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Síndrome do fim do ano em tempos de Covid-19: como lidar com o estresse e a tristeza

Compartilhe:     |  19 de dezembro de 2020

Dezembro é sinônimo de fechamento de ano nas empresas, realização de balanços pessoais e profissionais, Natal e réveillon. Apesar de ser uma época de comemorações, cuidar de todos os preparativos e lidar com as avaliações internas e externas contribui para o aumento do estresse e da tristeza entre os brasileiros, a chamada “síndrome do fim do ano” — que devido à pandemia da Covid-19, pode ser ainda pior em 2020. Como lidar com todas essas questões e ter habilidades para enfrentar esses sentimentos?

— Fim do ano é uma época de fazer um balanço sobre o que foi feito e o que não foi, e isso tem um peso das expectativas. É um momento de refletir, fazer uma conta que às vezes não fecha, sobretudo em um ano tão atípico quanto esse. É normal ocorrer o estresse e um certo entristecimento, pelo que não foi alcançado — explica a psicóloga Renata Bento, membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro.

Luciana Mescolin, psicóloga clínica da Rede Silvestre de Saúde, afirma que a ocorrência e o grau dos sentimentos negativos variam de acordo com a personalidade de cada pessoa.

— Normalmente no fim do ano é feita uma avaliação muito natural de como foram os últimos 12 meses, mas algumas pessoas são mais reflexivas. Se a pessoa é mais perfeccionista, mais exigente, isso vai afetando mais mentalmente. Precisamos lidar com as situações de forma mais saudável, entendendo que estamos aprendendo e melhorando a cada dia — afirma Mescolin.

As consequências da pandemia também podem contribuir para piorar esse estado mental. Ter que justificar aos filhos um presente mais em conta para caber no orçamento ou lidar com uma ceia de Natal diferente são exemplos de alguns possíveis complicadores.

— Muitas vezes as pessoas esperam esse momento para reunir a família, e esse ano isso não vai poder ocorrer da forma que se imaginava. As questões econômicas também podem servir de gatilho para problemas mais sérios — afirma Bento.

Saiba quando buscar ajuda

Renata Bento explica que sentimentos de tristeza são comuns, mas que em alguns casos podem evoluir para uma depressão. Ela conta que no hemisfério Norte é comum ocorrer nesta época a chamada “depressão sazonal”, que tem relação com a troca de estação e os dias mais curtos e frios. Já no Brasil, a pandemia também pode ser um gatilho este ano. Por isso é preciso estar atento à saúde mental e identificar se há necessidade de buscar ajuda profissional.

— A tristeza tende a ser momentânea. Já a depressão vai se arrastando, o esforço passa a ser maior para coisas que eram relativamente simples. Há um sentimento de tristeza intenso, pensamentos ruins, falta de esperança. Nesse caso é preciso buscar ajuda — afirma a psicóloga, mas pondera: — Na verdade, a ajuda pode ser procurada até antes de chegar a esse ponto, sempre que algo não vai bem dentro da gente.

Mescolin também ressalta que se o estresse ou a ansiedade com o futuro estão muito intensos, em alguns casos indo para um lado compulsivo de alimentação ou organização, também é um sinal de que é necessário buscar auxílio profissional.

— O estresse é uma resposta do organismo a situações que a pessoa não está lidando bem, e ele pode causar várias outras doenças. — alerta a psicóloga — Se a pessoa não consegue dar uma resposta positiva diante das situações, seja por depressão ou por estresse, é hora de procurar ajuda.

Dicas para lidar com o estresse e a tristeza no fim do ano

Não se cobre tanto – A crítica excessiva amplia o estado emocional ruim. Não seja tão crítico consigo mesmo pelo que não foi possível realizar este ano e pense adiante. Faça uma autoavaliação, mas com generosidade, pensando o que pode ser melhorado.

Faça planos a curto prazo – Dezembro é a época de fazer resoluções para o próximo ano. No entanto, mais do que nunca vivemos um momento de muitas incertezas. Prefira fazer planos a curto prazo, ou se fizer um planejamento mais longo, tenha em mente que poderá precisar ser adaptado no meio do caminho.

Busque prazer em atividades simples – Muitas atividades estão restritas este ano, seja pela realidade da pandemia ou por questões econômicas. Tente buscar o prazer em coisas simples, como ouvir uma música, assistir um filme, cozinhar… Algo que possa ser uma válvula de escape e um momento feliz.

Reúna a família mesmo que à distância – Se não for passar o fim de ano fisicamente perto da família, use a tecnologia para estar presente mesmo à distância. Tente ver a situação de forma positiva, como um cuidado de proteção que se está tendo com os entes queridos.

Se planeje financeiramente – Muitas pessoas estão desempregadas ou com a renda familiar reduzida este ano. Busque se organizar e respeite seus limites, se preciso faça uma ceia mais simples, por exemplo.

Evite excessos – Fique atento para não descontar o estresse em compulsões, seja na alimentação, organizando a casa sem parar, ou em outros hábitos exagerados.

Cuide da saúde física e emocional – Todos os dias separe um momento para relaxar, respirar fundo e entrar em contato com os sentimentos. Procure dormir o suficiente, se alimentar bem, fazer exercícios e pegar sol. São recursos naturais, que contribuem para diminuição do estresse, ansiedade e tristeza.



Fonte: Extra - Raphaela Ramos



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