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Rio de Janeiro é mais quente do que pirâmides de Luxor, no Egito

Compartilhe:     |  15 de fevereiro de 2017

Ao apresentar o clima do Rio, a marchinha “Alalaô” menciona o desértico Egito. Não é exagero. Médias de temperatura da Organização Meteorológica Mundial (OMM) mostram que em sete meses do ano (entre outubro e abril) a cidade é mais quente do que a região das pirâmides de Luxor. E o calor só aumenta. Este primeiro bimestre de 2017 deve ser mais quente do que o do ano passado, quando o El Niño, fenômeno que aumenta a temperatura global, estava aqui.

Os dados da OMM são relativos a uma média histórica, usada para medições e previsões, que considera as temperaturas registradas entre 1961 e 1990. Desde então, o aquecimento global se manifesta de formas diferentes em cada região. A comunidade científica reivindica que a temperatura média do planeta não aumente mais do que 2 graus Celsius, em relação ao níveis pré-industriais. No Brasil, porém, o avanço dos termômetros pode seguir um ritmo mais ligeiro do que em muitos países. Estima-se que a elevação da temperatura supere a marca de 10 graus Celsius em diferentes localidades.

— O Rio tornou-se um caso emblemático no estudo sobre os últimos três anos, em que a temperatura global bateu recordes consecutivos. As transformações em seu território superam as observadas em Luxor, cuja paisagem se manteve mais estável nas últimas décadas — explica Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima. — Passamos por verões cada vez mais quentes devido ao processo de urbanização desordenado da cidade. Há fatores globais, como a emissão de gases de efeito estufa, combinados a locais, como a redução de áreas verdes. O aumento da temperatura e da sensação térmica têm um impacto severo sobre a população, principalmente em crianças e idosos, e podemos registrar cada vez mais casos de diversas doenças, como as cardiovasculares.

A média das temperaturas máximas em janeiro de 2017 foi de 34 graus Celsius — em 2016, em pleno El Niño, o índice registrado foi de 31,1 graus Celsius. A baixa pluviosidade também foi um destaque do mês passado. Em janeiro, o Centro de Operações da Prefeitura registrou 110,4 milímetros de chuvas, volume 37,5% menor que a média histórica do mês, que é de 176,6 milímetros. E a tendência é que fevereiro também seja mais seco.

— Uma zona de alta pressão deve se manter no Rio nos próximos dez dias, mantendo o tempo mais seco e aberto, inibindo a formação de nuvens e reduzindo a pluviosidade — descreve Marcos Vianna, meteorologista do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTec-Inpe). — A média histórica de chuvas na cidade em fevereiro é de 130,4 milímetros. Nos primeiros dez dias do mês, no entanto, choveu apenas 14,2 milímetros.

Climatologista do Grupo de Previsão Climática do CPTec-Inpe, Renata Tedeschi não esconde a surpresa com o calor registrado na estação.

— Todos esperavam que este ano seria menos quente do que o ano passado, já que desta vez não há El Niño — revela. — Ainda precisamos estudar o que contribuiu para este panorama. Uma possibilidade é ligada à redução da quantidade de chuvas, o que influenciou a entrada de radiação no planeta.

Segundo Josélia Pegorim, meteorologista do Climatempo, houve um desvio no corredor de umidade que deveria vir da Amazônia para o Rio. A chuva que deveria chegar à cidade está sendo levada a São Paulo e ao Norte do Paraná:

— A circulação dos ventos na atmosfera ficou mais concentrada em São Paulo. As frentes frias não conseguiram chegar ao Rio — explica. — Como choveu muito pouco em fevereiro e a seca deve se manter nos próximos dias, é provável que este mês também termine mais quente do que o do ano passado.

Andrea Santos, secretária-executiva do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, destaca que a temperatura média global está crescendo 0,17 grau Celsius por década. Além do aumento da temperatura global, as cidades enfrentam os efeitos das ilhas de calor.

— A La Niña, que deveria contribuir para amenizar a temperatura do verão, desapareceu rapidamente — assinala Andrea, que também é gerente de projetos do Fundo Verde da UFRJ. — Mesmo a proximidade com as florestas e o mar não estão freando o aumento da temperatura no Rio. A cidade se expandiu sem planejamento e faltam árvores em muitos bairros.

O El Niño, segundo a climatologista, contribuiu com apenas 10% do aumento da temperatura do planeta no ano passado. Por isso, os próximos anos podem bater recorde de temperatura mesmo sem a presença deste fenômeno climático.

Egiptólogo do Museu Nacional, Antonio Brancaglion reveza-se entre Rio e Luxor, onde integra uma equipe internacional que escava tumbas de 1.330 a.C. Para ele, não há dúvidas de que o Egito é quase ameno, comparado às temperaturas cariocas.

— O problema do Rio é a alta umidade. No Egito, onde é muito seco, não percebo o calor. O mormaço carioca é cansativo — conta o pesquisador, que participa regularmente de escavações desde 2000. — O curioso é que não gosto de tempo quente e escolhi estes dois lugares para trabalhar.



Fonte: O Globo



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