia que tenho em meu sítio. O problema é que eles ficam pretos mesmo durante o inverno? Qual outra solução, pois a retirada dos frutos atacados não resolve?

Miburge Bolivar Gois Itabaiana, SE

Doenças e pragas associadas devem estar ocorrendo nos plantios. Antes de tudo, faça uma limpeza na planta, eliminando ramos secos e frutos danificados.

Se a copa estiver muito fechada, execute uma poda para retirar o excesso de ramos e deixar o interior mais arejado e com possibilidade de receber os raios do sol. Outras árvores muito próximas também podem provocar sombras.

Na época de queda natural das folhas, destaque aquelas que continuarem presas nos ramos, a fim de extinguir inóculos de doença e favorecer a brotação de ramos novos e frutíferos. A cada 15 dias, pulverize a planta com 5 gramas de fungicida a base de oxicloreto de cobre em um litro de água.

Interrompa durante o florescimento e retorne as aplicações quando os frutinhos começarem a crescer. Um agrônomo da região pode fornecer o receituário, inclusive indicar pulverizações consorciadas com outros fungicidas.

Como opção, pode ser realizado o ensacamento de todos os frutos com saquinho de papel impermeável (tipo pipoca), amarrando no pedúnculo e evitando a entrada dos insetos. Não deixe faltar água na irrigação, nem adubo orgânico (20 litros por planta ao ano) e adubo NPK 10-10-10 ou 12-06-12, 150 gramas a cada 60 dias no solo.

CONSULTOR: JOSÉ ANTONIO ALBERTO DA SILVA, pesquisador em fruticultura da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, tel. (17) 3341-1400.

 

Minha mãe, que gosta muito de plantar, não está entendo por que em seu sítio não estão produzindo os pés de caqui, nem o único de fruta-do-conde, apesar de floridos. O que pode ser?

Betânia Portes Pereira Monteiro, Santa Luzia, MG

As flores das anonáceas, família botânica da qual pertence a fruta-do-conde, apresentam dicogamia protogínica – assincronia no amadurecimento entre os órgãos florais femininos e masculinos.

Tal fenômeno impede a autopolinização das flores, mesmo estando ambos os órgãos reprodutivos no mesmo receptáculo floral (flores hermafroditas). Assim, como a planta é única na vizinhança, uma solução é realizar a polinização artificial.

Outros fatores, no entanto, como condições climáticas durante a fase de florescimento, estado sanitário e nutricional da fruteira, podem colaborar para impedir o vingamento de frutos.

Causas ambientais, deficiências nutricionais, origem genética e doenças também podem interferir na frutificação do caquizeiro. Recomenda-se entrar em contato com a Secretaria de Agricultura da cidade para solicitar a visita de um profissional da área agrícola capaz de identificar o problema e indicar o manejo adequado das plantas.

CONSULTORES: JOSÉ EMÍLIO BETTIOL NETO, pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, tel. (11) 4582-7284, [email protected]; e DIEGO XAVIER, pesquisador e técnico de apoio à pesquisa do IAC-APTA – Centro de Fruticultura do Instituto Agronômico de Campinas, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

ATEMÓIA

Híbrida, porém saborosa

Combinação da cherimóia com a fruta-do-conde, a atemóia oferece bons rendimentos ao pequeno produtor

João Mathias

Oswaldo Maricato / Ed. Globo

No início do século 20, cientistas norte-americanos se empenharam no desenvolvimento de uma fruta com desempenho comercial superior ao da fruta-do-conde e o sabor da cherimóia, um dos mais apreciados no mundo. Do cruzamento artificial nasceu um novo híbrido da família das anonáceas: a atemóia. O primeiro plantio no Brasil foi feito em 1950 pelo IAC – Instituto Agronômico de Campinas, em São Paulo.

Mais de meio século depois, a atemóia continua desprezada pelos produtores. No entanto, a oferta reduzida acaba proporcionando bons preços no mercado e mostra que a fruta tem um grande potencial econômico, despertando interesse em agricultores de pequenas propriedades. Dependendo da época, o quilo no varejo ultrapassa cinco reais.

Conhecimento e prática são fatores importantes. Por isso inicie o cultivo com poucas plantas para depois expandir a quantidade paulatinamente. Escolha locais com água em abundância, pois ela vai bem em lugares com bons índices de chuvas, algo entre 750 e 1,5 mil milímetros. Os estados do Sul e do Sudeste são as principais regiões produtoras, mas há também áreas cultivadas no Nordeste.

Para nobres e plebeus

A fruta-do-conde, que chegou à Bahia no século 17, é fonte de renda para pequenos produtores do Nordeste e Sudeste do Brasil

Era o ano de 1626. Salvador ainda era capital do Brasil e a Bahia há pouco tinha sido retomada pelos portugueses das mãos de ingleses e holandeses, que pretendiam usar a região como base para dominar o Atlântico Sul. Palco da disputa dos colonizadores europeus, as terras baianas também foram as primeiras a registrar o plantio de uma nova fruteira trazida naquele ano pelo português Conde de Miranda, que acabou emprestando seu título ao nome da fruta.

Tropical, original das Antilhas e de sabor agradável, a fruta-do-conde (Annona squamosa L.), também conhecida como pinha, anona, araticum, ata e cabeça-de-negro, tem boa aceitação no mercado. Ela é fonte de vitaminas, sobretudo a C e as do complexo B, além de proteínas, carboidratos, cálcio, fósforo e ferro. Uma peculiaridade da fruta é a venda apenas in natura, já que a polpa escurece no processo industrial.

