Notícias

Seca em Alagoas obriga produtores a alugar água para gado não morrer

Compartilhe:     |  19 de abril de 2015

O maior açude do sertão de Alagoas está com 10% do volume que tinha há uma década. A água que resta está salgada. Com pouco oxigênio, os peixes morreram. O pescador Antônio dos Santos olha para o local de onde saíam 15 toneladas de tilápias por mês.

“Estamos com mais de cinco anos que choveu o suficiente para encher o açude, infelizmente está desse jeito”, lamenta o pescador.

Sem pesca, sem agricultura, mais de 70 moradores da vila perto do açude pegaram a estrada para outros estados. Quem fica, corta palma e puxa água do buraco aberto no leito do rio seco para não deixar o gado morrer de fome e de sede.

“A única água que a gente tem aqui é a que está minando. Aqui por perto não tem água mais em canto nenhum”, diz o produtor de leite Luiz Fernando.

É aí que entra o aluguel de água, novidade no sertão. Custa R$ 20 para cada boi que matar a sede no açude, em uma das poucas fazendas que ainda têm esse privilégio. E olha que é pouca água. Os moradores contaram que só vai dar para mais uns 60 dias.

Nesses dois meses, o produtor de leite José Flávio de Freitas conseguiu um desconto e vai gastar R$ 1,4 mil com o aluguel. As 40 vacas que ele levou para o local dividem espaço na fazenda com 250 animais de outros criadores.

“Por mais de 20 quilômetros eu vim tangendo esse gado para cá, para ver se o salvo, porque aqui tem água”, diz José Flávio.

Mais uma boiada atravessa o sertão. Muitos animais ficam pelo caminho ou no meio do pasto. Situação que, sem chover, só se agrava.

“Onde tem um pouco de água é onde se junta todo mundo para trazer seu rebanho. Mas os demais não têm água para nada. Todo mundo não sabe o que vai fazer com seu rebanho”, diz a presidente da Associação dos Produtores de Leite, Mércia Azarias.



Fonte: Jornal Nacional



Leia também:

Projetos ambientais
Aqui você é o Reporter

Espaço Animal

Lei que proíbe piercings e tatuagens em animais é sancionada no Distrito Federal

Leia Mais