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Startup Air Protein cria proteína que imita carne a partir do ar

Compartilhe:     |  21 de novembro de 2019

“Ao transformar elementos do ar que respiramos em proteínas, isso revolucionará a maneira como abordaremos a produção de alimentos no futuro”

A startup Air Protein está desenvolvendo uma proteína que imita carne a partir do ar. “Ao transformar elementos do ar que respiramos em proteínas, isso revolucionará a maneira como abordaremos a produção de alimentos no futuro”, avalia a empresa que aposta na sustentabilidade baseada no não uso de terra e água, além de não depender de condições climáticas.

Para conceber um novo tipo de proteína em substituição à carne, a startup sediada em Berkeley, na Califórnia, está investindo em uma combinação de ar com água e nutrientes minerais. “Usamos energia renovável e um processo de produção de probióticos para converter elementos em uma proteína rica em nutrientes com o mesmo perfil de aminoácidos de uma proteína de origem animal, e repleta de vitaminas B.”

O produto é inspirado nos conceitos de ciclo fechado de carbono utilizados pela Nasa em missões espaciais de longa jornada. “A proteína encontrada na carne à base de ar é produzida usando processos naturais e completamente livres de pesticidas, herbicidas, hormônios e antibióticos”, informa.

Com uma estimativa de que a população mundial vai chegar a 10 bilhões de pessoas até 2050, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), é preciso encontrar meios de aumentar a produção de alimentos em 70% sem ampliar mais do que 5% da utilização de terra.

Pesando essa necessidade, a Air Protein defende que a “carne à base de ar” é uma das soluções, considerando que proteínas que demandariam meses para serem produzidas não levam mais do que dias no caso da “proteína de ar”.

“O processo é semelhante ao da produção de iogurte ou cerveja e requer apenas uma pequena fração da terra usada na produção tradicional de carne”, assegura.

De acordo com a CEO da Air protein, Lisa Dyson, nossos recursos naturais já estão sob extrema tensão em decorrência de insistirmos em um processo ultrapassado de produção de proteínas.

“O mundo está adotando a carne à base de plantas e acreditamos que a carne à base de ar é a próxima evolução do movimento de alimentos produzidos de maneira sustentável que servirá como uma das soluções para alimentar uma população em crescimento, sem sobrecarregar os recursos naturais”.

Finlandeses apostam em proteína de CO2

Recentemente a startup finlandesa Solar Foods desenvolveu uma tecnologia capaz de produzir proteína em pó a partir de uma combinação de eletricidade de fonte renovável, água e dióxido de carbono (CO2) capturado do ar.

Com essa mistura, os finlandeses criaram a Solein, que conta com 50% de proteínas em sua composição e é considerada uma fonte ilimitada, que não depende de clima nem de irrigação. “É livre das limitações agrícolas e dos limites da imaginação”, informa a empresa em seu site.

Em entrevista ao Telegraph, o CEO Pasi Vainikka declarou que para produzir a proteína sustentável eles estão trabalhando com um reator do tamanho de um homem.

“A fábrica em grande escala não teria reatores do tamanho de um homem, mas sim de um ônibus. Se você tem vários deles, de repente você está produzindo milhares de toneladas de [Solein] por ano”, enfatiza.

Fundada em 2017, a Solar Foods informa que enquanto 50% da composição da Solein é proteína, os outros 50% são compostos por carboidratos e lipídios.

“Acreditamos que a produção de proteínas não deve ser limitada pelos nossos recursos naturais. Também achamos que isso não deve sobrecarregar o meio ambiente”, informa.

E acrescenta: “O nosso bioprocesso garante proteínas naturais de CO2, água e eletricidade. É um processo de fermentação [microbiana] totalmente natural, com um produto final que parece e tem gosto de farinha de trigo. E a melhor parte? Não é limitado.”

A princípio a intenção da Solar Foods é fornecer a nova proteína como matéria-prima para a indústria de hambúrgueres à base de vegetais. O produto deve chegar ao mercado em 2021.



Fonte: Anda - David Arioch



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