Notícias

Risco de acidentes com crianças aumenta no período de férias

Compartilhe:     |  21 de junho de 2015

Durante as férias escolares, aumenta o número de crianças atendidas nos hospitais, vítimas de acidentes dentro e fora do ambiente doméstico. As estatísticas do Ministério da Saúde apontam um acréscimo de cerca de 30% de acidentes com crianças nos períodos de férias.

Os acidentes, ou lesões não intencionais, representam a principal causa de morte de crianças de um a 14 anos no Brasil. No total, cerca de 4,7 mil crianças morrem e 122 mil são hospitalizadas anualmente, segundo dados do Ministério da Saúde. Estimativas mostram que a cada morte outras quatro crianças ficam com sequelas permanentes. No entanto, os estudos mostram que pelo menos 90% das lesões sofridas poderiam ser evitadas com atitudes de prevenção.

O médico pediatra Fabiano de Oliveira Alexandria, diretor técnico do Complexo de Pediatria Arlinda Marques (CPAM) e coordenador de Pediatria do Hospital de Estadual de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena (HEETSHL), explicou que, como a própria palavra diz, acidente significa ocorrência inesperada e desagradável que pode ou não trazer danos ou sofrimento.

Ele revelou que, atualmente e infelizmente, esta tem sido uma causa importante de óbito em crianças e adolescentes, chegando a superar em número algumas doenças. “Os acidentes ocorrem de forma indistinta em todos os períodos dos anos, mas no período de férias aumenta a incidência de algumas ocorrências. Entretanto, com alguns cuidados, essa incidência pode ser reduzida”, alertou.

O médico orientou que, no período de férias, os pais devem ficar mais atentos aos acidentes domésticos como queimaduras (fogo, líquido quentes), intoxicações (remédios, venenos, produtos de limpeza), choque elétricos e asfixia (sacos plásticos, afogamentos), e a recomendação principal é evitar que crianças pequenas circulem pela cozinha e estejam sempre monitoradas por um adulto.

Fabiano Alexandria revelou que acontece um aumento de situações como quedas de altura, de bicicletas e de parques, além de atropelamentos, afogamentos, com os adolescentes ou crianças maiores. “A recomendação é sempre existir a supervisão de um adulto, utilização de equipamentos de proteção individual para os esportes, evitar áreas de circulação de veículos e usar cinto de segurança”, aconselhou.

Quanto aos brinquedos, ele disse que é importante observar se estão em bom estado, sem bordas cortantes ou desgastadas, se possuem certificação do Inmetro e se estão apropriados para a idade, e uma dica útil para os pequenos não se perderem em praias ou ambientes com muita gente é portarem uma pulseira de identificação com os dados da família. Em situações de viagem, a recomendação do pediatra serve para a família toda. “É preciso ter o carro revisado e em boas condições, usar cinto de segurança, manter os contatos telefônicos atualizados”, lembrou.

Como neste período de férias do meio do ano, o costume no Nordeste é se comemorar as festas juninas, com fogueiras e fogos, o médico ressaltou que a melhor prevenção de queimaduras é não brincar com o fogo. “Mas caso este costume esteja muito enraizado, de forma ser impossível evitar as brincadeiras com fogos de artifício, tenha sempre um adulto supervisionando os folguedos, veja se os produtos possuem certificação do Inmetro e siga as informações do uso seguro. Veja também e se os espaços visitados pela família possuem autorização dos bombeiros para funcionamento e procure conhecer previamente os planos de emergência de cada clube ou parque”, recomendou.

O coordenador de Pediatria do Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa destacou que as recomendações básicas de segurança por ele apresentadas podem parecer um excesso de cuidados, mas não é, já que as crianças não são capazes de discernir sobre o resultado de suas ações e se expõem a muitos perigos e um momento de descuido pode ser fatal. “Os pais precisam redobrar os cuidados, para que todos tenham boas férias e que ao final sempre sobrem lembranças felizes”, almejou Fabiano.

Quedas e queimaduras são os acidentes de maior incidência

Segundo a organização não governamental Criança Segura, as principais causas de acidentes envolvendo crianças de zero a 14 anos são as quedas, seguidas por queimaduras, acidentes de trânsito, envenenamento, sufocamento e afogamento.

