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Relatório da IUCN aponta caminhos para salvar peixe-serra, também conhecido como espadartes

Compartilhe:     |  17 de junho de 2018

Reverenciado há milênios pelas comunidades costeiras ao redor do mundo, o peixe-serra (Pristis spp.), também conhecido como espadartes, está seriamente ameaçado em águas brasileiras. Para estabelecer novas prioridades para salvar esse animal e ainda descrever os progressos em relação à sua preservação, a Sharks International, grupo de especialistas em tubarões (SSG – Shark Specialist Group) da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN – International Union for Conservation of Nature) divulgou o relatório Saving Sawfish – Progress and Priorities, Global Strategy to Protect the World’s Most Threatened Marine Fishes.

O relatório apresentado pelos especialistas destaca a situação dos peixes-serra e sugere medidas concretas para prevenir sua extinção e restaurar sua população. “Nossa atualização da Estratégia Global dos Peixes-Serra revela importante progresso na pesquisa e na conservação do animal, mas simultaneamente, dispara um forte alerta sobre o risco imediato da perda desta espécie em muitos lugares, incluindo o Brasil”, afirma Dr. Nick Dulvy, membro do SSG da IUCN e da equipe de pesquisa da Universidade Simon Fraser da Columbia Britânica.

O peixe-serra pertence à família de raias e se caracteriza por seu rosto alongado, com dentes simétricos colocados regularmente nos bordos externos. A espécie já foi encontrada nas águas costeiras e rios de mais de 78 países tropicais e subtropicais. Atualmente, todas as cinco subespécies de peixes-serra estão na Lista Vermelha da IUCN, entre as Ameaçadas ou Criticamente Ameaçadas.

Entre as causas principais para a mortalidade dos peixes-serra é a pesca dirigida ou acidental, já que seus dentes facilmente enroscam-se nas redes de pesca. Além disso, os dentes dos peixes-serra atraem a curiosidade das pessoas e são utilizados até em rinhas de galo no Caribe em vários países da América do Sul. Na Ásia, a espécie vira sopa de barbatana, uma iguaria local.

O SSG chama a atenção das autoridades governamentais, cientistas e conservacionistas para que trabalhem juntos, imediatamente, nos seguintes pontos: a) Reforço de todas as proteções brasileiras ao peixe-serra; b) Esforço para a redução das capturas acidentais, potencialmente impulsionada pela educação dos agentes dessas capturas; c) Testes genéticos para a detecção de carne de peixe-serra erroneamente etiquetada; d) Projetos para desestimular o uso, em países vizinhos, dos dentes de peixe-serra nas rinhas de galo; e) Divulgação para impulsionar a preocupação brasileira com a população de peixes-serra.

“Apesar do recente progresso na área da conservação, o tempo está se esgotando para muitas populações de peixes-serra em todo o mundo”, alerta Sonja Fordham, vice-presidente do SSG na IUCN e presidente da Shark Advocates International, projeto da Ocean Foundation. “Estamos esperançosos de que juntos, possamos aproveitar esta oportunidade para virar a maré do peixe-serra brasileiro e, ao fazê-lo, dar um exemplo para que outros países valorizem e protejam essas magníficas espécies, antes que seja tarde demais”, diz Sonja.



Fonte: ((o))eco



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