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Ricos representam apenas 1% da população mundial, mas geram o dobro das emissões de CO2

Compartilhe:     |  30 de setembro de 2020

Organização aponta que o orçamento mundial de carbono que está em rápida redução deve ser usado para auxiliar os mais pobres

De acordo com uma nova pesquisa, o 1% mais rico da população mundial foi responsável pelo dobro da emissão de dióxido de carbono do que a metade mais pobre do mundo de 1990 a 2015.

As emissões de dióxido de carbono aumentaram 60% no período de 25 anos, mas o aumento nas emissões do 1% mais rico foi três vezes maior do que o aumento nas emissões da metade mais pobre.

O relatório, compilado pela Oxfam e pelo Stockholm Environment Institute, alertou que o consumo excessivo e desenfreado e os hábitos dos mais ricos do mundo de utilizar transportes com alto índice de emissão de carbono estão esgotando o “orçamento de carbono” mundial.

Essa concentração de emissões de carbono nas mãos dos ricos significa que, além de levar o mundo à beira de uma catástrofe climática, através da queima de combustíveis fósseis, também não conseguimos melhorar a vida de bilhões, disse Tim Gore, chefe de política climática da Oxfam International.

“O orçamento global de carbono foi desperdiçado para aumentar o consumo dos ricos, ao invés de melhorar a humanidade”, disse ele ao The Guardian. “Uma quantidade finita de carbono pode ser liberada na atmosfera se quisermos evitar os piores impactos da crise climática. Precisamos garantir que o carbono seja usado da melhor forma”.

O estudo mostrou que os 10% mais ricos da população global, compreendendo cerca de 630 milhões de pessoas, foram responsáveis por cerca de 52% das emissões globais no período de 25 anos.

No mundo todo, os 10% mais ricos são aqueles com renda acima de US $ 35.000 por ano e o 1% mais rico são pessoas que ganham mais de US $ 100.000.

As emissões de dióxido de carbono que se acumulam na atmosfera causam aquecimento e aumentos de temperatura de mais de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, o que acarreta grandes danos aos sistemas naturais. Essa acumulação dá ao mundo um orçamento finito de quanto dióxido de carbono é seguro produzir, cientistas alertam que se esgotará em uma década levando em conta as taxas atuais.

De acordo com o relatório, se não forem controladas, as emissões de carbono dos 10% mais ricos do mundo serão suficientes para elevar os níveis acima do limite podendo aumentar as temperaturas em 1,5ºC na próxima década, mesmo se todo o resto do mundo reduzisse suas emissões a zero imediatamente.

A Oxfam argumenta que continuar permitindo que o “mundo rico” emita muito mais do que aqueles que vivem na pobreza é injusto. Enquanto o mundo avança em direção à energia renovável e à eliminação gradual dos combustíveis fósseis, quaisquer emissões que continuem a ser necessárias durante a transição seriam mais bem utilizadas na tentativa de melhorar o acesso das pessoas pobres às necessidades básicas.

“O mais possível e moralmente defensável propósito é que toda a humanidade viva uma vida decente, mas [o orçamento de carbono] tem sido usado pelos ricos para enriquecer cada vez mais”, disse Gore.

Ele apontou o transporte como um dos fatores chave do aumento das emissões, com as pessoas nos países ricos mostrando uma tendência crescente de dirigir carros com alto índice de emissão de CO2 – como SUVs – e fazendo mais voos. A Oxfam quer impostos sobre luxos que tenham alta emissão de carbono, como uma taxa para passageiros recorrentes, para investir em alternativas de baixo carbono e melhorar a vida dos mais pobres.

“Não se trata de pessoas que têm férias em família anualmente, mas sim de pessoas que fazem voos de longa distância todos os meses – trata-se de um grupo bastante pequeno de pessoas”, disse Gore.

Embora a crise do coronavírus tenha causado uma queda temporária nas emissões, o impacto geral no orçamento de carbono provavelmente será insignificante, de acordo com Gore, já que as emissões voltaram após o fim dos lockdowns em todo o mundo. No entanto, a experiência de lidar com a pandemia deve tornar as pessoas mais conscientes da necessidade de tentar evitar uma catástrofe futura, disse ele.

Caroline Lucas, deputada do Partido Verde, disse: “Esta é uma ilustração nítida da profunda injustiça no cerne da crise climática. Aqueles que estão muito mais expostos e vulneráveis aos seus impactos pouco geraram emissões de gases de efeito estufa em comparação com quem as causam. O Reino Unido tem uma responsabilidade moral aqui, não apenas por conta de suas emissões históricas desproporcionalmente altas, mas como anfitrião da Cúpula do Clima da ONU no próximo ano. Precisamos ir mais longe e mais rápido para chegar a zero líquido”.

Os governos mundiais estão se reunindo virtualmente para a 75ª Assembleia Geral da ONU esta semana, com a crise climática no topo da agenda. Boris Johnson, o Primeiro-ministro do Reino Unido, deve apresentar sua visão na próxima Cúpula do Clima da ONU, chamada COP26, que será realizada em Glasgow em novembro de 2021, depois que a crise do coronavírus fez com que o evento atrasasse um ano.

Como nação anfitriã, o governo do Reino Unido deve definir seus planos para alcançar emissões líquidas zero até 2050, uma meta consagrada por lei no ano passado, mas para a qual ainda existem poucas políticas nacionais.



Fonte: Anda - Luana Capela



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