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Roupas de poliéster e produtos de higiene estão invadindo os oceanos de microplástico

Compartilhe:     |  14 de agosto de 2020

Os oceanos estão tomados por microplásticos oriundos de diversas fontes como roupas de poliéster, produtos de higiene, redes de pesca, garrafas e sacolas de plástico. Esse problema atinge toda a cadeia alimentar marinha e, consequentemente, chegou nos tubarões.

Um estudo publicado na revista científica Nature investigou a ingestão de microplásticos por quatro espécies de tubarões do Oceano Atlântico Norte: o tubarão-gato-malhado (Scyliorhinus canicula), o sabujo estrelado (Mustelus asterias), o cação-espinho (Squalus acanthias) e o tubarão-touro (Scyliorhinus stellaris).

De acordo com a matéria publicada pelo site Mongabay, esses tubarões foram capturados acidentalmente por pescadores locais de Penzance, no Reino Unido.

Uma equipe de seis pesquisadores da Universidade de Exeter e da Universidade de Leeds, examinou os estômagos e os aparelhos digestivos de 46 tubarões e descobriu que 67% deles continham microplásticos. No total, foram contabilizados 379 microplásticos (partículas de plástico ou fibras menores do que 5 milímetros), dentro dos tubarões.

Muitas dessas fibras eram de celulose sintética, ou seja, o mesmo material encontrado em roupas de poliéster e produtos de higiene, assim como as máscaras faciais utilizadas na pandemia de Covid-19.

Kristian Parton, principal autor do estudo e pesquisador do Centro de Ecologia e Conservação da Universidade de Exeter, disse que apesar de muitas partículas ingeridas pelos tubarões sejam excretadas, é provável que muitas ainda permaneçam dentro deles, fazendo com que poluentes inorgânicos entrem em seus corpos.

A matéria do Mongabay mostra uma imagem impressionante das fibras de polipropileno que foram encontradas em um dos tubarões.

Parton ficou surpreso por ter encontrado tubarões de Cornualha com tantas partículas de plástico, pois as águas dessa região são consideradas as mais bonitas do Reino Unido.

Tamara Galloway, coautora do estudo, bióloga marinha e professora de ecotoxicologia da Universidade de Exeter, também ficou impressionada com o que encontraram e alertou sobre a necessidade de pensarmos bem antes de descartarmos o nosso lixo.

Como o microplástico chega aos tubarões

Os pesquisadores identificaram que existem duas formas para os microplásticos entrarem nos tubarões: a primeira é pelos crustáceos, já que esses trituram o plástico que cai no mar e os tubarões por sua vez, os comem. A segunda forma é pela própria sucção, pois as partículas de plástico ficam boiando na superfície e no fundo do mar, entrando pela boca dos tubarões quando eles se alimentam.

Quanto maior o tubarão, mais plástico entra nele. O estudo apontou que o maior número de microplásticos foi encontrado em um tubarão boi macho, que tinha 154 fibras de polipropileno no estômago e intestinos. Parton supõe que esse tubarão tenha engolido um pedaço de corda ou rede de pesca que quebrou durante o processo digestivo, transformando-se em pedaços menores.

Esse estudo analisou apenas o estômago e o aparelho digestivo desses tubarões, mas os pesquisadores acreditam ser possível que o plástico esteja presente em outras partes do corpo deles.

As pesquisas continuam para saber quais os riscos reais desses materiais para a saúde dos tubarões. No entanto, já se sabe que os microplásticos afetam negativamente o comportamento alimentar, o desenvolvimento, a reprodução e a expectativa de vida de todo o ambiente marinho.

A matéria da Mongabay é bem concluída com a frase de Will McCallum, chefe dos oceanos do Greenpeace no Reino Unido:

“Nosso vício em plástico, combinado com a falta de mecanismos para proteger nossos oceanos, está sufocando a vida marinha. Os tubarões ocupam o topo da teia alimentar e desempenham um papel vital nos ecossistemas oceânicos. No entanto, eles estão completamente expostos a poluentes e outras atividades de impacto humano. Precisamos parar de produzir tanto plástico e criar uma rede de santuários oceânicos para dar espaço para a vida selvagem se recuperar. O oceano não é nosso lixão, a vida marinha merece mais do que o plástico.”

Esse comunicado é mais um apelo e, com ele, nós também pedimos: pense bem antes de comprar a roupa que você usa. Dê preferência às roupas de algodão ou tecidos ecológicos. Da mesma forma, pratique a reutilização dessas roupas, evitando assim o descarte de peças que podem ser usadas por outras pessoas ou de outras maneiras.

O mesmo vale para os itens de higiene, como as máscaras de proteção contra a Covid-19. Prefira as de pano, pois essas são reutilizáveis e não poluem o meio ambiente.

Incentive a separação do lixo para que cada tipo de material tenha a destinação correta. Se cada um fizer a sua parte, todos juntos faremos muito pelo planeta. Nossas escolhas pessoais impactam sim no mercado de consumo. Votar em quem preza pelo meio ambiente também é fundamental para que os governos também se responsabilizem por tudo o que está acontecendo.

Microplástico por todo lugar. As consequências disso ainda são desconhecidas mas já se anunciam como desastrosas.



Fonte: GreenMe - Eliane A Oliveira



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