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Sob o gelo da Antártica, cientistas descobrem evidências de ‘continentes perdidos’

Compartilhe:     |  16 de novembro de 2018

Um grupo de pesquisadores liderados por Jörg Ebbing, um geocientista da Universidade de Kiel, na Alemanha, descobriu evidências de que a parte oriental da Antártica é composta por vários “continentes perdidos”, que existiram há milhões de anos.

A Antártica é geralmente vista como apenas uma mancha branca no mapa do mundo, mas os cientistas conseguiram, com a ajuda de dados de satélite e da Agência Espacial Europeia, preencher essa área branca, identificando as características das rochas por debaixo do gelo.

Com isso, eles conseguiram ver que a Antártida Oriental é composta de múltiplos crátons — é assim que são chamados os núcleos dos continentes, que se mantêm relativamente estáveis por no mínimo 500 milhões de anos. Segundo os pesquisadores, esses núcleos representam continentes que vieram antes da Antártica que conhecemos.

— Essa observação remonta à separação do supercontinente Gonduana e à ligação da Antártica com os continentes circundantes — disse o líder do estudo, Jörg Ebbing, ao portal “Live Science”.

Para os cientistas, o supercontinente Gonduana, que se fragmentou há cerca de 180 milhões de anos, reunia a maior parte das zonas de terra firme que hoje constituem os continentes do hemisfério sul, incluindo a Antártida, América do Sul, África, Seicheles, Índia, Austrália, Nova Guiné, Nova Zelândia, e Nova Caledônia.

O satélite GOCE orbitou a Terra entre 2009 e 2013, mapeando o planeta
O satélite GOCE orbitou a Terra entre 2009 e 2013, mapeando o planeta Foto: Agência Espacial Europeia

As descobertas ajudam a revelar fatos fundamentais sobre a dinâmica tectônica da Terra e como as camadas de terra e gelo da Antártica interagem, explica Ebbing. Ele e sua quipe publicaram um artigo sobre o estudo no início deste mês na revista internacional “Scientific Reports”.

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores usaram dados da Agência Espacial Europeia e do satélite Ocean Circulation Explorer (GOCE), que orbitou a Terra de 2009 a 2013, reunindo informações sobre o campo de gravidade do planeta.

A força da gravidade difere muito ligeiramente de um ponto da Terra para outro, dependendo das mudanças na topografia e da densidade do interior do planeta. Medindo essas variações, o GOCE forneceu os dados para fazer um mapa completo da gravidade da Terra. Ebbing e sua equipe usaram outros dados de satélite para retirar, em computador, o gelo da Antártica e conseguir ver o leito de rocha embaixo.

Desse modo, conseguiram identificar que a crosta oriental da Antártida é mais espessa do que a da Antártica Ocidental: tem entre 40 e 60 quilômetros de espessura, em comparação com os 20 quilômetros do da parte ocidental. A crosta oriental é também uma mistura de crátons antigos, disse Ebbing, incluindo o Craton Mawson, que tem um fragmento correspondente no sul da Austrália.



Fonte: Extra



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