Os acidentes variam de acordo com a faixa etária. Crianças de 1 a 4 anos, por exemplo, estão mais sujeitas a acidentes envolvendo quedas e queimaduras. Os maiores, de 10 a 14 anos, sofrem mais hospitalizações também por quedas, mas na sequência vêm os acidentes de trânsito, já que os acidentes também acontecem fora do ambiente doméstico, visto que algumas famílias priorizam os passeios e viagens no período de férias das crianças.

Dados levantados pelo Núcleo de Estatística do Hospital de Estadual de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena mostram que ao se considerar os casos de atendimentos por queimadura no ano de 2013, onde ocorreram no período 1.280 atendimentos, ficou evidenciado que a maior ocorrência de vítimas atendidas foi na faixa etária de 1 a 4 anos, com 227 casos.

Ao se considerar os atendimentos no ano de 2014, quando ocorreram 1.326 registros, a faixa etária com maior incidência também foi a de 1 a 4 anos, com 234 ocorrências. O quantitativo de atendimentos por queimadura, em 2013, de crianças na faixa etária de zero a 14 anos foi de 377 casos; em 2014, na mesma faixa etária, foi de 401 casos; e em 2015, também com relação às crianças de zero a 14 anos, já chega a 122 casos.

Ao serem considerados os atendimentos até abril de 2015, onde ocorreram no período 407 atendimentos, mais uma vez maior ocorrência foi na faixa etária de 1 a 4 anos, com 60 casos. Se analisarmos todos os atendimentos dos anos de 2013, 2014 e 2015, é possível perceber que os atendimentos às crianças de 1 a 4 anos são os de mais frequência.

Já segundo as estatísticas do Corpo de Bombeiros, desde o início deste ano, as ocorrências de queimadura térmica em ambiente residencial foram sete, sendo elas acidentes com cafeteira, panela de pressão e com água quente. Quanto às queimaduras por produto químico não foi encontrado registro em ambiente doméstico. Já quanto à queimadura elétrica foi obtido o registro de um caso.

Estatísticas da Seguradora Líder DPVAT sobre acidentes envolvendo crianças, na faixa etária de zero a 10 anos, apontam que as ocorrências de acidentes envolvendo crianças, cujas indenizações foram solicitadas à seguradora, tiveram um crescimento de 72%, comparando o ano de 2008 com o ano 2012, principalmente nos casos de invalidez permanente que, no mesmo período citado, cresceram 118%.

Acidentes com automóveis, em 2012, representaram 53% das ocorrências indenizadas pelo Seguro DPVAT envolvendo crianças, sendo que 62% destas indenizações foram para atropelamento de crianças. Para todas as categorias de veículos, exceto para motocicletas, a maior incidência de ocorrências foi para a criança como pedestre. No ano de 2012, 56% das ocorrências indenizadas em acidentes envolvendo crianças foram para atropelamentos.

Em acidentes com motocicletas, 54% das indenizações foram para passageiros e 46% para pedestres. A faixa etária com maior incidência de morte e invalidez no ano de 2012 é a de 7 a 10 anos, algo muito preocupante porque mostra a incidência de adultos transportando criança em suas motocicletas. Os sábados e domingos foram os dias da semana que apresentam maior incidência de ocorrências de morte e invalidez, envolvendo crianças, no ano de 2012, representando 39% das ocorrências.

Prevenção: cuidado redobrado ajuda a evitar acidentes com as crianças

Para reduzir as ocorrências de acidentes de trânsito, a ONG Criança Segura sugere que, no carro, as crianças com menos de 10 anos devem sentar no banco de trás, transportadas em cadeiras de segurança de acordo com o seu tamanho e até os 36Kg. Acima de 1,45m de altura, elas devem utilizar o cinto de segurança do veículo, de preferência o de 3 pontos.

