Trilhas da Paraíba

Serra da Raiz

Compartilhe:     |  19 de abril de 2020

Serra da Raiz é um município brasileiro da região Nordeste, localizado no estado da Paraíba. Pertence a Mesorregião do Agreste Paraibano e à Microrregião de Guarabira. Está distante 138 quilômetros de João Pessoa, a capital do estado. Sua instalação oficial ocorreu em 21 de janeiro de 1959. Porém, é considerada uma das mais antigas povoações do estado da Paraíba.

Serra da Raíz limita-se com ao Norte com Caiçara, ao Sul com Sertãozinho, ao Leste com Belém, e a Oeste com Duas Estradas e Lagoa de Dentro. Fica a uma distância até a capital de 138 km.

História

Serra da Raiz – Paraíba/PB

A história de Serra da Raiz, assim como as histórias da Paraíba e do Brasil, é recheada de conflitos que moldaram a formação de nosso município. Muitos conflitos, desde a época das capitanias hereditárias com a concessão de sesmarias até 1795, aconteceram, desde simples escaramuças indígenas a revoltas internas.

Quando o rei de Portugal criou as capitanias hereditárias, não existia entre elas a capitania da Paraíba. O território que, aproximadamente, corresponde a atual Paraíba era ocupado pela capitania de Itamaracá, cujo donatário não teve condições de tomar conta, deixando-as praticamente inexplorada, dominada pelos índios e frequentada pelos franceses que, “amigos” dos índios vinham constantemente buscar pau-brasil.

Enquanto isso, a capitania de Pernambuco, vizinha de Itamaracá, já estava muito próspera devido a grande produção de açúcar. Contudo, os senhores de engenho de Pernambuco sentiam-se incomodados pela vizinhança dos índios que habitavam Itamaracá, alegando que eles invadiam suas terras, destruíam suas lavouras e, instigados pelos franceses, os hostilizavam.

Por outro lado, ocorria que os franceses, diferentemente dos portugueses, não pretendiam tomar as terras dos potiguara e escravizá-lo, seu relacionamento com os índios era “amistoso”. Os potiguaras trabalhavam para os franceses, extraindo pau-brasil e embarcando-o em troca de objetos variados.

As hostilidades dos portugueses com os potiguaras se agravaram muito após a chamada “Tragédia de Tracunhaém”, incidente acontecido durante o período de colonização do Brasil, no ano de 1574, no qual índios mataram todos os moradores de um engenho chamado Tracunhaém em Pernambuco. Centenas de índios massacraram colonos e escravos de um engenho. A origem do nome “tracunhaém” vem do tupi e quer dizer “formigueiro” ou “panela de formigas”, segundo Teodoro Sampaio.

A região que compreende o município da Serra da Raiz é vinculada a esse histórico episódio que deu início a colonização da Paraíba. Segundo historiadores, esse episódio ocorreu devido ao rapto e posterior desaparecimento de um índia, filha do cacique potiguar, o índio Ininguaçu ou Ininguassu, no Engenho de Tracunhaém (PE).

Tragédia em Tucunhaém

O cristão-novo Diogo Dias adquiriu terras próximas a Goiania, no vale do Rio Tucunhaém, para estabelecer um engenho. Um aventureiro mameluco chegou à aldeia potiguara na Cupaóba do chefe Iniguassu. Esta aldeia compreendia as terras hoje correspondentes aos municípios de Serra da Raiz, Duas Estradas, Lagoa de Dentro e Sertãozinho, no Brejo Paraibano. O mameluco foi recebido com hospitalidade, chegando a casar com uma de suas filhas, índia de grande beleza, Iratembé (Lábios de Mel). O casamento exigia que o mameluco permanecesse na aldeia. Numa ausência do cacique, o rapaz resolveu voltar ao seu lugar de origem, levando a índia. A primeira providência de Iniguassu foi enviar dois de seus filhos a Olinda, em Pernambuco, para reclamar justiça.

Por sorte, encontraram em visita a Pernambuco, o governador do Brasil, Antônio Salema, que ordenou a volta imediata da bela índia à casa do pai. Na volta tiveram que pernoitar no Engenho de Tracunhaém, de Diogo Dias. Quando amanheceu o dia verificou-se o desaparecimento da índia, possivelmente escondida por Diogo Dias. Os seu irmão reclamaram muito mas nada conseguiram e voltaram para casa sem a irmã. Em pouco tempo, insuflados pelos franceses, os chefes potiguaras se reuniram para planejar a vingança. Movimentaram cerca de dois mil guerreiros da Paraíba e do Rio Grande do Norte. Os índios cercaram o engenho fortificado e usaram de um ardil: apenas alguns índios se deixaram ver para fazer crer que era ação de um pequeno grupo.

