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Respiração pode ser a chave para a felicidade, defende terapeuta familiar

Compartilhe:     |  13 de julho de 2014
Por Camilla Muniz

Prender e soltar o ar. Nesse movimento tão natural, feito de forma involuntária pelo organismo, pode estar o segredo do bem-estar físico e mental. É o que defende a terapeuta familiar Heloísa Capelas, especialista em desenvolvimento humano há mais de 20 anos, no recém-lançado livro “O mapa da felicidade” (Editora Gente). Segundo ela, a respiração correta, que pode ser aprendida a partir de técnicas simples (veja ao lado), é a base da longevidade e da satisfação pessoal.

— Em termos fisiológicos, o coração passa a funcionar melhor e os nutrientes são mais bem aproveitados porque a pessoa está oxigenando o corpo de forma eficiente — diz.

De acordo com a terapeuta, todos passam por um processo de “desaprendizado” da respiração à medida que situações de estresse se acumulam no dia a dia. Com isso, a inspiração e a expiração se tornam cada vez mais rápidas e curtas.

— Isso é ruim para o cérebro. As ideias ficam confusas e a pessoa começa a ter dificuldade para reagir — afirma. — Precisamos do ar para ter boas respostas. Se você contar até dez enquanto respira, sua reação vai ser muito mais madura e eficaz.

Perceber que a respiração está sendo feita de forma errada é o primeiro passo para encontrar o “mapa da felicidade”, acredita Heloísa Capelas:

— Ao respirarmos com consciência, tiramos comportamentos automáticos da nossa vida. Isso já é 50% da cura para vários problemas, como depressão, por exemplo.

Técnicas de respiração são muito empregadas no tratamento de pacientes com transtornos de ansiedade e pânico. Segundo a psicóloga Anna Lucia Spear King, ao ficarem nervosos, esses indivíduos tendem a não colocar oxigênio suficiente para dentro. Consequentemente, instala-se um desequilíbrio com o gás carbônico, o que leva ao aparecimento de sintomas como tontura e mal- estar.

— Além disso, uma vez que a pessoa muda a maneira de respirar, ela passa a não pensar coisas negativas e a lidar melhor com questões emocionais — explica a especialista, do Laboratório de Pânico e Respiração (LABPR) do Instituto de Psiquiatria da UFRJ.

Saúde do coração também é influenciada

Respirar corretamente também é importante para a saúde cardiovascular. De acordo com o cardiologista Paulo Sant’Ana, movimentos de inspiração e expiração rápidos e curtos podem levar à taquicardia e ao aumento da pressão arterial.

Os problemas ocorrem porque os receptores que controlam a respiração (quimiorreceptores) e os que regulam a frequência cardíaca e a pressão (barorreceptores) se comunicam no sistema nervoso central. Dessa forma, quando a entrada e a saída de ar é feita de maneira errada, os dois são influenciados.

— Estudos já comprovaram que, por meio de técnicas de respiração lenta, é possível controlar a hipertensão leve (quando os valores máximos de pressão se encontram entre 140 a 159 mmHg e os mínimos, entre 90 e 99 mmHg). Os efeitos são comparáveis ao de um tratamento feito com um medicamento — destaca Sant’Ana, vice-presidente de integração regional da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro.

No caso de pacientes com transtorno de pânico, pesquisas também já mostraram que a ocorrência de asma, uma das mais sérias doenças respiratórias, é maior nesse grupo do que no restante da população. Segundo o psiquiatra Rafael Freire, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro, esse é mais um fator que evidencia a conexão da respiração com o medo e a ansiedade.

— Só é ainda difícil dizer o que é causa e efeito — afirma Freire, que também é pesquisador do LABPR.

Os benefícios trazidos por técnicas respiratórias a pacientes ansiosos pode se refletir até na redução do tratamento medicamentoso, sublinha Anna Lucia Spear King.



Fonte: Extra



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