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“Superninhada X”, com trilhões de cigarras, começa a emergir após 17 anos enterrada nos EUA

Compartilhe:     |  13 de maio de 2021

Insetos, que nasceram em 2004 e desde então viveram no solo, começam a voar e devem se espalhar por vários Estados nas próximas semanas; país se prepara para assistir ao fenômeno natural

As cigarras do gênero Magicicada, que é composto por sete espécies, têm um ciclo de vida curioso. Elas passam quase toda a vida como ninfas, um estágio primitivo em que o inseto fica embaixo da terra, a 60 centímetros de profundidade, se alimentando de nutrientes das raízes das plantas. Até que, após exatos 13 ou 17 anos (dependendo da espécie), começam a emergir do solo de forma sincronizada, em ninhadas gigantescas que saem voando pela América do Norte.

Nas próximas semanas, os EUA irão assistir ao aparecimento da “Superninhada 10” (Brood X), formada por três espécies de cigarra que nasceram em 2004 – e, agora, 17 anos depois, estão começando a emergir. A ninhada, que tem trilhões de insetos, está distribuída pelo centro-oeste dos EUA (veja mapa abaixo)

Essa ninhada de cigarras aparece uma vez a cada 17 anos (sua última geração surgiu em 2004, e a próxima ocorrerá em 2038), sempre entre o final de abril e o começo de junho, quando a temperatura do solo ultrapassa 18 graus e as ninfas saem do solo. Existem 16 superninhadas desse tipo de inseto – que, por seguir um calendário preciso, é conhecido como “cigarra periódica”. Com o aquecimento global, as superninhadas têm emergido cada vez mais cedo.

Área que deverá ser coberta pela Superninhada 10, composta por trilhões de cigarras de três espécies USDA/Reprodução

As cigarras saem do chão cavando e chegam a produzir pequenas torres de terra, com alguns centímetros de comprimento. Depois que abrem as asas, elas começam a voar e se reproduzir. As fêmeas colocam ovos fecundados e eles eclodem liberando ninfas – que cavam em média 60 cm para se enterrar no chão, onde passarão os 17 anos seguintes. Já as cigarras adultas morrem algumas semanas depois.

Trata-se de um fenômeno normal. Boa parte das cigarras é comida por predadores naturais, como pássaros, esquilos, gatos e répteis. Elas não são venenosas, não picam e não são um problema para a maioria das plantações – embora possam causar algum dano a árvores frutíferas e parreiras de uva. O principal estorvo é o barulho: o canto dos insetos chega a 105 decibéis, o equivalente a um show de rock.

A emersão sincronizada, com trilhões de cigarras saindo do chão ao mesmo tempo, é uma estratégia evolutiva. Ao fazer isso, os insetos conseguem superar seus predadores por “força bruta”: há tantas cigarras voando que, mesmo que boa parte delas seja comida, muitas outras conseguirão se reproduzir.

O aparecimento das superninhadas costuma ter efeito sobre outros animais: a população de gaio-azul, um pássaro da América do Norte que se alimenta de cigarras, aumenta após a erupção das cigarras, e se mantém elevada pelos três anos seguintes.



Fonte: Super Interessante - Por Bruno Garattoni



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