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Semiáridos latino-americanos trocam conhecimentos para se adaptar às mudanças climáticas

Compartilhe:     |  11 de setembro de 2020

Regiões semiáridas da América Latina e Central poderão compartilhar conhecimentos e identificar práticas de sucesso que promovam uma agricultura resiliente às mudanças climáticas em novo projeto financiado pelas Nações Unidas.

O Semiárido do Nordeste brasileiro, o Grande Chaco Americano — compartilhado por Argentina, Bolívia e Paraguai — e o Corredor Seco da América Central participam do DAKI-Semiárido Vivo, iniciativa financiada pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), da ONU.

A ação é executada pela Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA), a Fundação Argentina para o Desenvolvimento pela Justiça e pela Paz (FUNDAPAZ) e pela Fundação Nacional para o Desenvolvimento de El Salvador (FUNDE).

Em agosto (18), representantes dessas organizações reuniram-se em evento online para o lançamento do projeto, cujo foco são territórios de áreas secas que enfrentam crescentes processos de desertificação e são afetadas pelo aumento da temperatura do planeta e pela ocorrência de eventos climáticos extremos.

“Esta tarde damos outro passo importante na articulação e intercâmbio de conhecimentos que envolvem dinâmicas sociais, culturais, econômicas e políticas nas regiões semiáridas de toda a América Latina”, disse no lançamento Alexandre Pires, da coordenação nacional da ASA.

“Espero que este projeto possa aproximar ainda mais a aliança da Plataforma Semiáridos da América Latina e a ASA com os governos locais e nacionais, com o FIDA e outras agências multilaterais, em defesa de um enfoque político que tenha em seu centro a proposta da convivência com o Semiárido.”

Segundo Gabriel Seghezzo, da Plataforma Semiáridos e da Fundação para o Desenvolvimento da Justiça e Paz, o conceito de Semiáridos adotado no projeto é “político, climático, social, econômico e cultural.”

“(O conceito de) Semiáridos expressa um nome emblemático porque não evidencia apenas regiões com semelhanças climáticas e de paisagens. Há também outras semelhanças mais profundas: diversidade cultural, que nos orgulha; diversidade biológica que dá à região um potencial de desenvolvimento; o histórico de trabalho social e organizativo que gera uma massa crítica institucional impressionante”, disse.

Há ainda milhares de organizações indígenas e campesinas com lutas semelhantes, diagnósticos e soluções que podem debater e pensar em direção ao futuro, afirmou, “para juntos, vencerem a exclusão e a marginalização, que também são características comuns em nossas regiões”.

De acordo com dados citados pela ASA, das 800 milhões de pessoas em situação de fome no mundo, metade são agricultores e agricultoras que vivem em regiões semiáridas, cuja realidade se agrava com o fenômeno da crise climática. A emergência do clima torna ainda mais crítica a dificuldade no acesso à água de qualidade, bem como à segurança alimentar e a outros direitos humanos básicos.

O Projeto DAKI-Semiárido Vivo e os programas da ASA atuam no estoque de água para a produção de alimentos e de sementes crioulas, tendo como um de seus princípios de ação a valorização do conhecimento dos povos do Semiárido.

“Mas o projeto não só propõe reconhecer e valorizar. Sua proposta é construir metodologias para que este conhecimento popular sistematizado ganhe força para impulsionar a criação de políticas públicas de diferentes âmbitos governamentais”, declarou Antônio Barbosa, coordenador do Projeto Daki-Semiárido Vivo.

“Queremos destacar a importância do conhecimento tradicional, que respeitado e em diálogo com o conhecimento acadêmico podem enfrentar as mudanças climáticas e seus impactos na vida e nos territórios semiáridos da América Latina”, disse.

Para Claus Reiner, gerente de programas do FIDA para o Brasil, “são diversos os sistemas de que (as famílias rurais) necessitam para sobreviver”. “Estas práticas agrícolas resilientes ao clima são muito importantes, e é o que o projeto vai fazer: identificar, analisar e documentar, através de diferentes formas, as práticas agrícolas resilientes ao clima.”

A moderadora do evento, Zulema Burneo, coordenadora da Coalizão Internacional pela Terra (ILC) para América Latina e Caribe, salientou que projetos como o DAKI-Semiárido Vivo são parte de um processo maior capaz de gerar capital social e humano a partir de relações sustentáveis entre organizações sociais e agricultores, indígenas, campesinos e quilombolas.



Fonte: ONUBr



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