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Soja guaxa que germina em locais públicos pode propagar doenças

Compartilhe:     |  3 de agosto de 2014

A falta de regulamentação sob a destruição de pés de soja guaxa (ou soja tiguera) que germinam durante o vazio sanitário em locais públicos coloca a agricultura de Mato Grosso em risco. A planta pode colaborar para a permanência de doenças no campo, como a ferrugem asiática.

Em uma propriedade no município de Chapada dos Guimarães, a 65 quilômetros de Cuiabá, o gerente da fazenda, Aparecido Ferreira Neves, fiscaliza os talhões para ter certeza de que os grãos de soja que ficaram no campo após a colheita não germinaram. “Colhemos a soja e planta o milho. Vinte dias depois, quando toda a soja já germinou, entramos com o herbicida para controlar essa tiguera”. Como a fazenda fica às margens de uma rodovia, o terreno em frente à pista também foi pulverizado e será monitorado.

A destruição das plantas guaxas reduz a chance de que o fungo causador da ferrugem asiática sobreviva na entressafra. Entre os dias 15 de junho e 15 de setembro, durante o vazio sanitário, nenhum pé de soja pode permanecer vivo nas propriedades rurais. A responsabilidade pelo controle do surgimento da soja voluntária tanto nos campos, como em pátios e beiras de estradas é do produtor, mas elas também podem aparecer em vários outros lugares, já que durante o escoamento da safra muitos grãos ficam pelo caminho.

O coordenador de defesa vegetal do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea –MT), Rogaciano Arruda, diz que o órgão tem tentado arranjar uma alternativa para esse problema. “A forma paliativa que estamos encontrando pra tentar resolver isso é entrando em contato com os órgãos públicos e buscando essas parcerias para fazer a eliminação dessas plantas”, afirma.

O coordenador da Comissão de Defesa Vegetal do Ministério da Agricultura, Wanderlei Guerra, explica que mesmo fora das propriedades a soja guaxa também oferece risco. “A ferrugem é o que chamamos de hospedeiro obrigatório, ela precisa de uma planta viva pra sobreviver. Então é fundamental que a planta verde seja destruída”.

Guerra recomenda que a destruição dos pés seja realizada pelos produtores. “Apesar de não ser culpa do produtor, o que temos sugerido aos sojicultores é que eles assumam essa função provisoriamente, sobretudo na região médio-norte do estado. De Nova Mutum até Itiquira choveu muito nesses locais na entressafra e essas plantas estão vivas e cheias de ferrugem”.

O diretor técnico da Associação dos Produtores de Soja e Algodão de Mato Grosso (Aprosoja – MT), Luiz Nery Ribas, diz que a entidade tem se movimentado à respeito, mas acredita que o governo deve tomar uma iniciativa. “O governo federal tem que agir, tem que buscar meios pra fazer isso. Nós estamos abertos para uma parceria”.



Fonte: Globo Rural



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