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Seus ossos liberam um hormônio que faz você entrar em pânico, diz estudo

Compartilhe:     |  15 de setembro de 2019

Qualquer um que já tenha dito que estava com “um frio na espinha” poderia estar falando mais literalmente do que pensávamos. Um novo estudo publicado na última quinta-feira (12) parece mostrar que, tanto em ratos quanto em humanos, os ossos secretam um hormônio em reação a situações estressantes. Além disso, esse hormônio ósseo parece ser crucial para nosso mecanismo de luta ou fuga, de uma maneira completamente separada de outros químicos de estresse conhecidos como a adrenalina.

Gerard Karsenty, geneticista da Universidade de Columbia, e seus colegas há muito tempo se interessam em estudar como nosso esqueleto nos mantém vivos e saudáveis ​​- não apenas nos suportando fisicamente, mas também pelas interações que ele tem com o resto do corpo. O trabalho de pesquisa se concentrou na osteocalcina, um hormônio produzido por algumas das mesmas células que compõem os ossos. A pesquisa anterior dele e de outros sugeriu que a osteocalcina ajuda a regular diversas funções, como metabolismo, a função muscular durante o exercício físico e fertilidade.

“O que descobrimos é que você não precisa necessariamente das glândulas suprarrenais para produzir essa resposta aguda ao estresse, pelo menos em ratos”.

Nesse sentido, a osteocalcina funciona como outros hormônios produzidos pelas glândulas e órgãos que compõem nosso sistema endócrino. Por isso, Karsenty e sua equipe argumentaram que o esqueleto deveria ser considerado um órgão endócrino. Essa linha de pensamento levou a equipe de Karsenty a teorizar que nossos esqueletos poderiam ter evoluído para nos ajudar a responder melhor ao estresse também, já que essa é outra função essencial do sistema endócrino. E se for esse o caso, a osteocalcina também deve ter um papel importante.

Para testar essa teoria, eles primeiro realizaram experimentos em ratos. Eles expuseram os pobres roedores a várias fontes de estresse agudo, como privá-los ou fazê-los cheirar a urina de raposas, um predador comum. A julgar pelos exames de sangue, a equipe descobriu que camundongos estressados ​​produziam mais osteocalcina poucos minutos após sua provação.

Eles então passaram para os humanos. Mas como a urina da raposa não tem o mesmo efeito sobre nós, Karsenty pediu aos voluntários que falassem em público e depois respondessem perguntas. Como esperado, a pressão sanguínea e a frequência cardíaca das pessoas aumentaram, assim como os níveis de osteocalcina.

As descobertas da equipe foram publicadas na quinta-feira no Cell Metabolism.

Outros experimentos genéticos em ratos sugeriram que a osteocalcina afeta diretamente uma parte do cérebro chamada amígdala, uma região conhecida por nos ajudar a processar emoções como o medo. Mas o mais importante é que esse caminho dos ossos para o cérebro não parece envolver as glândulas suprarrenais – o órgão localizado no topo dos rins, visto há muito tempo como chave da reação de luta ou fuga.

Pode ser, inclusive, que a osteocalcina seja mais importante para nos fazer reagir diante do perigo do que nossas glândulas suprarrenais. Em ratos criados para serem incapazes de responder à osteocalcina, sua reação de luta ou fuga foi drasticamente silenciada, mas o mesmo não ocorreu quando os ratos não possuíam glândulas suprarrenais. Esses ratos ainda eram capazes de se sentir estressados ​​rapidamente.

“O que descobrimos é que você não precisa necessariamente de glândulas suprarrenais para produzir essa resposta aguda ao estresse, pelo menos em ratos”, disse Karsenty. “E isso pode explicar por que mesmo pessoas sem adrenalina ainda podem ter uma resposta intacta”.

Na teoria de Karsenty, adrenalina e outros hormônios não são inúteis para nosso mecanismo de luta ou fuga. Por um lado, algumas de nossas células nervosas produzem adrenalina e um hormônio relacionado chamado noradrenalina também. A equipe do estudo pensa que a produção de osteocalcina desencadeia a liberação desses hormônios no cérebro, que regulam outros aspectos de nossa resposta aguda ao estresse. Nossas glândulas suprarrenais provavelmente ainda estão desempenhando seu próprio papel, mesmo que não seja a responsável por nos mandar correr quando vemos um tigre ou uma aranha.

Ainda há muito trabalho a ser feito antes que possamos reescrever os registros sobre estresse e adrenalina. Isso envolverá novas experiências com outros animais de teste e com pessoas. Mas, ainda assim, esta é a pesquisa mais recente que mostra que o corpo é mais complicado e interconectado do que imaginávamos.

“Não estudamos o corpo há tanto tempo como as pessoas imaginam. Temos estudado grupos de células isoladas umas das outras”, disse Karsenty. “Mas o que a genética de ratos agora permite é que olhemos para a função dos órgãos e como os hormônios e as moléculas mediam sua função em todo um organismo complexo”.



Fonte: GIZMODO - Ed Cara



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