Trilhas da Paraíba

Soledade

Compartilhe:     |  2 de Maio de 2015
Soledade é um município no estado da Paraíba (Brasil), localizado na microrregião do Cariri Ocidental. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no ano 2006 sua população era estimada em 12.716 habitantes. Área territorial de 560 km².
História
O município começou pelo núcleo de Soledade, primitivamente chamada “Malhada Vermelha”, parte componente de uma fazenda adquirida pelo português João de Gouveia e Sousa. Este se instalara numa das terras do riacho do Padre, que começa no Olho d’água do Tapuia-pega e estende-se até Barra das Vacas. Os netos do primeiro proprietário, José Alves de Miranda e José de Gouveia e Sousa, fizeram doação do patrimônio para uma capela, mas a primeira construção foi um cemitério levantado pelo missionário Ibiapina, para inumação de vítimas da segunda cólera-morbo que grassou no lugarejo, em 1864. Antes disto, os enterros se faziam em São João do Cariri, numa distância de 70 quilômetros. No cemitério, edificou o referido missionário uma capelinha, a qual, tempos depois, foi ampliada, ocupando toda a área do antigo Campo Santo. Em torno do templo, surgiu e cresceu a povoação que, anos adiante, foi elevada a sede de distrito com a denominação de Soledade, pela Lei provincial n.º682, de 3 de outubro de 1879. A Lei n.º 791, de 24 de setembro de 1885, elevou-a à categoria de vila, criando-lhe o município.
Geografia
Está situado no estado da Paraíba, na microrregião do Cariri Ocidental, tendo como coordenadas geográficas 7º 03′ 30″ de latitude Sul e 36º 21′ 47″ de longitude Oeste. Limita ao Norte com o Município de São Vicente de Seridó, ao Leste com os Municípios de Olivedos e Pocinhos, ao Oeste com o Município de Juazeirinho e ao Sul com os Municípios de Gurjão e Boa Vista, apresentando uma extensão territorial de 631,96 km.. Sua localização está as margens da BR – 230, com as seguintes distâncias entre essas cidades (ver Mapa).
Clima e vegetação
Seu clima é quente e seco, mas muito ameno na estação das chuvas, de março a agosto, quando a temperatura desce a 18º C. Durante o verão, a temperatura chega a alcançar 36º C, à sombra. Mesmo nessa época, as noites são suaves devido aos ventos alísios. Sus vegetação é predominantemente a Caatinga, típica do Semi-árido nordestino.
Economia
Suas atividades principais são agricultura e pecuária, possuindo expressividade no comércio e pouca industrialização. Possuem 156 empresas atuantes no município nos diferentes setores da economia (IBGE – 2001).
Cultura

A Prefeitura de Soledade, a 178 Km de João Pessoa, em parceria com a Museologia Benedito Filgueiras de Góis e a tutela do Instituto Histórico e Geográfico do Cariri, acaba de reinstalar, no centro desta cidade, o Museu Juarez Filgueiras de Góis, uma espécie de jóia rara da história regional e estadual, ao alcance de pessoas de todas as idades e níveis social e intelectual.

Fundado oficialmente em 29 de maio de 1999 e reativado há pouco mais de um mês com o acervo enriquecido, o museu resgata a história de objetos, fotos e documentos que pareciam apagados da memória da geração atual e, com isso, desempenha bem o papel de informar as ocorrências de um passado recente, próximo ou distante.