A fruta-do-conde é importante para pequenos produtores do Nor- deste e Sudeste. Em São Paulo, onde foi difundida nos anos 60, tem mais expressão na região Oeste, devido às condições climáticas locais. A fruta gosta de temperaturas elevadas entre a primavera e o outono, enquanto o inverno deve ser ameno.

A produção paulista vai de janeiro a maio. Com a farta oferta no primeiro semestre, os preços da fruta são menores nesse período. Daí até o final do ano, a produção cai e torna-se insuficiente para atender à demanda, mas tem preços mais compensadores. É possível atingir produções até seis toneladas por ha/ano.

Culturas com uso de técnicas apropriadas para a condução do pomar obtêm frutos de qualidade superior. Por isso, é indicada a adoção de sistemas de irrigação, adubação, podas, polinização artificial, raleio de frutos, entre outros. O emprego de tecnologia eleva os custos, que, no entanto, são compensados com melhor preço de venda.

Dicas
• A colheita ocorre, em São Paulo, entre 110 e 120 dias após a abertura floral, mas pode chegar a 180 dias de acordo com a época do florescimento. Em regiões quentes, o amadurecimento é mais rápido. Com 90 a 100 dias a fruta está pronta para ser apanhada no pé. O momento de colher é anunciado pelo afastamento e pela incidência de uma coloração mais clara entre os carpelos (saliências do fruto).
• Procure podar as plantas de maneira que as copas fiquem bem ventiladas. Os frutos não devem ficar expostos ao sol.
• Se possível, cubra com uma pasta fúngica ou tinta látex os ferimentos provocados pela poda.
Investimento
• Pode variar de acordo com o tipo de tecnologia empregada na plantação. Apesar de elevar os gastos do cultivo, o uso de técnicas mais avançadas resulta em maior lucratividade. Foi o que constatou um estudo realizado por pesquisadores no interior de São Paulo. Apesar de a generalização não ser possível, pois há vários condicionantes na composição dos custos da agricultura, o plantio tecnificado da fruta-do-conde apresentou lucro bem acima do convencional.
Dados gerais
• O solo para o cultivo da fruta-do-conde deve ser de textura leve, bem drenado, farto em matéria orgânica, profundo e um pouco ácido. No mínimo 30 dias antes do plantio, abra covas de 60 x 60 x 60 centímetros, com espaçamentos que podem variar de 4 x 2 metros (pomares com alto grau de tecnificação) a 7 x 5 metros (plantios menos tecnificados). Adube com 20 litros de esterco de curral curtido, 600 gramas de superfosfato triplo, 200 gramas de cloreto de potássio e 200 gramas de calcário dolomítico. Acrescente ainda dez gramas de bórax e 20 gramas de sulfato de zinco, caso esses micronutrientes sejam insuficientes no solo.
• Para plantar, dê preferência a mudas enxertadas adquiridas de viveiristas credenciados, que tenham matrizes de seleções superiores. Pomares formados por sementes, além de serem heterogêneos e demorarem mais para produzir, são mais vulneráveis ao ataque de pragas e doenças de raízes e de colo. Durante o crescimento das árvores, faça podas e também uma suplementação de nutrientes (NPK).
• O desenvolvimento da planta vai bem sob temperaturas elevadas (mínimo de dez a 20 graus e máxima de 22 a 28 graus), com precipitação perto de mil milímetros ao ano. Para garantir a produção, evite regiões com excesso de chuvas no período de florescimento e maturação dos frutos. Também geadas e grandes oscilações do clima são prejudiciais à cultura. A árvore é alvo de invasores como brocas, ácaros e cochonilhas.
Mãos à obra
Plantio: o ano todo, dependendo da possibilidade de irrigação e da região; prefira os meses chuvosos
Solo: adapta-se a vários tipos, mas se dá bem nos de textura leve, bem drenados, arejados, profundos, ricos em matéria orgânica e ligeiramente ácidos
Clima: quente; não tolera geadas nem temperaturas baixas
Uso culinário: consumo in natura, cremes, mousses e refrescos
Uso medicinal: rica em vitamina C e do complexo B, proteínas, carboidratos, cálcio, fósforo e ferro; na medicina popular, as folhas são usadas para o tratamento de convulsões e colites, e os frutos, para debilidade geral
Colheita: duração de 90 a 180 dias, de acordo com a região e condições climáticas
Onde comprar: mudas enxertadas e sementes podem ser adquiri- das no Departamento de Sementes, Mudas e Matrizes da Cati
Custo: podem ser plantadas 416 mudas por hectare em espaçamento de 6 x 4 metros, a um custo de 2 reais para mudas oriundas de sementes
Consultor: José Emilio Bettiol Neto, engenheiro agrônomo, pesquisador do Capta-Frutas (IAC), Av. Luiz Pereira dos Santos, 1500, Corrupira, CEP 13.214-820, Jundiaí, SP, tel. (11) 4582-7284, [email protected] iac.sp.gov.br
Mais informações: IAC – Instituto Agronômico, Av. Barão de Itapura, 1481, Caixa Postal 28, CEP 13020-902, Campinas, SP, tel. (19) 3231-5422; Centro Avançado de Pesquisa Tecnológico do Agronegócio de Frutas, Av. Luiz Pereira dos Santos, 1500, Jundiaí, SP, tel. (11) 4582-7284, tel./fax (11) 4582-3455, e-mail [email protected]; Departamento de Sementes, Mudas e Matrizes, da Cati, Rua Andrade Neves, 81, Caixa Postal 252, CEP 17151-400, Marília, SP, tel. (14) 3433-4118, [email protected]


Fonte: Revista Globo Rural



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