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Substâncias presentes em protetores podem causar câncer e prejudicar corais

Compartilhe:     |  6 de fevereiro de 2021

Não se engane! O protetor solar de FPS superior a 50 não protege muito mais e pesa no bolso

Fique atento! O protetor solar de fator acima de 50 não protege muito mais que outros fatores e ainda pode conter maior concentração de ingredientes químicos que causam danos à pele. Um guia do Environmental Working Group (EWG, do inglês, Grupo de Trabalho Ambiental) mostra que apenas um quarto das opções de protetor solar produzidos nos Estados Unidos são de boa qualidade.

Food and Drug Administration (FDA, do ingles, Administração de Alimentos e Drogas) iniciou, em 2011, um processo de regulamentação dos protetores solares, exigindo veracidade nas informações de marketing, incluindo informações na embalagem quando o produto for resistente à água, além de testes de validação de proteção UVA/UVB. A EWG, entretanto, não acha que as exigências foram suficientes para criar um alto padrão de qualidade dos filtros solares no mercado, muitos ainda não são eficientes no combate aos raios nocivos à pele.

Um protetor solar de fator alto de FPS (filtro de proteção solar) não tem, necessariamente, proteção contra os raios UVA, mas apenas contra os raios UVB, e é justamente o raio UVA que causa mais danos à pele, pois ele penetra mais a fundo, além de possivelmente ser uma das causas do melanoma – um dos piores cânceres de pele. A EWG alerta também para os filtros solares que contêm ingredientes que podem ser prejudiciais, como por exemplo, a vitamina A ou retinol e o oxibenzona. Usado em muitos cosméticos e produtos de antienvelhecimento, a vitamina A pode acelerar tumores e lesões em peles expostas ao sol. Já o oxibenzona, presente em metade dos protetores solares nos EUA, funciona através da absorção dos raios ultravioletas. Porém, pesquisas revelaram que ele acaba sendo absorvido pela pele, podendo também desencadear reações alérgicas e alterar o sistema hormonal.

Ilusão dos altos fatores

E protetores com fator 100 não protegem tanto assim – eles se mostraram menos eficazes que os de fator mais baixo. O consumidor acaba sendo enganado pela ilusão de estar bem protegido, pois pensa que o fator 100 significa duas vezes mais proteção que o 50. Na verdade, quando aplicado propriamente, o protetor de FPS 50 protege em 98%, enquanto o de FPS 100 protege 99%. Além disso, existe uma tendência das pessoas que usam fatores altos de ficarem mais tempos expostos ao sol, já que possuem a falsa ilusão de estarem protegidos, e as pessoas que utilizam fator 30 ou 50 ficam mais atentas em aplicar mais de uma vez o protetor e/ou passar menos tempo tomando sol. Devido à maior concentração de produtos químicos para criar um FPS alto, esses protetores acabam apresentando maiores riscos à saúde, pois esses produtos são absorvidos pela pele. Não pague caro por um protetor solar que não te oferecerá muito mais proteção e além de tudo apresenta riscos a sua saúde. Um FPS 30 utilizado propriamente é o suficiente.

Mas não dependa também apenas do protetor solar. Outra crítica feita pelo EWG às medidas tomadas pelo FDA foi em relação à permissão de se colocar nas embalagens de protetores solares a menção de que se trata de um agente de prevenção contra o câncer de pele. De nada adianta passar protetor e ficar exposto ao sol nos períodos de intensos raios ultravioletas. Por ano, nos Estados Unidos, mais de 2 milhões de americanos desenvolvem câncer de pele, segundo o Nacional Câncer Institute (Instituto Nacional do Câncer). Por isso devem-se evitar queimaduras de sol, não usar o protetor solar como forma de prolongar o tempo de exposição ao sol, utilizar roupas próprias e não fazer bronzeamento artificial por câmaras de bronzeamento.

Outro problema é que a regulamentação da FDA não estabeleceu um alto nível de proteção UVA para permitir que a informação apareça nas embalagens, então quase todos os produtos são considerados como contendo proteção UVA/UVB, enquanto que muitos deles não seriam aprovados no mercado europeu. Na Europa, os protetores solares devem oferecer proteção contra os raios UVA em um terço da proteção UVB, isto é, se o produto possui FPS 30, a proteção UVA deve ser no mínimo 10. Mas os fabricantes nos EUA encontram uma barreira, dado que muitos produtos químicos permitidos na Europa não foram ainda aprovados pelo FDA, entre os quais se encontram químicos muito eficientes na proteção contra os raios UVA. No Brasil, no ano passado, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), aplicou a mesma exigência existente na Europa em relação à quantidade mínima de proteção UVA. No mais, ainda aumentaram o FPS mínimo de 2 para 6, os testes exigidos de comprovação da eficácia ficaram mais rígidos, e informações como a necessidade de reaplicação do produto se tornaram obrigatórias no rótulo da embalagem.

O uso de protetor solar contribui para o branqueamento dos corais?

Nos últimos anos, houve um aumento no interesse público, político e científico com relação aos efeitos que os protetores solares apresentam nos recifes de corais. Um artigo publicado no Journal of Environmental Toxicology and Chemistry resume a literatura científica que avalia os impactos desses cosméticos nos ecossistemas aquáticos.

Os especialistas puderam concluir que, embora os protetores solares ocorram em grandes quantidades no ambiente, há evidências limitadas para sugerir que sua presença está causando danos significativos aos recifes de corais. No entanto, eles alertam que, com base nas informações e dados disponíveis, seria prematuro dizer que os filtros não afetam negativamente esses ecossistemas. Nesse sentido, outros estudos apontam que os compostos químicos presentes em protetores solares podem causar adoecimento, branqueamento e morte dos corais.

Os cientistas apontaram para inúmeras lacunas de dados críticos em termos de exposição ambiental confiável e relevante e dados de toxicidade que precisam ser preenchidos antes que conclusões possam ser tiradas. Em seu artigo, Carys Mitchelmore e seus colegas descrevem uma série de recomendações para estudos futuros que avaliem o risco ambiental de protetores solares.

Mitchelmore acrescenta: “além de mais estudos de campo e de laboratório que levam em consideração as condições e as espécies dos recifes, é necessário desenvolver uma estrutura de avaliação de risco ambiental para corais. Investigar e priorizar estressores nos corais permitiria aos reguladores, legisladores e cientistas otimizar a conservação e atividades de gestão. ”

Por fim, tomar sol pode ser gostoso, mas fique mais atento aos períodos de fortes raios solares e, na hora de comprar um protetor, olhe bem as informações presentes na embalagem. Para mais dicas, acesse a matéria “Entenda o que é radiação ultravioleta“.



Fonte: Equipe Ecycle



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