Quando os defensores do engenho saíram para contra-atacar, foram atacados por uma multidão de índios. Daí, segue-se a morte de todos os que moravam no engenho (proprietários, colonos e escravos), seguindo-se o incêndio do engenho. Sobrevivendo da família, apenas dois que estavam ausentes. Outros engenhos de Itamaracá também foram atacados, resultando em 614 mortes.

Mediante tal fato e os angustiosos apelos dos habitantes de Pernambuco, D. João III, rei de Portugal criou a Capitania Real da Paraíba, desmembrando-a da Capitania de Itamaracá.

Habitavam em seu território duas tribos indígenas, separadas apenas pelo Rio Paraíba. Além dos potiguaras, que já habitavam a Paraíba, vieram da região do Rio São Francisco os tabajaras. Havendo sofrido traição de portugueses Piragibe, palavra que significa “braço de peixe”, chefe dos tabajaras, resolveu abandonar a aldeia onde morava e, após percorrer o interior, chegou à Paraíba com sua tribo. Estas vivendo em harmonia até que os colonizadores portugueses conseguissem restabelecerem as boas relações.

Às vésperas do início das tentativas de conquista da Paraíba, tanto os franceses, em atos de pirataria e aliados dos índios potiguar que habitavam a região, quantos colonizadores portugueses, prelustravam a região em busca de ouro ou pedras preciosas que supunham aflorar na Serra da Capoaba, e travaram inúmeros combates, até que Martin Leitão resolveu intervir, destruindo muito aldeiamentos indígenas e livrando a região dos franceses intrusos. Tendo sua origem datada a partir da concessão de sesmarias em 1795. Desde então recebeu várias denominações: Ganhamububa, Capochoba, Serra Copaoba e Serra de Raiz.

Por tudo isso é que o município de Serra da Raiz é considerado por alguns historiadores como um dos primeiros aldeamentos da Capitania da Paraíba, pois logo após a tragédia de Tracunhaém os colonizadores portugueses junto com os índios Tabajaras, que antes derrotara a tribo Potiguara do então aldeamento da Cupaoba, região que atualmente compreende os municípios de Serra da Raiz, Duas Estradas e Sertaõzinho, avançaram na colonização da Paraíba.

Cronologicamente, a nossa História teve muitos momentos “importantes”, dentre os quais podemos destacar que se fazia ponto de pousada dos conquistadores em nome de Portugal, quando buscavam a Serra da Copaoba, atual Serra da Raiz, entre novembro de 1585 e início de 1586. Período em que foi marcado pela violência com que os índios aqui contidos em mais de 40 aldeias, chefiados por Zerobabé, Pau Seco e Iniguassu, foram sumariamente dizimados até meados de 1795, inicialmente, pela truculência dos comandados de Martim Leitão. Além dos mortos e alguns prisioneiros feitos, incendiaram suas aldeias como garantia de que não mais interfeririam na posse da terra paraibana. A mão armada da Corôa se fazia anunciar como poderosa e impiedosa.

Dentre os primeiros colonizadores do município destaca-se um Senhor Major Costa que construiu, no pequeno aglomerado, uma rústica indústria de beneficiamento e fiação de algodão, conhecida como “Bolandeira”, fator primordial para que se construi-se novos prédios em suas imediações, proporcionando o crescimento e o progresso da povoação. Posteriormente foram construídas a Casa Grande, a Senzala, um curral e com a doação de uma faixa de terra pelos seus moradores, foi construída a Capela do Senhor do Bonfim, em taipa, sendo elevada a categoria de paróquia no ano de 1870, pelo Padre Emídio Fernandes. Contudo, nos arquivos da Paróquia da Serra da Raiz está registrado como primeiro pároco o Padre Sebastião Bastos de Almeida. Possuindo a Capela, pequenas dimensões para o número de adeptos, foi totalmente reconstruída em alvenaria na década de 1900, e hoje é a sua igreja matriz, ainda, sob o orago do Senhor de Bonfim.

