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Reciclagem de tecido existe: conheça as iniciativas e veja como participar

Compartilhe:     |  26 de junho de 2020

A indústria têxtil é a segunda maior poluente do mundo. Com a pandemia do novo coronavírus, o debate sobre o seu futuro reacendeu levando várias marcas e profissionais da moda a colocarem a sua cota de responsabilidade em questão.

Quando compramos aquela blusinha da promoção, existe toda uma cadeia de produção que polui o meio ambiente e, muitas vezes, explora profissionais. Hoje em dia não dá mais nem para quem produz nem para quem consome não se preocupar com essa cadeia produtiva insustentável do ponto de vista ambiental e social.

Moda sustentável e moda consciente

Conceitos como moda sustentável e moda consciente estão muito atuais porque nos ajudam a refletir sobre todo esse processo encabeçado pela indústria têxtil que deságua em nós, consumidores.

De acordo com o Etiqueta Únicaapenas 20% dos tecidos são reciclados por ano em todo mundo. Uma quantidade ainda muito baixa em relação à produção de 73 milhões de toneladas de tecidos em 2015, com estimativa de crescimento anual de 4% até 2025.

Somente no Brasil, a indústria da moda gera 175 mil toneladas de resíduos têxteis anualmente, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) divulgados pelo site Autossustentável.

modelo de fast fashion e de lançamento de coleções de vestuário por estação, que ganhou fôlego a partir da década de 1990, está com os dias contados. A produção rápida de roupas baratas, de qualidade questionável e feita por uma mão-de-obra explorada não pode mais ser tratada como normal.

A roupa tem um ciclo de vida e um custo ambiental que precisam ser levados em conta. O ciclo de uma peça, em geral, começa em uma plantação de algodão, na qual são usadas toneladas de agrotóxicos e outros produtos químicos, e termina, ao ser descartada, em oceanos e aterros sanitários.

Já os tecidos sintéticos, como o poliéster e o nylon, podem até ser reciclados, mas não são biodegradáveis. Isso significa que toneladas de fibras e produtos químicos são enviados aos oceanos no processo de reciclagem de peças feitas com esses componentes.

Essa pequena síntese já é capaz de ilustrar o tamanho do problema.

O que o consumidor pode fazer?

Ao mesmo tempo em que a indústria têxtil e o mercado da moda precisam ser adaptar, os consumidores precisam fazer escolhas conscientes.

A primeira é mudando os hábitos de consumo. Consultoras de moda – profissão que, aliás, está na moda – afirmam que cerca de 70% das peças do guarda-roupa de suas clientes são subutilizadas. Ou seja, as pessoas têm muitas mais roupas do que realmente precisam e usam.

Outra sugestão dessas profissionais é que você saiba coordenar as peças no seu armário para fazer as suas roupas “renderem”: um exercício de criatividade e economia.

Outra dica é pensar na vida útil de uma peça. A tentação de comprar uma peça em promoção pode ir embora fazendo uma conta simples que resulta na conclusão de que o barato sai caro. Sabe aquela peça da sua avó ou da sua mãe que passou para você? Pois é: essa é uma roupa barata, porque a vida útil dela é enorme.

Como consumidores, precisamos nos responsabilizar por nossas escolhas empregando o nosso dinheiro em marcas nas quais acreditamos realizar um trabalho justo socialmente e responsável ambientalmente.

Reciclagem de tecido – como participar

Existem várias iniciativas quem pensam no problema ambiental provocado pela produção de roupas e propõem alternativas para resolvê-lo.

Pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), os consumidores são responsáveis por descartar de forma sustentável os produtos que adquirem, bem como as empresas são responsáveis pelo pós-consumo de seus produtos, o que é chamado de “logística reversa”.

Algumas empresas brasileiras têm programas específicos de coleta de peças para fins de reciclagem. De acordo com a Akatu, programas desse tipo funcionam com a coleta de roupas nas unidades físicas dessas empresas. As peças passam, primeiramente, por um processo de triagem e, caso ainda estejam em bom estado, são doadas para algum projeto social.

O programa Retalhar, por exemplo, recebe uniformes usados por funcionários de empresas parceiras, como C&A, FedEx, Itaú, TAM, Gol e Leroy Merlin, os quais passam por um processo em que o tecido é desfibrado e transforma-se em matéria-prima a ser aplicada na indústria automobilística e da construção civil. O proprietário da Retalhar, Jonas Lessa, diz que mais de 41 toneladas de roupas foram recicladas,

“o que equivale a mais de 130 mil peças que ganharam vida nova ao invés de gerarem poluição em aterros”.

Outro projeto do gênero é o Meias do Bem, que coleta meias furadas, rasgadas ou sem par. A inciativa, criada em 2013 pela Puket, faz a reciclagem das peças na própria fábrica da empresa produzindo cobertores e meias para instituições sociais. A ação já reciclou 15 toneladas de resíduos têxteis, que geraram 30 mil itens novos.

Banco de Tecido é um projeto que recolhe qualquer tipo de sobra de tecido. Os retalhos funcionam como uma espécie de “banco”, que agencia o reuso do tecido. As peças passam por uma avaliação, depois são pesadas e ficam disponíveis para “saque”, gerando créditos por quilo depositado. O serviço atende as cidades de São Paulo, Curitiba e Porto Alegre.

Se uma roupa não pode ser consertada, transformada em outra peça ou vendida para um brechó, ela pode encontrar um destino na reciclagem.

Veja abaixo duas reportagens sobre reciclagem de tecidos no Brasil.

Procure saber que iniciativas existem na sua cidade que reciclam tecidos, gerando uma nova vida para eles e para o meio ambiente.



Fonte: GreenMe - Gisella Meneguelli



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