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Rosetta envia novas imagens e revela precipício de 900 metros no cometa 67P

Compartilhe:     |  23 de janeiro de 2015

Que tal saltar de um precipício de 900 metros de altura e pousar suavemente lá no fundo, sem um arranhão? No cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko é possível. Novos dados enviados pela sonda Rosetta, que orbita o corpo celeste a cerca de 500 milhões de quilômetros da Terra, entre Marte e Júpiter, revelam um mundo cheio de escarpas, desertos, areia fofa e gases em erupção. Enquanto se aproxima do sol a uma velocidade de 20 quilômetros por segundo, o cometa, primeiro a ser visitado pelo homem – com o veículo Philae, ali estacionado desde novembro passado -, vai tendo seus segredos desvendados.

Um estudo publicado na capa da revista “Science” desta semana mostra que o 67P, com quatro quilômetros de largura e 10 bilhões de toneladas, é tão denso quanto uma rolha e flutuaria se caísse no bar, como um iceberg. Cerca de 80% do seu interior são ocos, tornando-o similar a uma esponja ou uma pedra-pomes, revelam as medições feitas pelo instrumento Osiris, um dos onze a bordo da Rosetta. Esta é a primeira vez que a densidade do cometa é medida diretamente.

Até agora, a missão soma quase 16 mil fotografias de diferentes partes da estrutura rochosa extremamente irregular, que serviu para derrubar um dos mitos mais difundidos sobre os cometas: que eles seriam bolas de gelo – responsáveis pela presença de água em planetas como a Terra. Nas imagens é possível ver grandes extensões de pó fino, com dunas similares às das praias terrestres.

Mas a foto mais impressionante é a de uma falésia batizada como Hator, que tem 900 metros de altura. De acordo com um comentário feito ontem pela Nasa, a distância de cerca de 20 metros entre as paredes do cânion logo abaixo da escarpa e a presença de areia fofa na sua base tornariam o salto do alto do penhasco uma experiência totalmente possível, sem causar danos. Além disso, a baixa gravidade do cometa também permitiria que um astronauta saltasse de uma nave em sua órbita e pousasse sozinho nele, suavemente. O mesmo se daria na volta: bastaria um impulso para chegar rapidamente à espaçonave.

Imagem da ‘cabeça’ do cometa feita em 16 de janeiro – ESA

Assim como a falésia e o próprio instrumento Osiris, que a fotografou, outras estruturas mapeadas no cometa ganharam nomes de antigas divindades egípcias – Hapi, Imhotep e Anuket entre eles. A equipe da Agência Espacial Europeia (Esa) a cargo da missão tenta entender o estranho formato de “pato de borracha” do cometa, cuja distância do Sol não se encaixa com os modelos de desgaste de material provocado pelo calor da estrela. Em resumo, os cientistas não sabem dizer o que provocou a erosão, deixando o 67P com essa forma curiosa.

Areia fofa e montanhas na paisagem do cometa – ESA

– Segundo nossos modelos, algo falha porque o cometa não poderia ter perdido tanto material pelo efeito do Sol – disse ao diário espanhol “El País” Luisa M. Lara, pesquisadora do Instituto de Astrofísica da Andaluzia, na Espanha, e coautora de três estudos sobre o cometa publicados na “Science”.

Uma das hipóteses é que a cabeça e o corpo do “pato” sejam, na realidade, dois cometas que se chocaram e fundiram. Uma enorme rachadura no “pescoço” do corpo celeste é uma das que apresentam maior atividade gasosa, com profusão de vapor d’água e outros gases.

O formato de ‘pato de borracha’ e os gases liberados – ESA

A partir de maio ou junho, espera-se que os dados aportados sobre o 67P sejam ainda mais numerosos. A angulação e a aproximação do Sol possivelmente despertarão o veículo explorador Philae, cujas baterias solares estão inativas devido a um erro no pouso, em novembro, que inviabilizou sua exposição à radiação. Segundo os cientistas, o calor maior fará com que a atividade gasosa se expanda consideravelmente, transformando o cometa num “inferno” de nuvens de gás.

– A Rosetta continuará a orbitar o 67P até o fim do ano ou possivelmente ainda mais – disse o chefe científico da missão, Matt Taylor. – Vamos observar a atividade do cometa até que ela atinja seu ápice. Então, verificaremos as mudanças no seu núcleo, inclusive medindo quanto ele mudará em volume total.



Fonte: O Globo



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