Notícias

Saiba como lidar com a aversão que algumas pessoas nutrem por veganos e vegetarianos

Compartilhe:     |  3 de janeiro de 2021

Entenda a veganofobia, a aversão – ou o famoso “ranço” – que algumas pessoas nutrem por veganos e vegetarianos

Veganofobia é um termo quase autoexplicativo, que se refere ao ódio irracional dirigido a pessoas adeptas do vegetarianismo ou do estilo de vida vegano. Os veganos tendem a ser especialmente afetados pela veganofobia (ou vegafobia), despertando em diferentes espaços sociais sentimentos de aversão e raiva que parecem desafiar a racionalidade.

Em 2015, um estudo publicado na revista Group Processes & Intergroup Relations concluiu que, em sociedades ocidentais, vegetarianos e veganos experimentam discriminação e preconceito em pé de igualdade com outras minorias. Aliás, segundo a pesquisa, somente os viciados em drogas inspirariam o mesmo grau de aversão e estigma que eles.

Mas, afinal de contas, o que estaria por trás de tanto ressentimento contra aqueles que simplesmente tentam, na medida do possível, minimizar os efeitos da ação humana sobre a qualidade de vida dos animais? E por que o veganismo, que abarca uma filosofia e um modo de vida baseados no respeito a todas as criaturas sencientes, acende tanto ódio em particular? A psicologia pode levantar algumas hipóteses e insights sobre o assunto.

Se você se atrever a perguntar, veganofóbicos terão muitas explicações razoáveis ​​(e outras não tão razoáveis) para embasar sua fobia. Primeiro, vem o argumento da “hipocrisia”, fundamentado na ideia de que os veganos também têm sangue nas mãos – na forma de massacres de plantas, do custo ambiental dos abacates e de todos os ratos do campo mortos durante colheitas de vegetais.

Outros argumentos populares incluem a percepção dos veganos como excessivamente presunçosos, arrogantes ou irritantes. Mas seriam essas realmente as razões pelas quais algumas pessoas odeiam veganos? Nem todo mundo está convencido. Alguns psicólogos acreditam que esse ressentimento possa estar associado a uma questão ética e/ou moral.

Quando um indivíduo se depara com um conflito interno – por exemplo, “por que condeno o consumo de carne de cachorro em algumas culturas, mas me sinto feliz comendo carne de vaca?” –, é provável que ocorra um fenômeno chamado “dissonância cognitiva”, provocado pela sustentação de duas perspectivas incompatíveis ao mesmo tempo. Nesse caso, a afeição aos animais pode entrar em conflito com a noção de que é natural matar animais para comê-los (alguns, não todos!).

Alguns psicólogos chamam esse fenômeno de “paradoxo da carne” ou “esquizofrenia moral“. Uma maneira popular de resolver a dissonância cognitiva é raciocinar para resolvê-la. Esse “raciocínio motivado” pode ser um fator determinante para o esforço das pessoas em buscar explicações que justifiquem a escolha consciente pelo consumo de carne, apesar da infinidade de evidências a respeito de seus impactos negativos na saúde humana e no meio ambiente. Uma dessas explicações consiste em classificar adeptos do veganismo como pessoas ruins, hipócritas, arrogantes ou chatas.

Em um estudo liderado por Julia Minson, psicóloga da Universidade da Pensilvânia, os participantes foram questionados sobre suas atitudes em relação aos veganos e, em seguida, solicitados a pensar em três palavras que associassem a eles. Pouco menos da metade dos participantes tinha algo negativo a dizer e, curiosamente, 45% incluíram na lista algum termo referente às suas características sociais. Por exemplo, os veganos foram descritos como esquisitos, arrogantes, entediantes, militantes, estúpidos e sádicos.

A descoberta também explica por que veganos e vegetarianos éticos são possivelmente mais irritantes para os onívoros do que aqueles que escolhem esse estilo de vida por motivos de saúde. Os argumentos que fogem totalmente da moralidade são muito menos agravantes, porque não provocam no outro a sensação de que ele é quem está agindo de maneira incoerente.

Ironicamente, os mesmos preconceitos psicológicos também sugerem que campanhas pró-veganismo que enfocam o sofrimento animal poderiam ter o efeito oposto ao pretendido: embora algumas pessoas possam reagir às informações comendo menos carne, aqueles que optam por não mudar seu comportamento tendem, inconscientemente, a lidar com o próprio desconforto tentando justificar, de maneira ainda mais intensa, as suas ações.

Com poucas pesquisas sobre o tema e interesse ainda restrito a nichos, haveria “cura” para a veganofobia? Não se sabe. Mas, se a psicologia abriu o caminho para explorar o problema, talvez esteja nela a resposta. Enquanto isso, veganos e vegetarianos éticos continuarão “irritando” algumas pessoas e influenciando outras, em prol do bem-estar dos animais. Ainda bem.



Fonte: Equipe Ecycle



Leia também:

Projetos ambientais
Aqui você é o Reporter

Espaço Animal

Estresse passa do dono para o cachorro

Leia Mais