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Sons do Pantanal estuda os barulhos emitidos pelos pássaros da região

Compartilhe:     |  11 de janeiro de 2015

As japuíras constroem ninhos que mais parecem bolsas penduradas nas árvores. Quando nascem os filhotes, é uma festa, a cantoria pode ser ouvida a distância. As flores que esses pássaros derrubam nas águas servem de alimento para os peixes. A integração entre a fauna e a flora é uma característica do Pantanal.

As belas paisagens encantam pelos sons. No caso das aves, algumas espécies emitem mais de 60 tipos diferentes de vocalizações, que podem indicar situações variadas, como alerta, medo, fome e acasalamento. A análise minuciosa desses sons pode revelar informações importantes que ainda são mistérios para a Ciência. Desvendar esses mistérios é o desafio de um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) e da Universidade de Bonn, na Alemanha, que coordenam um projeto de biomonitoramento acústico automatizado. São 20 câmeras que registram fotos e vídeos, além de 12 gravadores especiais para captar todas as vocalizações em uma área de 30 quilômetros quadrados. Charly Schuchmann, doutor em Ecologia Tropical da Universidade de Bonn, explica que cada espécie vocaliza em diferentes frequências, algumas até imperceptíveis aos humanos, por isso é tão importante ter qualidade da captação do som.

Os equipamentos são instalados em pontos estratégicos para captar imagem e som dos animais em diferentes ambientes. O monitoramento é feito em tempo real, 24 horas por dia. Uma vez por semana, os pesquisadores fazem a manutenção dos equipamentos e conferem as gravações. A pesquisa com essa metodologia já acontece há três anos na região e foram registradas até agora 24 mil fotografias e quase 30 mil horas de imagens e sons, um vasto material que será analisado pelos pesquisadores.

– Vamos ter ao vivo respostas que nos dão, em tempo real, o comportamento dos animais. Estamos fazendo o estudo das aves sob o aspecto do ciclo anual delas, e de aves que migram para cá, do Canadá, da Terra do Fogo, Amazônia, para um período de reprodução, alimentação, troca de penas… Vamos dar informações completas sobre o ciclo anual, informações importantíssimas para a conservação do ambiente – explica Marinêz Marques, doutora em Ciências Biológicas da UFMT.

O material coletado é analisado em laboratórios do Brasil, da Alemanha e da Bulgária. Um dos objetivos é criar um programa de computador capaz de identificar a espécie e o comportamento dela através do som que emite.



Fonte: Rede Globo - Como Será?



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