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Resíduos sólidos: um problema ou um recurso aproveitável

Compartilhe:     |  9 de dezembro de 2014

O Brasil produz grandes quantidades de resíduos: alimentares e de jardim, de construção e demolição, da exploração mineira, da indústria, lamas de depuração, televisores velhos, automóveis velhos, baterias e pilhas, sacos de plástico, papel, resíduos sanitários, roupas e peças de mobiliário velhas… A lista não acaba aqui.

A quantidade de resíduos que produzimos está estreitamente ligada aos nossos padrões de consumo e produção. O número de produtos que entram no mercado coloca ainda outro desafio.

O amplo pacote de tipos de resíduos e as complexas vias de tratamento dos mesmos (incluindo as ilegais) dificultam a obtenção de uma visão completa dos resíduos produzidos e da sua localização. Existem dados, ainda que de qualidade variável, sobre todos os tipos de resíduos.

Quanto é produzido de resíduos

O Brasil perde bilhões de reais por ano ao não reciclar seu lixo.

Após evitar o desperdício e praticar a reutilização dos materiais, o destino dos resíduos deveria ser a reciclagem. Infelizmente a sociedade brasileira ainda tem muito a aprender, e o fato é que os destinos do nosso lixo são variados.

Cada brasileiro produz de 600 gramas a 1 quilo de lixo por dia. Se este número for multiplicado pela quantidade de pessoas que moram hoje no Brasil, os números são assustadores, mais de 240 mil toneladas de lixo produzidas diariamente.

No rumo certo

Reciclar mais e depositar menos resíduos em aterros, esta deveria ser a ordem do dia.

Uma possível queda registrada na produção de resíduos urbanos no Brasil poderá contribuir em certa medida para reduzir os respectivos impactos ambientais. No entanto, embora a quantidade de resíduos seja um aspecto importante, a forma como são geridos também tem um papel fundamental.

Globalmente, na União Europeia, são cada vez mais os resíduos que vão para reciclagem e cada vez menos os que são enviados para aterros. No caso dos resíduos urbanos, a percentagem de resíduos reciclados ou utilizados em compostagem na União Europeia aumentou de 31 % em 2004 para 41 % em 2012.

Apesar desses progressos, ainda há grandes discrepâncias entre diversos países. Por exemplo, a Alemanha, a Suécia e a Suíça enviam menos de 2 % dos seus resíduos urbanos para aterros, enquanto a Croácia, a Letônia e Malta depositam em aterro mais de 90 %. A maioria dos países com baixas taxas de deposição em aterro possui taxas elevadas de reciclagem e incineração, correspondentes a mais de 30 % do total dos seus resíduos urbanos.

E o Brasil porque não segue certos exemplos, daria se no caso por ainda ser um país de grandes riquezas e não se importar com o que joga fora? Seria falta de preocupação da população? Falta de um programa educacional onde se ensinasse a importância desta separação? O tempo mostrara o desperdício que o Brasil um país tão belo e rico faz.

Poluição atmosférica, alterações climáticas, contaminação dos solos e da água…

A má gestão dos resíduos contribui para as alterações climáticas e a poluição atmosférica e afeta diretamente muitos ecossistemas e espécies.

Os aterros, considerados como: o último recurso da hierarquia de gestão dos resíduos, liberam metano, um gás que contribui para o efeito estufa, muito poderoso que está associado às alterações climáticas. O metano é gerado por microrganismos presentes nos aterros e provenientes de resíduos biodegradáveis, como os resíduos alimentares, de papel e de jardim. Dependendo da forma como estão construídos, os aterros também podem contaminar o solo e a água.

Depois de recolhidos, os resíduos são transportados e tratados. O processo de transporte libera dióxido de carbono, gás também que contribui para o efeito estufa mais comum e substâncias poluentes do ar, incluindo partículas, para a atmosfera.

Uma parte dos resíduos pode ser incinerada ou reciclada. A energia proveniente dos resíduos pode ser utilizada para produzir calor ou eletricidade, que pode substituir a energia produzida a partir do carvão e outros combustíveis. Deste modo, a energia recuperada dos resíduos pode contribuir para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

A reciclagem pode ajudar ainda mais a diminuir as emissões de gases de efeito estufa e outras emissões. Quando os materiais reciclados substituem os materiais novos, é possível extrair ou produzir estes últimos em menor quantidade.

Os resíduos afetam os ecossistemas e a nossa saúde

Alguns ecossistemas, designadamente os marinhos e costeiros, podem ser gravemente afetados pela má gestão dos resíduos ou pela produção de lixo. O lixo marinho constitui uma preocupação crescente e não apenas por razões estéticas: muitas espécies marinhas correm graves riscos de ficar enredadas nos detritos ou de os ingerirem.

Os resíduos também afetam o ambiente de forma indireta. Todos os resíduos que não são reciclados ou valorizados representam uma perda de matérias primas e outros fatores de produção utilizados na cadeia, ou seja, nas fases de produção, transporte e consumo dos produtos. Os impactos ambientais registrados na cadeia do ciclo de vida são significativamente superiores aos que ocorrem apenas nas etapas relativas à gestão dos resíduos.

