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Sensores de CO2 e janelas abertas: duas armas essenciais contra a Covid-19

Compartilhe:     |  28 de maio de 2021

Com a flexibilização do lockdown na França, em 19 de maio, o prolongamento do toque de recolher e a reabertura de vários estabelecimentos, as medidas para medir a qualidade do ar e o risco de infecção pelo SARS-Cov-2 se tornaram fundamentais. O Alto Conselho de Saúde Pública do país recomendou, no dia 5 de maio, que “as janelas sejam abertas a cada cinco minutos” nos locais onde exista essa possibilidade, ou instalar uma ventilação mecânica que permita renovar o ar – caso de empresas e museus, por exemplo.

A medida é essencial para evitar a transmissão aérea que, já sabe, tem um papel fundamental na expansão da epidemia. As partículas respiratórias menores, conhecidas como aerossóis, podem ficar suspensas durante horas no ar e transportadas a longas distância. Neste contexto, não é difícil de imaginar o risco dentro de empresas, escolas, restaurantes, supermercados, hospitais ou salas de espera, além de outros espaços fechados.

A transmissão aérea do SARS-Cov-2 pode ocorrer mesmo com o uso correto da máscara e o respeito à distância de dois metros, principalmente em locais fechados. Em abril, a OMS (Organização Mundial de Saúde) confirmou que uma pessoa pode ser contaminada se respirar microgotículas suspensas do vírus, invisíveis a olho nu, que medem cerca de um micrômetro de diâmetro. Quando um indivíduo contaminado expira, emite gotículas de saliva que podem conter o SARS-Cov-2, mesmo sem sintomas. Em uma conversa, a quantidade expelida pode ser multiplicada por 10.

Sensores de dióxido de carbono

Com a flexibilização do lockdown, a imprensa francesa critica “as medidas insuficientes” para tornar os locais públicos mais seguros, como a instalação generalizada, por exemplo, de sensores de dióxido de carbono. Os equipamentos, de baixo custo, permitem acompanhar em tempo real a qualidade do ar, e a necessidade de arejar o ambiente para evitar o acúmulo das microgotículas de SARS-Cov-2.

A empresa alemã Theben, que fabrica o equipamento, já vendeu 8.600 sensores na França desde o início do ano – a grande maioria para estabelecimentos escolares. O novo produto lançado pela marca funciona apenas com um cabo USB e cobre uma superfície entre 40 e 50 m2 em média. “O equipamento detecta o nível de dióxido de carbono, que é indicado por uma lâmpada em LED nas cores verde, laranja ou vermelha”, explicou à RFI Brasil a representante da empresa na França, Isabelle Noblecourt.

Apesar de ser menos popular na França do que na Alemanha, a demanda pelos sensores aumentou no país. “É muito fácil instalar o equipamento em uma escola. Talvez nem todos conheçam esse sistema, mas temos uma forte demanda. Ficamos surpresos”, declara a assistente de marketing. O equipamento ocupa pouco espaço e tem um custo acessível: cerca de € 144, o equivalente a R$ 917.

A representante da empresa alemã explica que se a concentração de gás carbônico for igual ou maior a 2000 ppm (partículas por milhão) o sensor acenderá a luz vermelha. A taxa indica um grande acúmulo de partículas e abrir as janelas é urgente.

“Neste caso, o ar está realmente viciado. O aparelho permite arejar o cômodo e sabemos que, com o SARS-Cov-2, isso é fundamental”, diz. “As janelas devem ser abertas assim que a luz indicar a cor laranja”, declara.

O ideal é que a concentração de CO2 esteja abaixo de 1000 ppm, mas especialistas recomendam que, na ausência do uso da máscara, como é o caso das pré-escolas na França, a taxa de concentração de dióxido de carbono se estabilize em 600 ppm – a título de comparação, a taxa é de 400 ppm ao ar livre.

É o que mostrou um estudo coordenado por Jean-Louis Roubaty, membro do Alto Conselho de Saúde Pública da França, no fim de março. A pesquisa foi realizada em um colégio em Yvelines, na região parisiense. Foram instalados sensores de dióxido de carbono nas cantinas, na sala dos professores e dos alunos. Segundo ele, uma concentração de partículas superior a 800 ppm indicou que a circulação do ar era insuficiente para conter a difusão do vírus.

O documento explica que a quantidade de CO2 em um espaço indica a proporção de ar que foi respirado dentro do local. Desta forma, uma concentração elevada de dióxido de carbono mostra que as pessoas já respiraram uma grande parte do mesmo ar. “Durante a respiração, o CO2 e os aerossóis são expelidos simultaneamente. Medindo o dióxido de carbono torna possível, desta forma, avaliar a quantidade de aerossóis presente e risco de ser contaminado pelo SARS-Cov-2”, diz o texto do relatório.

Comportamento nas escolas

O documento também conclui que o respeito às recomendações depende do comportamento dos professores nas escolas. Alguns deixam as janelas abertas, outros fechadas o termpo todo. Além disso, a maioria das máscaras não cobrem totalmente o rosto e têm aberturas laterais, por onde o ar contaminado pode entrar. Todos esses fatores criam probabilidades que juntas, vão aumentar estatisticamente o risco de infecção.

Os especialistas franceses lembram também que metade das contaminações tem como vetores indíviduos assintomáticos ou com sintomas leves, que não espirram ou tossem. Além disso, a contaminação pode ocorrer mesmo depois que a pessoa deixar o espaço, o que demonstra como arejar o ambiente é indispensável.

Em entrevista ao jornal Le Monde, o professor de Física Bruno Andreotti diz que o nível de 800 ppm em um local fechado “é aceitável”, desde que a máscara seja utilizada corretamente. O ideal, lembra, é colocar uma proteção do tipo PFF2 ou N95, que protegem o usuário. Neste contexto, parece praticamente impossível controlar as infecções dentro de um restaurante.

Do lado de fora dos estabelecimentos, diz, o risco diminui, mas existe: as pessoas conversam a uma distância pequena, sem máscara e podem inalar as microgotículas antes que elas dispersem no ar ou caiam no chão. Parâmetros como a velocidade do vento, por exemplo, que cria correntes de ar, devem ser levados em conta.

A conclusão é que não há flexibilização do lockdown sem risco e imunidade coletiva. A vacinação na França avança, mas menos de 15% da população está totalmente imunizada com duas injeções.



Fonte: G1



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