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Seu filho é mais baixo que os amigos da mesma idade dele. E agora?

Compartilhe:     |  14 de setembro de 2014

Seu filho é o mais baixo da turma. Quando os colegas dele vão à sua casa, você faz comparações e fica preocupado. A própria criança pergunta: “Por que sou sempre o menor?”. Essa observação é comum: de acordo com levantamento do Archives in Disease in Childhood, no Reino Unido, 97 em cada 100 indivíduos manifestam, na infância, o desejo de ser mais altos. Mas, afinal: como saber se a baixa estatura realmente é motivo de atenção?

Para tirar a dúvida, a melhor opção é procurar o pediatra. Mesmo que não seja detectado nenhum problema, ele tranquilizará a família. De acordo com a pesquisa, somente 1 em 5 crianças apresenta uma razão médica para a altura abaixo da média. Buscando descobrir se o seu filho realmente precisa de cuidados, o médico analisará a chamada curva de crescimento, um gráfico que leva em conta o sexo e a idade para determinar se o paciente está com a altura compatível à faixa etária.

Em seguida, será necessário observar o padrão familiar. A fórmula matemática é simples: soma-se a altura da mãe à do pai. Se for um menino, o médico adicionará 13 ao resultado, e para meninas, subtrairá 13 (já que a diferença média de altura entre os gêneros é de 13 centímetros). O resultado deve ser dividido por 2 e será o tamanho esperado para a criança, com margem de erro de 8 cm para mais ou para menos. Um exemplo: se a mãe da menina mede 160 cm e o pai, 180 cm, devemos somar os índices: 340 cm. Subtraímos 13 (327 cm) e dividimos por 2: 163,5 cm. Isso significa que a garota poderá medir de 155,5 cm a 171,5 cm. É importante fazer este cálculo porque, mesmo abaixo da curva, a criança pode estar saudável por seguir o padrão de altura familiar.

Outro sinal importante a que o pediatra ficará atento é o ritmo de crescimento do seu filho. “O acompanhamento constante é essencial. A altura não deve ser analisada como uma foto, mas como um filme. A desaceleração no processo de desenvolvimento pode representar um indício de problema”, afirma Cristiane Kopacek, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Note se, no decorrer de 1 ano, a criança não perdeu roupas nem sapatos e, se todos continuaram servindo perfeitamente, comente com o pediatra.

Próximos passos

Caso seja detectada alguma alteração nessa análise – altura abaixo do padrão familiar ou desaceleração do crescimento, por exemplo –, o especialista questionará os pais para tentar descobrir a causa. É importante levar em conta se a criança tem baixo peso, anemia, problemas no fígado, nos rins ou na tireoide, intolerância alimentar ou asma mal-controlada.  É  indicado se consultar com um endocrinologista, que fará exames complementares, se necessário.

Provavelmente, o médico pedirá o raio-X do punho, que estipula a idade óssea da criança. Há a possibilidade de haver um atraso no crescimento e na puberdade – aos 8 anos, por exemplo, o paciente tem idade óssea de 6. Isso significa que ele pode ter potencial para crescer mais, futuramente.

Também existem situações em que a idade óssea é mais avançada que a cronológica. Preste atenção se a sua filha, antes dos 8 anos, já apresenta brotos mamários, odor nas axilas e pelos pubianos; e, no caso dos meninos, se houve aumento dos testículos, aparecimento de pelos e odor axilar antes dos 9 anos. A antecipação desses sinais pode significar, no futuro, interrupção precoce do processo de crescimento. “É importante que o médico analise se é necessário, com tratamento hormonal, adiar a puberdade. Nem sempre é preciso intervir, mas deve ser feita a investigação”, explica Cristiane.

No caso das meninas, é recomendável fazer um exame adicional, de cariótipo, que detectará se elas têm a síndrome de Turner – a alteração acomete 1 a cada 2.000 garotas. A doença se caracteriza pela perda do material genético do cromossomo X, que, além de baixa estatura, causa problemas cardíacos, renais e perda da puberdade espontânea. O diagnóstico é importante para evitar o aparecimento dos demais sintomas.

Outro cuidado que o médico tomará é analisar se o seu filho tem déficit do hormônio de crescimento, o chamado GH, por meio de exames de sangue. “Além de alterar a estatura, essa substância também é responsável pelo equilíbrio das taxas de açúcar no sangue e pelo aumento da massa óssea”, esclarece Cristiane. Portanto, quanto mais precocemente for detectado o problema, melhor será a recuperação.

Tratamento

Após descobrir qual a causa da baixa estatura, o endocrinologista pode direcionar a intervenção para a raiz do problema. Nos casos de síndrome de Turner e de deficiência de GH, por exemplo, o Estado brasileiro custeia as injeções diárias do hormônio.

É importante que o tratamento só seja adotado com orientação de um especialista. “Existe uma pressão para que as crianças alcancem certo padrão, por razões estéticas. Mas quem deve fazer a avaliação e estabelecer o custo-benefício do tratamento é o médico”, explica Luis Eduardo Caliari, endocrinologista do Hospital São Luiz Morumbi (SP). Vale alertar que pode haver efeitos colaterais, como aumento do nível de açúcar do sangue, dor de cabeça e nas pernas, e crescimento anormal do osso da bacia. Por todas essas razões, controle a ansiedade. “Os pais precisam entender que há uma variação grande de altura entre as crianças. O especialista saberá avaliar se a diferença de estatura é realmente preocupante. Mas é preciso aceitar: seu filho pode ser baixo sem que, necessariamente, haja um problema de saúde por trás disso”, completa.

Cuidados

Para que a criança tenha condições de crescer de acordo com seu potencial, é importante que ela tenha hábitos saudáveis. Alimentação balanceada, com todos os grupos nutricionais, e fontes de cálcio (como queijo e leite) são essenciais para estimular o desenvolvimento. Além disso, oriente que ela durma o período necessário por noite. Entre 4 e 5 anos, por exemplo, é necessário que descanse de 11 a 12 horas. “O hormônio do crescimento é secretado em picos durante o sono”, diz Caliari. A atividade física também é importante, embora sua associação com a altura seja polêmica. “Pelo sim, pelo não, podemos ter a certeza de que o esporte colabora para a melhora geral do funcionamento do organismo”, completa o especialista.



Fonte: Revista Crescer



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