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Startups contra o desperdício

Compartilhe:     |  14 de setembro de 2019

Jovens empresários desenvolvem soluções sustentáveis para a destinação de resíduos sólidos e reciclagem de lixo

Desde o início da recessão econômica no Brasil, em 2014, empresários têm se esforçado para encontrar soluções que ajudem a cortar custos e ganhar mais eficiência operacional. A gestão de resíduos sólidos é uma das opções. A nova Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) determina que o gerador desses materiais seja, também, o responsável pelo encaminhamento de seu descarte final em pontos de coleta seletiva. Enquanto muitos encaram isto como mais um entrave logístico, há no país empresas que fazem deste ciclo sustentável sua razão de existir. São as startups do lixo.

De acordo com estimativas da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), o Brasil gerou, em 2017, 78,4 milhões de toneladas de resíduos sólidos, dos quais apenas 59,1% foram destinados a aterros sanitários onde é possível identificar materiais que podem ser reaproveitados. O mercado de serviços de limpeza urbana, por sua vez, movimentou R$ 28,4 bilhões naquele ano. No entanto, esta cifra poderia ser mais elevada caso empresas investissem maiores esforços neste processo. “Fizemos uma análise inicial e esse mercado pode gerar facilmente R$ 45 bilhões por ano até 2030. Cerca de 10% dos resíduos sólidos gerados sequer são coletados”, afirma Carlos Silva Filho, diretor presidente da Abrelpe. Diante desse potencial, empreendedores com propósito forte, visão de negócio e apoio da tecnologia estão tentando fazer a diferença. É o caso das três histórias que contamos a seguir. Confira.

Blockchain do uso ao descarte

A Política Nacional de Resíduos Sólidos determina que as empresas que os geram também se responsabilizem por sua destinação final. Esta exigência obrigou empresários a profissionalizar o monitoramento da logística reversa destes materiais, de modo a garantir que estes fossem destinados aos pontos de descarte adequados às leis de proteção ambiental. Foi pensando na gestão deste processo que surgiu em São Paulo em 2015 a Plataforma Verde, um software por meio do qual é possível controlar em tempo real toda a cadeia de destinação de resíduos sólidos.

“Entendemos que esta seria a solução mais viável para gerenciar o fornecimento de materiais, processo produtivo e, também, a cadeia de destinação. No fim, auxiliamos as empresas a atender a legislação, a ter mais controle de suas atividades, reduzir tempo administrativo e a melhorar seu resultado financeiro na gestão ambiental”, afirma William Gerst, engenheiro ambiental e cofundador da Plataforma Verde ao lado de Chicko Sousa.

Projeto teve a Renault como incubadora

Por meio de uma estrutura de blockchain, os clientes cadastrados na plataforma têm uma visão integrada de todos os processos, podendo verificar perdas produtivas e geração de resíduos sólidos, emitir e armazenar documentos de compliance com as legislações municipais, estaduais e federais e acompanhar o fluxo financeiro gerado. Em 2015, o projeto ganhou o apoio da montadora Renault, que, além de incubá-lo, contribuiu, também, no desenvolvimento da ferramenta. Após um ano de testes, a Plataforma Verde abriu-se para o mercado como um todo em janeiro de 2017 e, atualmente, conta em sua base com 1,2 mil clientes espalhados por 140 cidades do Brasil.

Marketplace da reciclagem

VG Resíduos é um marketplace criado em Belo Horizonte que oferece sobras de linhas de produção a empresas especializadas no tratamento destes materiais. A plataforma traz ainda funcionalidades específicas para o controle das áreas geradoras, dos processos dos prestadores de serviços e dos documentos de compliance com as leis ambientais de forma 100% online.

Lançada em 2016, a empresa é um spin-off da consultoria ambiental Verde Ghaia e é gerida pelos sócios Deivison Pedroza, Guilherme Guzman e Guilherme Arruda, que ocupa o cargo de CEO. “O ciclo de descarte é caro e, muitas vezes, as empresas o fazem sem reaproveitar nada. Esta é uma grande dificuldade das organizações. Nossa ideia é transformar os prejuízos com resíduos em incremento de receitas”, afirma Arruda.

Para aderir à plataforma, clientes em potencial pagam mensalidades que variam entre R$ 700 e R$ 4.000. Atualmente, a VG Resíduos conta com uma rede de mais de 5 mil fabricantes e tratadores cadastrados, numa lista que inclui Bombril, Cargill e Magnetti Marelli. Segundo Arruda, a empresa já administra R$ 2,5 milhões ao mês em volume de resíduos sólidos.

Plataforma recebeu apoio da ONU

Presente no ranking 100 Open Startups 2018, que lista as startups brasileiras mais promissoras do Brasil, a VG Resíduos foi selecionada entre as 25 representantes nacionais no Accelerate 2030, programa desenvolvido pela United Nations Development Programme (UNDP) para apoiar iniciativas empreendedoras que contribuam para o cumprimento das Metas de Desenvolvimento Sustentável da ONU para 2030, ajudando-as a escalar seu trabalho internacionalmente por meio de encontros periódicos que ocorrerão em 16 países a partir de junho.

APP da coleta seletiva

Criado em 2018 em Caxias do Sul a partir da plataforma de marketplace OSucateiro.com, o PACSCRAP é um aplicativo que mapeia os resíduos sólidos nas cidades tanto para geradores, que recebem informações a respeito de pontos de coleta, como para coletores – catadores, órgãos públicos e cooperativas – que, por sua vez, sabem onde estão depositados e separados cada tipo de material de acordo com seu interesse.

Serviço mostra que empresas podem gerar receita com reciclagem

No ar desde janeiro de 2019, o PACSCRAP foi fundado pelo empresário Rafael Valentini com o objetivo de, além de mediar as trocas entre geradores e coletores, educar empresários e autoridades públicas a respeito dos incrementos nas receitas que o investimento no reaproveitamento de resíduos sólidos traz – segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), pode chegar a R$ 3 bilhões. “As empresas brasileiras não têm, muitas vezes, a informação de que investir em resíduos sólidos pode gerar retorno para suas operações. Por isso, somente 3% do que é descartado no Brasil é recuperado, enquanto que em países como o Canadá, este índice chega a 70%”, afirma Valentini, cuja plataforma está prestes a fechar o primeiro contrato de publicidade com uma empresa de Joinville (SC).

Texto: Pedro Araújo

Imagens: Reprodução



Fonte: Experience Club



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