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Projeto Tamar rumo aos 40 milhões de tartarugas marinhas protegidas

Compartilhe:     |  23 de setembro de 2019

Projeto Tamar trabalha na pesquisa, proteção e manejo das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no país, todas ameaçadas de extinção.

A Fundação Pró-Tamar e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), parceiros no Projeto Tamar, anunciam que em breve chegarão a marca de 40 milhões de tartarugas marinhas protegidas. Isso deve acontecer com a próxima temporada de desova das tartarugas, quando cerca de 2 milhões de filhotes nascem nas praias brasileiras monitoradas pelo Projeto Tamar. O fundador do Projeto Tamar, Guy Marcovaldi, diz que a tartaruga de número 40 milhões já existe e navega em uma viagem transcontinental rumo às praias brasileiras. Segundo ele, é importante lembrar que a cada mil tartarugas que nascem, apenas uma ou duas sobrevivem e completam seu ciclo de vida. O presidente do ICMBio, Homero Cerqueira, disse que o resultado é fruto da união de esforços para salvar a vida de milhões de tartarugas marinhas.

Em parceria com o ICMBio, o projeto Tamar contribui para a recuperação de quatro espécies de tartarugas marinhas: tartaruga-oliva, tartaruga-de-pente, tartaruga-cabeçuda e tartaruga-de-couro. O trabalho do Tamar garante também a estabilidade da tartaruga-verde em Fernando de Noronha (PE) e Trindade (ES). A missão do projeto inclui é a pesquisa, a conservação e o manejo das cinco espécies, todas ameaçadas de extinção. O Projeto ainda trabalha na proteção de tartarugas jovens e adultas resgatadas de captura incidental na pesca. Acidentes com redes e anzóis, plásticos e o trânsito de veículos nas praias são fatores de risco para os animais.

Atualmente, o Projeto Tamar está presente em 26 localidades, distribuídas em áreas prioritárias de desova, alimentação, migração e descanso. A cada temporada reprodutiva, o número de filhotes que nasce nas praias monitoradas pelo Projeto passa de 2 milhões, além de muitas tartarugas que são protegidas e salvas da captura incidental na pesca. Estudos científicos mostram que as populações de tartarugas marinhas no Brasil estão se recuperando.

O Tamar é membro da Rede de Projetos de Biodiversidade Marinha (Rede Biomar), grupo composto também pelos projetos Albatroz, Baleia Jubarte, Coral Vivo, todos patrocinados por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

Sobre o Projeto Tamar
O Projeto Tamar começou em 1980 a proteger as tartarugas marinhas no Brasil. A Fundação Pró-Tamar executa a maior parte das ações descritas no PAN – Plano de Ação Nacional para a Conservação das Tartarugas Marinhas no Brasil do ICMBio/MMA. O Projeto Tamar trabalha na pesquisa, proteção e manejo das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no país, todas ameaçadas de extinção: tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), tartaruga-verde (Chelonia mydas), tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea) e tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea). Protege cerca de 1.100 quilômetros de praias e está presente em 26 localidades, em áreas de alimentação, desova, crescimento e descanso das tartarugas marinhas, no litoral e ilhas oceânicas dos estados da Bahia, Sergipe, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina.
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Na temporada de desova, cerca de 2 milhões de filhotes nascem nas praias brasileiras. (Foto:acervo/ICMBio)

Conheça mais sobre as tartarugas marinhas

As tartarugas marinhas são animais altamente migratórios, que podem passar pelas águas de diversos países em sua longa vida: em países como a China este animal tem uma relação até mesmo cultural com a longevidade. Mas o lixo no mar tem sido um dos principais sentenciadores da vida delas. Estima-se que entre 4 a 12 milhões de toneladas de plástico são despejados nos oceanos a cada ano. E no mar, o plástico vira uma armadilha para as tartarugas marinhas, sendo confundido com alimento ou aprisionando espécies, a exemplo de pedaços de redes de pesca que se enroscam em seus corpos podendo levá-las à morte.

O lixo ingerido pode bloquear o sistema digestório e interferir no processo de flutuação da tartaruga, fazendo com que morram por inanição, pois param de se alimentar, acrescido das toxinas que são liberadas no organismo e das lesões no trato gastrointestinal delas. Com isso percebe-se que os tão debatidos canudos de plástico são apenas ‘a ponta do iceberg’ no que se refere ao que vai parar nos oceanos e, por tabela, no estômago desses animais marinhos.

A pesca incidental é um outro impacto relevante, causando a morte de tartarugas adultas e jovens, apesar de elas não serem as espécies-alvo da pesca. Alguns petrechos de pesca, como anzóis e redes inadequadas, interagem mais com as tartarugas, o que também atrapalha o pescador, pois reduz a quantidade de peixe ou camarão capturado. Para mitigar e reduzir esses impactos da pesca incidental, o Tamar monitora embarcações e promove a divulgação de medidas mitigadoras que podem ser utilizadas por pescadores durante as ações de pesca, como o uso do anzol circular, que captura o peixe, mas não a tartaruga marinha.



Fonte: ICMBio



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