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Resíduos de maçã e laranja produzem descartáveis comestíveis

Compartilhe:     |  1 de abril de 2019

No início deste ano, uma pesquisadora russa apresentou seus primeiros protótipos de uma louça comestível.

Agora, Veronika Bátori, da Universidade de Boras, na Suécia, deu outro impulso ao uso das sobras no processamento de frutas – usadas para fazer geleias, doces etc – para a substituição dos atuais produtos descartáveis, como pratos, copos e talheres.

Bátori trabalhou com dois tipos de resíduos, de maçãs e laranjas, que são tipicamente difíceis de reprocessar.

“Ambos contêm um bocado de água e matéria orgânica e, se forem colocados em aterros, criam uma produção descontrolada de metano. Eles também são difíceis de queimar por causa da água. Eles também não funcionam bem como ração animal por causa dos altos níveis de açúcar e baixo pH,” explicou ela.

Bioplásticos comestíveis

A pesquisadora então criou dois métodos para transformar os restos das frutas em bioplásticos.

Um deles é chamado de método de moldagem de solução, que Bátori descreve como uma solução polimérica moldada em uma superfície não pegajosa que então seca para se tornar uma fina película de base biológica. O outro método foi chamado de moldagem por compressão, que é uma maneira de usar as propriedades de autoligação dos polímeros através de pressão e calor para criar objetos 3D.

“Os materiais se comportaram diferentemente nos diferentes métodos. Os filmes residuais de laranja ficaram mais fortes do que os de bagaço de maçã, mas sua estrutura apresentou pequenos buracos. Para obter uma superfície uniformizada precisamos adicionar uma substância química com baixa concentração. Os objetos 3D de bagaços de maçã, por outro lado, ficaram muito mais fortes do que os feitos de resíduos de laranja. O bagaço de maçã em ambos os casos pareceu mais fácil de trabalhar,” disse a pesquisadora.

Ambos resultam em produtos comestíveis: “Os produtos de bagaço de maçã são mais saborosos. Eu provei quase todos os meus produtos. E eles são sem glúten,” afirmou.

Ela vê potencial na criação de materiais descartáveis como, por exemplo, canecas ou pratos. No caso de filmes plásticos, estes podem ser usados para embalagens de alimentos ou sacos de lixo para resíduos alimentares, uma vez que se degradam rapidamente.

Bibliografia:

Fruit wastes to biomaterials: Development of biofilms and 3D objects in a circular economy system
Veronika Bátori
Doctoral thesis
http://urn.kb.se/resolve?urn=urn:nbn:se:hb:diva-15463



Fonte: Inovação Tecnológica



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