Outra dica importante é ensinar a criança a parar na calçada ou no canto da rua e olhar para os dois lados antes de atravessar a rua. Crianças com menos de 10 anos não devem atravessar a rua sozinhas e quando acompanhadas de um adulto, devem ser seguradas pelo pulso. É também necessário ensinar a criança a respeitar as faixas de pedestres e os sinais de trânsito. É preciso, ainda, proteger a criança com um capacete apropriado quando estiver andando sobre rodas. O capacete pode reduzir o risco de lesões na cabeça, inclusive traumatismo craniano, em até 85%.

Para evitar os acidentes que acontecem com as crianças em casa é importante conhecer os principais perigos no ambiente doméstico. Se na área externa da casa tem, por exemplo, jardim e piscina, as crianças devem sempre ser supervisionadas por um adulto quando estiverem próximas da água e o acesso à piscina deve ser protegido por cercas de isolamento em todos os lados, com no mínimo 1,5 m de altura, e portões com travas. No caso de piscina infantil, essa deve ser esvaziada imediatamente após o uso e guardada virada para baixo e fora do alcance das crianças.

Quanto ao jardim, é preciso verificar quais plantas dentro e ao redor de sua casa são venenosas. Ao serem detectadas, as plantas tóxicas devem ser removidas ou deixadas em locais inacessíveis para as crianças. Se a casa tiver mais de um pavimento, nunca deixar que as crianças brinquem na laje da casa. As quedas são quase sempre fatais.

Dentro de casa também são necessários alguns cuidados com as crianças pequenas, principalmente para evitar as quedas. Instale sempre grades ou redes de segurança em suas janelas e sacadas. Use portões de segurança no topo e no pé das escadas. Para evitar os choques elétricos, cubra todas as tomadas que não estão em uso e proteja fios desencapados. Cuidado com quinas afiadas de certos utensílios domésticos e mantenha os móveis longe de janelas e cortinas.

Para evitar queimaduras, mantenha as crianças longe do fogão. Use as bocas de trás e vire o cabo das panelas para o centro do fogão. Mantenha fósforos, isqueiros e álcool fora do alcance das crianças. Muitas crianças até 14 anos atendidas em pronto-socorros são vítimas de queimaduras e escaldamentos. Comidas e bebidas quentes devem ficar longe das crianças.

No banheiro, um simples descuido pode causar morte por afogamento. Por isso, supervisione sempre uma criança tomando banho. As crianças, especialmente as mais novas, podem se afogar em apenas 2,5 cm de água. Por isso, cuidado com o vaso sanitário. Esvazie todos os baldes e embalagens, guarde-os virados para baixo e fora do alcance das crianças. Quanto a caixa-d’água, mantenha-a sempre com a tampa e amarrada ao reservatório.

Tranque o armário de medicamentos, vitaminas, antissépticos bucais e demais produtos que ofereçam perigo de intoxicação. Guarde utensílios afiados e aparelhos como lâminas de barbear, tesouras e secadores de cabelo fora do alcance das crianças. Cuidado com objetos de vidro, cerâmica e facas. Os produtos de limpeza devem estar trancados e fora do alcance das crianças.

Para evitar riscos de sufocação, mantenha sacos plásticos longe do alcance das crianças. As sufocações podem ser causadas por brinquedos, travesseiros e lençóis dentro do berço. As grades do berço devem ter no máximo 5cm entre elas. Ao escolher brinquedos sempre considere a idade, a habilidade da criança e busque sempre o selo do Inmetro. Evite brinquedos com pontas afiadas como flechas e os que produzem sons altos.

Além de proteger a criança em casa, os pais devem estar atentos se outros lugares que a criança frequenta também estão protegidos, como na creche, escola, ou casa de parente que cuide dela. Durante os passeios é preciso observar os plagrounds e verificar se são seguros e se os equipamentos são apropriados para a idade criança. Também é importante ficar atento aos perigos, como ferrugem, superfícies instáveis ou quebradas. O risco lesões por queda é quatro vezes maior se a criança cai de um brinquedo mais alto que 1,5 metro.

 



Fonte: Jornal A União - Alexandre Nunes



Leia também:

Projetos ambientais
Aqui você é o Reporter

Espaço Animal

Holanda se torna o primeiro país sem cães abandonados – e não precisou sacrificar nenhum

Leia Mais