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Rede de empresas preserva mais de 52 milhões hectares de floresta

Compartilhe:     |  7 de dezembro de 2020

“Quem compra não está só comprando o nosso produto, está comprando a nossa história, nosso modo de vida, como preservamos a natureza, a floresta. Quem compra, ajuda a gente a manter a floresta em pé”. É assim que Raimunda Rodrigues traduz a importância da rede Origens Brasil®, que promove negócios sustentáveis na Amazônia ao aproximar povos indígenas, quilombolas e populações tradicionais às empresas, com a intermediação de instituições de apoio locais, em cada território de atuação.

Raimunda é uma entre os mais de mil produtores-membros do Origens Brasil®, rede que, só em 2019, contribuiu para a manutenção de 52 milhões de hectares de floresta em pé, o equivalente a cerca de 52 milhões de campos de futebol.

Produtos comercializados pela rede Origens Brasil. Foto: Luiz Cunha

Criado pelo Imaflora e pelo Instituto Socioambiental (ISA), o Origens Brasil® atua em quatro territórios da Floresta Amazônica: Xingu, Calha Norte, Rio Negro e Solimões. Seu objetivo é valorizar o consumo consciente, articulando uma rede de conexão entre a cadeia produtiva originária da Amazônia e o mercado consumidor, por meio da rastreabilidade, da transparência e promoção do comércio ético.

Desde que a rede foi criada, em 2016, o número de produtores só tem crescido. No início, eram 300 produtores e, atualmente, o Origens Brasil® conta com mais de 1,8 mil membros. Se forem consideradas também as famílias beneficiadas, o número sobe para 12,8 mil pessoas.

Os membros pertencem a 43 etnias diferentes e grupos sociais, sendo 65% povos indígenas, 19% populações quilombolas e os outros 19% comunidades extrativistas, sendo que destes, 44% são mulheres. Foto: Luiz Cunha

Crescimento contínuo

Em 2020, mesmo sendo um ano marcado pela crise econômica por conta da Covid-19, 27 empresas passaram a fazer parte do Origens Brasil®, como a cervejaria Colorado, a Osklen, Feira na Rosenbaum e a Bemglô, dentre outras. Além delas, Wickbold, Pão de Açúcar, Mercur, Lush, Beraca e outras já fazem parte da rede, utilizando ingredientes coletados pelas comunidades na composição dos seus produtos ou comercializando-os. A rede acumula mais de R$ 8 milhões transacionados em produtos que conservam a Amazônia e seus povos.

Mesmo com a pandemia, muitas marcas somaram produtos comercializados pela rede Origens Brasil em 2020. Foto: Luiz Cunha

Ao todo, o Origens Brasil® reúne 51 produtos que valorizam a cultura e a história dos povos da floresta. Como exemplo, há o pão de Castanha-do-Pará e Quinoa da Wickbold; os calçados da Osklen produzidos com borracha natural, e a cerveja Colorado Amazônica, com a farinha de babaçu, ingrediente da região da Terra do Meio, e variação de preço conforme o aumento do desmatamento da Amazônia, ambos lançados em 2020.

“A rede tem crescido e se fortalecido a cada ano, e tem sido um espaço importante de conexão e ativação de parcerias comerciais entre empresas que vão de startups a empresas globais, com os povos da floresta, gerando negócios com rastreabilidade, transparência e ética, mostrando ser viável conciliar produção com conservação”, conta Patrícia Cota Gomes, gerente de projetos do Imaflora.

Reconhecimento da ONU

Em 2019, o Origens Brasil® recebeu o prêmio International Innovation Award for Sustainable Food and Agriculture (Prêmio Internacional de Inovação para a Alimentação e Agricultura Sustentáveis da ONU), oferecido durante a 41ª Conferência da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). A iniciativa foi reconhecida na principal categoria do prêmio, voltada para projetos inovadores no combate à fome e desigualdade social no mundo.

Também no ano passado, a rede foi certificada pela Fundação Banco do Brasil como Tecnologia Social, e foi finalista entre mais de 5.000 inscritos no mundo todo no prêmio Katerva Award, conhecido como o “Nobel da sustentabilidade” na categoria mudança de comportamento do consumidor.

Foto: Luiz Cunha

Para mais informações, acesse: www.origensbrasil.org.br



Fonte: CicloVivo - Foto: Luiz Cunha



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