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Saiba por que algumas rosas cheiram mais que outras

Compartilhe:     |  5 de julho de 2015

As rosas e seu perfume inspiram gerações de artistas e poetas desde a antiguidade. “Se a rosa tivesse outro nome, ainda assim teria o mesmo perfume”, escreveu Willian Shakespeare em Romeu e Julieta. No século XVI isso poderia ser verdade, mas hoje não é bem assim. Grande parte das rosas atuais não tem mais o odor característico. Com seleção e cruzamento de traços genéticos para realçar a cor e longevidade, elas têm pouco ou quase nenhum perfume. Mas uma nova descoberta, publicada nesta quinta-feira na revista Science, revela por que algumas rosas cheiram mais que outras e dá pistas para resgatar a fragrância das rosas.

O estudo, feito por pesquisadores franceses, revela um processo químico até então desconhecido, relacionado à produção do odor, e que ocorre nas pétalas da planta. Comparando espécies que ainda exalam aroma forte com as que têm quase nenhum perfume, os cientistas descobriram uma enzima mais ativa nas cheirosas. Batizada com a sigla RhNUDX1, ela é chave na fabricação de moléculas que conferem o cheiro da planta.

Com o conhecimento desse novo mecanismo, os cientistas esperam poder fixar, melhorar ou reintroduzir o perfume nas pétalas. O odor natural das flores é uma característica fundamental para a reprodução dos vegetais. Além de ajudar na perpetuação das espécies, o resgate do perfume também pode recuperar o sentido de alguns antigos versos poéticos.

As recém-descobertas habilidades vegetais

Linguagem

Linguagem

Uma das formas de as plantas se comunicarem é por meio de compostos orgânicos voláteis (VOC), que viajam pelo ar. Nos anos 1980, dois estudos, um deles publicado na revista “Science”, mostraram evidências de que esses químicos serviam para a comunicação vegetal. Dez anos depois, o biólogo Edward Farmer, da Universidade de Lausanne, na Suíça, mostrou como, em laboratório, artemísias emitiam grandes quantidades de metil jasmonato ao serem atacadas por insetos. Esse composto, recebido por folhas de tomate, fazia com que o fruto ficasse mais resistente a pragas — ele passava a produzir moléculas que, consumidas pelos insetos, interrompem sua digestão. A última comprovação de que a linguagem vegetal ocorre por meio dos VOCs veio no fim de 2013, com uma pesquisa publicada no periódico “Ecology Letters”. Ela mostrou que, em condições naturais, as folhas que recebem esses químicos de vizinhas feridas tornam-se mais resistentes a herbívoros. Outra maneira com que as plantas “falam” umas com as outras foi mostrada em um estudo de 2010, publicado na revista “Plos One”. Ele explica como um pé de tomate infectado por uma doença avisa os outros por meio de micorrizas, fungos que surgem nas raízes. Ao lado das micorrizas, os tomates produzem enzimas defensivas, tornando-se mais resistentes a doenças. Os pesquisadores concluíram que esse pode ser um tipo de comunicação vegetal subterrâneo.

Defesa

Defesa

Um estudo publicado na edição de fevereiro do periódico “Ecology Letters” demonstrou como os vegetais se defendem. Segundo os pesquisadores, a árvore Acacia manipula suas folhas para transformar as formigas “Pseudomyrmex ferrugineus” em aliadas, protegendo-as de pragas e animais herbívoros como vacas e cavalos. As flores produzem um néctar sem sacarose e, além disso, liberam um composto que, no organismo das formigas, impede que elas façam a digestão do açúcar. Os insetos, que precisam de néctar para sobreviver, tornam-se dependentes do composto sem sacarose, pois, impedidos de digerir doces, não podem mais buscar o alimento açucarado de outros vegetais.

“Imagine que uma companhia que vende leite sem lactose coloque nele um composto que impeça a digestão da lactose. Assim que você tomar esse leite, você terá que continuar com ele, porque será incapaz de digerir o leite normal. É mais ou menos isso que as plantas fazem”, explica o pesquisador Martin Heil, do Centro de investigação e Estudos Avançados do Instituto Politécnico Nacional do México, e principal autor do estudo.

Memória

Memória

Um estudo publicado na edição de janeiro do periódico “Oecologia” explica que a espécie “Mimosa pudica”, conhecida como não-me-toques ou dormideira, aprende e tem memória. Submetida pelos cientistas a quedas em sequência, suas folhas se recordaram dos tombos por até um mês. Os pesquisadores não conseguiram explicar como elas são capazes de fazer isso, sem um cérebro que coordene suas funções.

Impulsos elétricos

Impulsos elétricos

Há algum tempo os biólogos sabem que todas as células vivas transmitem mensagens por meio de sinais elétricos — chamados de íons. Eles passam através das membranas de acordo com a concentração de íons de cada lado. Em agosto do ano passado, o biólogo Edward Farmer, da Universidade de Lausanne, na Suíça, demonstrou, em um estudo na revista “Nature”, como os pulsos viajam pelas membranas da planta através de longas distâncias. Elas são semelhantes a rudimentares sinapses animais.

Fidelidade familiar

Fidelidade familiar

Em 2007, um estudo publicado no periódico “Biology Letters” mostrou que as plantas reconhecem membros da sua família e competem menos por água e espaço com elas do que com estranhos. Quando as vizinhas são desconhecidas, o vegetal tende a espalhar mais suas raízes, competindo com ela, do que quando está ao lado de plantas da mesma espécie. Dois anos depois, cientistas da Universidade de Delaware, nos Estados Unidos, descobriram como pés de “Arabidopsis thaliana” reconhecem seus parentes: elas identificam compostos químicos secretados pelas raízes.

Audição

Audição

Um estudo conduzido pela bióloga Monica Gagliano, da University of Western Australia, na Austrália, publicado em 2012, mostrou que as folhas de milho são capazes de identificar sons. A cientista submeteu brotos de milho a ondas sonoras de diferentes comprimentos e percebeu que, quando elas chegavam a 200 hertz, as raízes se inclinavam em direção ao som. A hipótese da pesquisadora é que essa percepção seja um modo de comunicação mais econômico que a emissão de compostos orgânicos voláteis (VOC).

Olfato

 



Fonte: Veja - Da redação



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