O nome do município, Serra da Raiz, derivou-se de uma raiz de propriedades medicinais, hoje desconhecida, que se encontrava na localidade, a qual foi muito utilizada no passado pelos silvícolas. No entanto, em divisões territoriais datadas de 31 de dezembro de 1936, o distrito passa a se chamar Barra da Raiz. Porém, com o decreto-lei estadual, datado de 15 de novembro de 1938, o toponômio do então distrito de Serra da Raiz foi alterado para Cupaoba, em alusão a primitiva denominação da região, mas anos depois pelo decreto-lei nº 520, de 31 de dezembro de 1943, o distrito de Cupaoba volta a denominar-se Serra Raiz e perdeu parte do seu território para o novo distrito de Duas Estradas, no município de Caiçara. Segundo a tradição oral um antigo religioso chamado Frei Herculano teria pedido a modificação do nome da vila para Jerusalém, porém o nome não foi mantido.

Antes da sua emancipação político-administrativa, Serra da Raiz disputou acirradamente contra a cidade de Caiçara o domínio geopolítico da região. Esta rivalidade acarretou uma parcial paralisação do progresso dos dois povoados, fazendo com que os territórios da Serra da Raiz e de Caiçara fossem administrados pelo município de Guarabira até o ano de 1908, quando foi restabelecido o município de Caiçara (Lei 309, de 7 de novembro), do qual Serra da Raiz continuou como parte integrante de seu território até sua emancipação em 1959.

Em divisão territorial datada de 01 de julho de 1950, o distrito de Raiz da Serra ex-Cupaoba, figura no município de Caiçara. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 01 de julho 1955. Sendo elevado à categoria de município com a denominação de Serra da Raiz, pela lei estadual nº 1962, de 21 de janeiro de 1959, desmembrado de Caiçara. Sede no antigo distrito de Serra Raiz. Constituído de 2 distritos: Serra da Raiz e Duas Estradas/Sertãozinho, ambos desmembrados de Caiçara. Permanecendo assim, até 22 de dezembro de 1961. Onde, pela lei estadual nº 2058, desmembra do município de Serra da Raiz o distrito de Duas Estradas. Elevado à categoria de município.

Em divisão territorial datada de 31 de dezembro de 1963, o município é constituído do distrito sede. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2007.

Alterações toponímicas distritais

Serra da Raiz para Cupaoba alterado, pelo decreto-lei estadual nº 1164, de 15-11-1938. Cupaoba para Serra da Raiz alterado, pelo decreto-lei estadual nº 520, de 31-12-194

Hidrografia

No município encontra-se uma das  nascente do rio Camaratuba, rio que banha e faz parte das bacias do litoral norte do estado da Paraíba. O rio nasce no município de Serra da Raiz e deságua numa foz do tipo estuário entre os municípios de Baía da Traição e Mataraca. Próximo a sua foz, na Barra de Camaratuba, são disputados campeonatos de surfe em determinadas épocas do ano, em virtude de ser a porção do litoral paraibano onde há melhores ondas para a prática desse esporte.

O Camaratuba é um rio de médio porte, para a região, cuja foz permanece selvagem e oferece aos visitantes um cenário paradisíaco, emoldurado por dunas, manguezais e a mata atlântica. Em seu entorno, estão, de um lado as 24 vinte e quatro aldeias que compõe a reserva dos índios potiguaras e do outro a vila de Barra de Camaratuba integrada a 09 nove kilometros de praias desertas pertencentes a uma reserva ecológica. O rio pode ser explorado, por terra e por água, em pequenas embarcações, guiadas por locais, que adentram os manguesais intocados.

A bacia do rio Camaratuba

A bacia do rio Camaratuba situa-se na parte extremo leste do Estado da Paraíba. Está inserida em uma área pertencente a três microrregiões homogêneas do Estado paraibano, Agreste da Borborema, Brejo e Piemonte da Borborema. Conforma-se sob as latitudes 6º32’49’’ e 6º46’2’’ sul e entre as longitudes 34º57’49’’ e 35º27’59’’ a oeste de Greenwich, e tem como rio principal o rio Camaratuba; limita-se a sul com a bacia do rio Mamanguape , a leste com o Oceano Atlântico, a oeste com a bacia do rio Curimataú e a norte com as bacias dos rios Guajú e Curimataú. A bacia do rio Camaratuba drena uma área que mede cerca de cerca de 635,6 km2.

Turismo

Além das formações rochosas, do clima agradável e da elevação acima do nível do mar, Serra da Raiz, proporciona um espetáculo quase o ano todo no começo das noites e das manhãs, com uma branda névoa que ilustra a paisagem. Cenário perfeito para quem busca tranquilidade, ar puro e contato com a natureza.

Fonte: Site Oficial de Serra da Raíz



Fonte: Site Oficial da PMSR



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