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Saiba por que não devemos lavar o frango antes de cozinhá-lo

Compartilhe:     |  7 de maio de 2019

Não lavem o frango cru!

Esse foi o alerta publicado recentemente no Twitter pelos Centros de Controle de Doenças dos EUA (CDCs, na sigla em inglês, ou a agência de proteção à saúde), advertindo que lavar a carne da ave antes de cozinhá-la pode fazer com que micróbios se espalhem por outros alimentos e utensílios de cozinha.

A recomendação gerou um debate acalorado, entre os que agradeceram a dica, os que a rejeitaram – afirmando não confiar na higiene das embalagens de frango – e os que ironizaram, achando-a excessivamente alarmista ou agregando que bastaria limpar a pia depois de limpar o frango para acabar com as bactérias.

O CDC manteve, porém, sua recomendação original, afirmando que não era necessário criar pânico em torno do tema mas lembrando que a melhor forma de limpar uma ave é cozinhando-a bem.

“Não se deve lavar nem o frango nem outras carnes ou ovos antes de cozinhá-los. Isso pode propagar micróbios por toda a cozinha”, diz o órgão.

Em 2014, a Agência de Regulamentação Alimentar do Reino Unido (FSA, na sigla em inglês) também havia advertido que lavar o frango antes do cozimento aumenta o risco de propagação da bactéria campylobacter nas mãos, nas superfícies e utensílios de cozinha e até na roupa, pelas gotas de água que se espalham.

Hábito e boatos

A advertência ocorreu pouco depois de uma pesquisa identificar que 44% dos britânicos lavavam a carne crua, seja porque acreditavam estar eliminando germes ou simplesmente por hábito. No Brasil, também circulam rotineiramente alertas sugerindo, erroneamente, que as pessoas lavem as aves antes de cozinhar.

Frango sendo cozidoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionFrango deve estar bem cozido por dentro para garantir que não vai causar infecções

A bactéria campylobacter, citada pelo FSA, é por sinal uma das causas mais comuns de intoxicação alimentar – causando dores abdominais, diarreia, febre, náuseas e vômito – e está presente em carnes e vegetais crus ou leites não pasteurizados.

A forma mais eficaz de combatê-la, informa a OMS (Organização Mundial da Saúde), é justamente cozinhando bem os alimentos, garantindo que seu interior esteja quente.

“A campylobacter se espalha facilmente, e bastam algumas bactérias para causar adoecimento”, diz o FSA.

Em geral, essas intoxicações passam depois de alguns dias, mas em determinados grupos – crianças pequenas, idosos e pessoas que sofrem de doenças que prejudicam seu sistema imunológico, como Aids – a infecção pode ser fatal.

Em casos mais raros, pode haver complicações como hepatite, pancreatite (infecção do fígado e do pâncreas, respectivamente) e síndrome de Guillain-Barré, na qual a infecção leva o sistema imunológico a atacar o sistema nervoso, causando paralisias.

“Embora as pessoas tendam a seguir as recomendações para manipular aves, como lavar as mãos depois de encostar na carne crua e cozinhá-la completamente, nossa pesquisa mostra que lavar o frango cru é uma prática comum”, afirmou em 2014 a presidente do FSA, Catherine Brown.

“Por isso, fazemos uma advertência para que as pessoas interrompam essa prática. Também queremos criar a consciência quanto aos riscos de se contrair a campylobacter como resultado de uma contaminação cruzada (quanto um alimento infectado contamina outro).”

O FSA lembra que armazenar bem frango cru também é importante: “Cubra o frango e guarde-o na parte inferior da geladeira, para impedir que gotas de seu líquido caiam em outros alimentos, contaminando-os”, diz o órgão.



Fonte: BBC Brasil



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