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Só um terço dos principais rios do planeta corre livremente, diz pesquisa

Compartilhe:     |  10 de maio de 2019

Apenas um terço dos grandes rios do mundo continuam fluindo livremente, devido ao impacto de represas que estão reduzindo os benefícios que os rios saudáveis ​​fornecem às pessoas e à natureza, de acordo com uma análise global publicada na revista Nature.

Bilhões de pessoas dependem dos rios para água, comida e irrigação. Porém, os maiores rios estão fragmentados e degradados. Os intocados estão confinados em lugares remotos, como o Ártico e a Amazônia.

A avaliação, a primeira a abordar o assunto em nível mundial, examinou 12 milhões de quilômetros de rios e descobriu que apenas 90 dos 246 rios com mais de 1 mil km de comprimento fluíam sem interrupção.

Pior: os cientistas ficaram preocupados em notar que apenas um quarto dos rios longos que fluem livremente para o mar – em vez de para um lago no interior ou para outro rio – ainda tem seus cursos naturais.

“Rios de fluxo livre são importantes para os seres humanos e para o meio ambiente, mas o desenvolvimento econômico em todo o mundo os torna cada vez mais raros”, disse o líder da análise, Günther Grill, da Universidade McGill, no Canadá, ao The Guardian. “Dois bilhões de pessoas tomam água dos rios para beber, então é importante que ela continue sendo uma fonte limpa.”

Os dados utilizados se referem a dez anos de análise de barragens e seus impactos no fluxo sazonal e no movimento de sedimentos, bem como diques, outros bancos artificiais e uso da água.

Grandes rios que correm livremente são raros em áreas povoadas. Rios fragmentados incluem o Danúbio, na Europa; o Nilo, no Egito; o Eufrates, o Yangtze e o Brahmaputra, na Ásia; o Paraná, na América do Sul; o Missouri, nos EUA; e o Darling, na Austrália. O Congo, na África, e o Amazonas, na América do Sul, são os menos afetados.

Ação humana
Outro estudo, que incluiu os efeitos de infraestruturas menores, como açudes, vaus e bueiros, sugere que 97% da rede fluvial do Reino Unido foram interrompidos por estruturas construídas pelo homem.

A prosperidade da vida selvagem nos rios é crucial para manter a água limpa, mas os habitats de água doce são os mais atingidos, com populações de animais selvagens caindo em média 83% desde 1970 devido a barragens, uso excessivo de água e poluição.

Rio Eufrates, na Ásia Ocidental (Foto: Alen Ištoković/Wikimedia Commons)

Anualmente, 12 milhões de toneladas de peixe são capturadas nos rios, fornecendo uma fonte vital de alimento, mas cerca de 500 milhões de pessoas estão vivendo em deltas (foz de rio) que estão afundando, enquanto as barragens os privam de sedimentos.

Para o pesquisador Grill, os rios precisam de mais proteção, mas ele ressalta que o comprimento das redes fluviais torna esses habitats mais difíceis de proteger do que as áreas de terra.

Consumo consciente
“Os rios são a força vital do nosso planeta”, declarou Michele Thieme, cientista da entidade ambiental WWF. “Enquanto a energia hidrelétrica tem um papel a desempenhar no cenário das energias renováveis, a energia solar eólica bem planejada pode ser uma opção mais viável para os rios e as comunidades e a biodiversidade que dependem deles.”

“A pesquisa fornece uma nova perspectiva crucial sobre o status dos rios, e sugere que sua sustentabilidade global é mais precária do que a atualmente reconhecida”, declarou Roy Poff, da Universidade Estadual do Colorado, nos Estados Unidos, que não participou das análises.

Para Poff, o crescimento da população dificulta o equilíbrio entre a demanda conflitante por água, comida e energia, com a necessidade de manter os rios saudáveis ​​e livres. “Atingir esse equilíbrio dependerá cada vez mais de análises rigorosas e avançadas, como exemplificado neste estudo.”

Rio Congo, na África (Foto: MONUSCO/Myriam Asmani/Wikimedia Commons)

Infraestrutura do mal
O maior impacto vem das barreiras físicas criadas pelas barragens, mas os reservatórios também afetam o fluxo sazonal natural dos rios. “Às vezes pode ser realmente estranho. Quando a eletricidade é produzida, uma hora depois o rio sobe e desce um metro, o que é muito estressante para os ecossistemas a jusante”, informou Grill.

O novo estudo estima que existem cerca de 60 mil grandes barragens em todo o planeta e 3,7 mil em planejamento ou construção, além de milhões de barragens menores.

Muitos rios também são cercados por bancos construídos por pessoas para evitar inundações em áreas urbanas, embora as águas das cheias possam acabar deslocadas. Esses bancos interrompem o reabastecimento natural de nutrientes no solo nas planícies de inundação.

Rio Danúbio corta a cidade de Budapeste, capital da Hungria (Foto: PxHere/Creative Commons)


Fonte: Galileu



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