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Taboa, butiá, ovo-de-galo: veja itens desconhecidos e nutritivos

Compartilhe:     |  8 de novembro de 2019

Você já ouviu falar de taboa, cariçoba ou ovo-de-galo? Uma pesquisa publicada pela Sociedade Brasileira de Ciência e Tecnologia de Alimentos estudou os teores de proteína e minerais de espécies nativas. De acordo com os autores, são hortaliças e frutas com potencial para compor a mesa dos brasileiros. Será que existe algum desses vegetais desconhecidos perto da sua casa?

Se você mora no sul do Brasil, é maior a chance de encontrá-los. “Estudos revelam que plantas alimentícias não-convencionais são mais ricas nutricionalmente do que plantas domesticadas”, dizem Valdely Ferreira Kinupp e Ingrid Inchausti de Barros, autoras do estudo.

Foram pesquisadas 69 espécies, totalizando 76 análises de diferentes partes das plantas. “Muitas espécies mostraram-se promissoras, com teores proteico e mineral superiores ao das espécies comerciais de usos similares”, apontou o estudo. “Apesar de adaptadas e abundantes […] e dos conteúdos significativos de proteína e minerais, a grande maioria destas espécies permanece desconhecida ou subutilizada.”

Proteína

Segundo o estudo, a Alternanthera philoxeroides, conhecida como bredo-d’água, pode ser consumida como verdura e, de quebra, turbinar o consumo de proteína, assim como a Heteranthera reniformis (agrião-do-brejo) e a Typha domingensis (taboa), consumida como palmito.

Outras espécies também se mostraram ricas em proteína: assa-peixe, urtiga-mansa, cansanção, urtigão, urtiga-de-leite e urtiguinha.

Já a proteína encontrada na mestruz, na cariçoba e na erva-moura as iguala a vegetais mais conhecidos como mostarda, catalonha, espinafre e palmito de pupunha.

Erva-moura© Annette Meyer/Pixabay Erva-moura

Esses vegetais também foram apontados como ricos em outros nutrientes.

Também são abundantes em cálcio, magnésio, ferro e potássio as seguintes espécies: jaracatiá, major-gomes, erva-das-pombas, trapoeraba, arumbeva e palmito de jerivá. Em nível de potássio, por exemplo, alguns desses vegetais podem ser comparados ao agrião.

Entre os frutos analisados, destacaram-se, em potássio, o ananá e a bananinha-do-mato, com teores superiores aos do abacaxi, e o butiá, comparado à acerola.

“Populações de baixo poder aquisitivo têm acesso limitado a proteínas animais. Assim, a identificação de espécies vegetais ricas em proteínas e incentivos de cultivo e consumo destas espécies podem contribuir para diminuir as deficiências nutricionais”, dizem as pesquisadoras.

Ferro

Gravatá-do-banhado, chapéu-de-couro, picão-preto, hibisco-do-banhado e erva-de-ganso chamaram a atenção, especialmente, pelo nível de ferro, assim como um fruto conhecido como ovo-de-galo.

Algumas espécies desconhecidas e ricas em ferro se comparam ao agrião, ao brócolis e à beterraba.

As campeãs

Taboa© Adege/Pixabay Taboa

Entre os vegetais estudados, o pessegueiro-do-mato e a taboa se destacaram no quesito nutrição. O primeiro gera uma fruta rica em minerais, pectinas e vitamina C, podendo ser usada como polpa, suco e geleia. “Contudo, esta espécie é negligenciada pelos fruticultores e pesquisadores brasileiros”, dizem as autoras.

Já a taboa possui mais vitamina C que o pimentão-vermelho e o suco concentrado de caju. Ela pode ser encontrada em diversas regiões do Brasil e, de acordo com o levantamento, merece ser empregada na alimentação, no artesanato e até mesmo na medicina.

Apenas lembre-se: tome cuidado ao consumir alimentos desconhecidos, já que cada organismo reage de uma maneira a itens com os quais não estamos acostumados. Além disso, eles podem conter agrotóxicos e outros componentes prejudiciais à saúde. “Estudos fitotécnicos, toxicológicos e bromatológicos, entre muitos outros de áreas afins, das espécies mais promissoras, são necessários e recomendáveis”, conclui o estudo.



Fonte: MSN - Catraca Livre



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