O projeto que tornou realidade a existência do museu baseou-se em renomadas fontes históricas, geográficas e culturais, que envolvem fatos do passado de Soledade, do Estado e da Microrregião do Cariri. O principal, objetivo do museu, hoje, é relatar a historicidade de objetos antigos da sociedade soledadense, levando, em consideração, a importância deles para identificar melhor as origens do município no âmbito antropológico, histórico, geográfico e cultural.
Uma das atrações da casa é o rico acervo de utensílios indígenas achados na região. São pilões de pedra, almofarizes, machados e objetos talhados para cortar. Até certo tempo, esses instrumentos, que possuem idade calculada entre dois e quatro mil anos, eram atirados ao lixo ou usados aleatoriamente nas casas da zona rural. Popularmente, os chamavam de “Pedra de Corisco”.
Na verdade, esses achados foram identificados, pela arqueologia moderna, como armas de guerra e trabalho fabricadas por aborígines de nação cariri ou tarairiu, que, em levas sucessórias, teriam passado por esta parte árida do Cariri e ali permanecido algum tempo, mesmo havendo escassez de frutos, caça e água.
Uma placa instalada dentro do museu confirma que, artefatos assim, são documentos arqueológicos que atestam a fixação, embora temporária, de povos primitivos nesta região, não importando que Soledade, através dos tempos, seja reconhecida como uma área seca, sujeita a longos períodos de estiagem. “Estudar pessoalmente esses objetos significa voltar a um passado primitivo, que muito tem a ver com a cultura e a formação do nosso povo”, declara o professor de história Juarez Filgueiras de Góis, patrono e fundador do museu.
Uma das seções do museu retrata, de forma característica, a zona rural caririense, tal como ela era de uns 50 anos para trás. Denominada A Casa que Vovô Morou, esta seção exumou relíquias domésticas muito usuais nas décadas anteriores a 1960, que fariam inveja a qualquer saudosista ou colecionador. Trata-se da estilização e da mobília de uma antiga casa de taipa, onde consta um relicário que a geração de hoje não conhece.
Logo na entrada, o visitante topa com uma lamparina a querosene, de bico duplo, alimentada por pavios de algodão. A peça ainda funciona. Potes rústicos de barro, pilões de madeira para a torrefação do café caseiro, quartinhas e bules de ágata, enchem a vista dos curiosos ávidos por saberem como era a vida doméstica na zona rural, num passado que não está muito longe de hoje.
Quem não se satisfizer com a visão já discriminada, na sala ao lado são vistos abanos de palha, usados para atiçar o fogo a lenha ou a carvão, pegadores de brasas e uma coleção de bisqüis de barro, que formam uma autêntica banda matuta, com o zabumbeiro, o violeiro, o sanfoneiro, o tocador de pífano e rebeca e o batedor de triângulo. Tudo isto não custa nada ao visitante. A direção do museu apenas coloca um livro de visitas na entrada e solicita que cada pessoa faça constar seu nome, profissão e procedência.
Você já viu um instrumento odontológico a pedal? Pois, vá até lá no Museu Juarez Filgueiras de Góis, que você verá um. É uma broca manual, cujo funcionamento dependia da habilidade de pedalar do operador. Surgida no Brasil talvez no início do século passado, esta geringonça era vista nas feiras do interior até a década de 1970, operada por leigos e diplomados.
A centenária máquina de pulverizar formigas de roça consta como outra atração. O fole, que sugere uma sanfona estranha, servia para atiçar fogo e veneno dentro dos formigueiros. Hoje, este método de “foliar”, está aposentado.
Quando os mestres navais portugueses chegaram ao Brasil, trouxeram para cá uma serra de fita manual, que era utilizada por escravos africanos. O tronco, que era situado sobre andaimes, devia ser retalhado em forma de tábuas. O trabalho, muito árduo, ocupava um escravo na parte superior e outro embaixo. Serrando sofrivelmente o dia inteiro, eles conseguiam tirar algumas tiras de formosos troncos de angico, sucupira, castanheira e acapul, as madeiras que os europeus encontraram em fartura nas terras brasileiras. O museu tem uma serra dessas, em perfeita conservação.
Os mateiros das décadas de 1910 e 1920 gostavam de exibir suas facas de mato embutidas em bainhas artisticamente trabalhadas. Uma faca exibida no museu de Soledade tem uma bainha confeccionada com chifre de carneiro. O cabo da faca, idem. Tanto o cabo da arma quanto a bainha possuem enfeites talhados à mão.
Nada disso teria validade se, num painel próximo, uma foto sexagenária não exibisse o comerciante Dino, um morador antigo de Soledade, orgulhosamente posando ao lado do seu automóvel Ford de bigode, fabricado em 1929. Este foi um dos primeiros carros a circular entre Soledade e Campina Grande.
Numa mesa central, garrafas de cerâmica fabricadas na Holanda, que acondicionavam vinhos franceses, estão à mostra ao lado de porcelanas inglesas, produzidas em Hong Kong. No meio deste acervo se destaca um busto sugerindo o bandeirante da Casa da Torre, na Bahia, responsável pela colonização de muitas glebas de terras do Cariri, Sertão e Curimataú. Da Casa da Torre saíram Pascácio de Oliveira Ledo e seu sobrinho Teodósio de Oliveira Ledo, respectivamente fundadores de Taperoá e Campina Grande.
Um informe do museu dá conta de que, geologicamente, a formação da crosta terrestre onde está situada Soledade teria se originado por volta de 474 milhões de anos, concentrando grande parte de pegmatitos da Borborema, onde se destacam minérios variados como berilo, columbita, espondumênio, cassiterita, tantalita e outros de valor industrial e comercial.
Fonte: Wikipédia – A União


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