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Rios de ar invisíveis no céu deixaram enormes buracos no gelo da Antártica

Compartilhe:     |  17 de novembro de 2020

Em 1973, praticamente do nada, um enorme buraco apareceu no gelo marinho na costa da Antártica. Não era um buraco como qualquer outro, mas um buraco tão grande que poderia engolir a Califórnia. Havia muitas hipóteses e dúvidas sobre sua origem, mas um novo estudo parece ter esclarecido.

Era uma polínia, uma área de água do mar livre de gelo e cercada por gelo. A misteriosa abertura permaneceu aberta pelos próximos três invernos. Ela então desapareceu e depois reapareceu em 2017. Este buraco gigante no planalto oceânico de Maud Rise é uma área do Mar de Weddell cercada por gelo marinho, o oposto de um iceberg.

A Polínia de Weddell é um exemplo bastante extremo desse fenômeno ambiental. A razão de sua extensão maciça intrigou os cientistas por muito tempo. No ano passado, os pesquisadores sugeriram que várias anomalias climáticas, todas no mesmo período de tempo, precisaram coincidir para que se abrisse tanto.

Outro estudo de 2019, liderado pela cientista atmosférica Diana Francis, sugeriu uma dessas anomalias: são cicatrizes deixadas por poderosos ciclones produzidos pela circulação atmosférica, que podem puxar o gelo marinho flutuante em direções opostas criando a abertura gigante. Uma espécie de cabo-de-guerra com o gelo antártico que leva ao seu rompimento.

Mas não pode ser a única causa. Um novo estudo que acaba de ser divulgado e realizado pelo mesmo cientista na Universidade Khalifa, nos Emirados Árabes Unidos, lança luz sobre outro fator relacionado ao fenômeno, até então esquecido: os rios atmosféricos de ar quente e úmido.

Na nova pesquisa, Francis e sua equipe analisaram dados atmosféricos que datam da década de 1970 e descobriram que esses “rios no céu” provavelmente desempenharam um papel crucial na formação dos eventos de Weddell de 1973 e 2017, com fortes fluxos persistentes nos dias que antecederam a formação desses abismos.

“Fiquei surpreso ao ver o derretimento quase imediato do gelo marinho coberto por rios atmosféricos durante os meses mais frios do ano na Antártica”, disse Francis à Nature Middle East.

Pesquisadores afirmam que a circulação atmosférica transportou um cinturão de ar quente e úmido da costa da América do Sul para a região polar, induzindo a fusão por uma combinação de efeitos, incluindo: a liberação de calor na massa de ar, um efeito estufa localizado, criado pelo vapor de água, todos favorecidos também por ciclones.

Esta descoberta é de considerável importância não apenas para o evento do Mar de Weddell. Visto que tanto os rios atmosféricos quanto os ciclones devem aumentar de gravidade com o aquecimento global, essa estranha abertura na costa da Antártica é algo que podemos observar com mais frequência.

O estudo foi publicado na Science Advances.



Fonte: Greenme - FRANCESCA MANCUSO - Science Advances, Sciencealert



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