Direta ou indiretamente, os resíduos afetam de múltiplas formas a nossa saúde e o nosso bem-estar: o gás metano contribui para as alterações climáticas, são liberadas substâncias poluentes na atmosfera, as fontes de água doce são contaminadas, as culturas crescem em solos contaminados e os peixes ingerem substâncias químicas tóxicas, que depois acabam por vir parar ao nosso prato. Ou seja, todo um ciclo, onde nós humanos, brasileiros ou de outra nacionalidade fazemos parte.

As atividades ilegais como a deposição de resíduos em lixões, aterros controlados ou a sua incineração, também têm bastante importância, mas é difícil estimar a dimensão total dessas atividades e dos respectivos impactos. Pois muitas empresas ou até mesmo prefeituras maquiam o que fazem para não serem multadas ou perder algum recurso que recebam do governo, quando especificam sua má administração.

Prejuízos econômicos e custos de gestão

Os resíduos também representam um prejuízo para a nossa economia e um encargo para a sociedade. A mão-de-obra e outros fatores de produção (terra, energia, etc.) utilizados nas fases de extração, produção, distribuição e consumo também se perdem quando as “sobras” são deitadas fora.

Além disso, a gestão de resíduos custa dinheiro. É dispendioso criar uma infraestrutura para os recolher, separar e reciclar, mas, uma vez estabelecida, a reciclagem pode gerar receitas e criar emprego.

Os resíduos também têm uma dimensão mundial, relacionada com as nossas exportações e importações. Aquilo que consumimos e produzimos, pode gerar resíduos em outro lugar qualquer. E em alguns casos esses resíduos transformam-se mesmo em mercadorias comercializadas, de forma legal ou ilegal.

Os resíduos como recurso

E se pudéssemos utilizar os resíduos como um recurso e diminuir assim a necessidade de extrair novos recursos? A extração de menos materiais e a utilização dos recursos existentes ajudaria a evitar alguns dos impactos criados ao longo da cadeia.

Transformar os resíduos em recurso aproveitáveis deveria ser um dos principais objetivos do governo. Com este objetivo os governos realçaria a necessidade de assegurar uma reciclagem de alta qualidade, eliminar a deposição em aterros, limitar a valorização energética aos materiais não recicláveis e erradicar as transferências ilegais de resíduos.

E é possível alcançar estes objetivos. Em muitos países, os resíduos de cozinha e de jardim constituem a maior fração dos resíduos sólidos urbanos. Este tipo de resíduos, quando recolhidos separadamente, pode ser transformado em fonte de energia ou em adubo. A digestão anaeróbica é um método de tratamento de resíduos que envolvem a submissão dos resíduos biológicos a um processo de decomposição biológica semelhante à existente nos aterros, mas em condições controladas. A digestão anaeróbica produz biogás e materiais residuais, que podem ser por sua vez utilizados como adubo, à semelhança de produtos de compostagem.

Quando se tem uma melhor gestão dos resíduos urbanos, os seus resultados são surpreendentes. Com uma melhor gestão dos resíduos urbanos permitisse reduzir significativamente as emissões de gases com efeito de estufa, o que pode ser atribuído principalmente à diminuição das emissões de metano dos aterros e às emissões que a reciclagem permitiu evitar.

Se cada país, não somente o Brasil, mas cada país se empenhar e cumprir plenamente seus pactos e objetivos com certeza teríamos condições de gerir melhor os resíduos que nós mesmos produzimos e com isso pouparemos mais a natureza em geral, cortando o ciclo de emissões de gases, o ciclo de apenas retirar da natureza o que precisamos e aprender com isso a reaproveitar.

O combate aos resíduos começa pela prevenção

Os potenciais benefícios são imensos e podem facilitar a transição de qualquer país para uma economia circular, em que nada é desperdiçado. A ascensão na hierarquia de gestão dos resíduos proporciona benefícios ambientais, mesmo para os países com elevadas taxas de reciclagem e valorização.

Infelizmente, os nossos atuais sistemas de produção e consumo não oferecem muitos incentivos para prevenir e reduzir os resíduos. Desde a aquisição e embalagem dos produtos até à escolha dos materiais, toda a cadeia de valor necessita de ser primeiramente reformulada tendo em conta a prevenção da produção de resíduos. Então as “sobras” de um processo podem transformar-se em fatores de produção para outro.

A ascensão na hierarquia de gestão dos resíduos exige um esforço conjunto de todas as partes interessadas: consumidores, produtores, políticos, autoridades locais, todos sem exceção. Os consumidores dispostos a separar os seus resíduos domésticos só podem reciclar se a infraestrutura necessária para recolher os resíduos separados tiver sido criada. O contrário também é verdade; os municípios só podem reciclar uma percentagem crescente de resíduos se os agregados familiares procederem à sua separação.

Em última análise, se os resíduos são um problema ou um recurso depende inteiramente da forma como os gerirmos, da forma como o governo dará atenção a este assunto, da forma como a sociedade como um todo se comportar perante esta mudança. Está nas mãos de cada um de nós.



Fonte: Meio Ambiente Técnico - Luiz Henrique Lopes



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