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Rinite é a alergia mais comum entre os brasileiros, seguida da urticária

Compartilhe:     |  24 de maio de 2015

Atire a primeira pedra quem não conhece um alérgico. A doença tem vários tipos, mas de todos a rinite é a mais comum, seguida pela urticária. Já as alergias alimentares crescem numa velocidade que tem impressionado até mesmo os especialistas.

Só no Brasil já são cerca de 60 milhões de pessoas alérgicas. O vilão para este mal seria, mais uma vez, a vida moderna. O stress, o ar poluído, o excesso de antibióticos. E agora os médicos discutem uma outra questão temos uma vida muito urbana fechada entre quadro paredes e longe da sujeira. Pode acreditar: ela faz falta.

É o que os médicos chamam de teoria da higiene. Já imaginou crianças brincando sem que os pais fiquem apavorados? Nas grandes cidades, a cena é cada vez mais rara. E não deveria ser.

“O contato que você tem com o ambiente rural, com os animais, com a ‘sujeira’, você acaba tendo uma proteção da alergia. É uma teoria, mas isso existe. Então, ao contrário do que a gente pensa, a gente não pode ficar isolando aquela pessoa. Nós temos que deixá-la ter contato com o ambiente” afirma o alergista Fabio Fernandes Morato Castro.

“Atividade física, as crianças ficam muito tempo dentro de casa. Nós, adultos, os computadores estão nos deixando mais trancados. As crianças precisam adquirir bons hábitos. Infelizmente, as nossas crianças estão se acostumando com as alimentações mais rápidas e isso também não é bom. Frutas, legumes, verduras, arroz, feijão, tudo o que nossos avós falavam”, conta a alergista Maria de Fátima Emerson.

Mulher cria campanha pedindo que empresas informem composição de produtos

Disposição é o que não falta para as crianças, mas quem dera que elas fossem tão resistentes como os super-heróis. Rafael tem três anos e é muito ativo. Para repor as energias, nada como um bom prato. Mas não pode comer nada que tenha leite de vaca. O diagnóstico veio quando ele tinha apenas um mês e meio e só mamava no peito. E foi através do leite materno que ele entrou em contato com alimentos que provocaram a reação.

“Em dois dias eu consumi um prato cheio de leite. Era uma massa recheada de mozarela, ao molho branco e queijo ralado. Praticamente uma bomba para quem tem alergia a leite. E a gente passou a noite em claro”, conta a advogada Cecília Cury, mãe de Rafael.

Para continuar amamentando, Cecília teve que cortar todos os alimentos que continham leite bovino no preparo. E que trabalho traduzir os rótulos!

“Hoje a gente tem rótulos que trazem palavras com dificuldade para população entender, como caseinato de sódio indicando a presença de leite, ou albumina indicando um ovo”, conta Cecília.

E o tamanho das letras?

“Aquele monte de letrinha pequenininha e o olho vai fazendo assim, afasta o produto, traz para perto para tentar. ‘Tomara que eu possa’. E aí não adianta: anda tem que ligar para o SAC e o SAC não é 24 horas. O SAC nem sempre atende chamada de celular, mas geralmente o meu problema é no mercado”, afirma Cecília.

Mais difícil ainda é descobrir todos os produtos que tem leite na composição. E ele aparece em cada coisa tão estranha.

“A gente tem leite no salame, a gente tem relato de uma proteína desidratada do leite numa marca de colchão”, diz Cecília.

Lembra da família que era toda alérgica? Clarissa também sofre com a falta de informação dos rótulos, na hora de comprar produtos para a filha, que é super alérgica a leite. Os alimentos para a Geórgia sequer poderiam ser fabricados nos mesmos equipamentos dos produtos que levam leite.

Clarissa: Quando está escrito sem lactose, tem gente que acha que lactose é leite, mas é muito diferente. Lactose é açúcar do leite.
Globo Repórter: Então, por conta dessa sua alergia, você virou uma especialista em rótulos, ingredientes, o que é leite, o que é lactose?
Geórgia Tambelli Tambelli: Praticamente, isso.

Para facilitar a vida dos alérgicos, Cecília começou uma campanha nas redes sociais, a “põe no rótulo” pedindo que as empresas informem corretamente a composição dos produtos. E logo ganhou uma legião de seguidores.

“O consumidor acha que aquele que não rotula é um produto seguro, consome e tem reação. Ele é só um produto sem a informação”, afirma Cecília.

Hoje, o grupo faz pressão para a criação de uma lei que obrigue a indústria de alimentos a usar rótulos completos e confiáveis. E o tema já foi discutido com o Ministério da Saúde.

“O que a gente pode fazer para ajudar essa parte da população é tentar buscar que essa informação esteja acessível. No rótulo, nas escolas, no posto de saúde, para garantir que essas crianças não fiquem sendo internadas”, diz Cecília.



Fonte: Globo Repórter



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