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“Tartarugas saíram da UTI, mas estão no quarto, esperando alta”, diz Tamar

Compartilhe:     |  27 de fevereiro de 2015

“As tartarugas marinhas saíram da UTI, onde estavam em estado muito grave e, agora, estão no quarto do hospital esperando a alta”. Este é o balanço feito por Gui Marcovaldy, coordenador nacional do Projeto Tamar, após 35 anos de trabalho- comemorados nesta sexta-feira (27)- pela preservação das tartarugas marinhas nas costas brasileiras. Atualmente, diz ele, a mortalidade praticamente acabou. “Existe apenas um foco de resistência de uma máfia do Ceará, mas no resto do Brasil as mortes de tartaruga que continuam acontecendo são acidentais”.

Como tudo relacionado às tartarugas é lento, ainda vai demorar “uns bons anos” para a situação voltar ao normal –embora sejam devolvidas mais de dois milhões de tartarugas por ano ao mar, existem apenas 7.350 fêmeas desovando nas praias brasileiras, número considerado muito baixo, equivalente, por exemplo, ao de jovens mulheres que visitam o projeto por semana.

Mesmo assim, a vitória é grande e merece ser comemorada. O coordenador do Tamar lembra que as tartarugas marinhas estavam ameaçadas de extinção desde o início da década de 70, quando a maioria que chegava às praias brasileiras para desovar era morta ou tinha seus ovos coletados.

Um dia, em 1977, um grupo de estudantes da Universidade Federal de Rio Grande (RS), que fazia excursões pelas praias do sul para coleta de materiais, flagrou a violência com que o animal era tratado e alertou a instituição sobre a necessidade da preservação. “Encontramos os pescadores matando várias tartarugas fêmeas que estavam desovando na praia. Achamos aquilo uma brutalidade e, a partir dali, começamos um movimento para salvar os animais”, conta Marcovaldy.

A partir desta iniciativa, o antigo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal e atual Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente) criou em 1980 o Projeto Tamar, para conscientizar os pescadores, que viam no animal uma fonte de alimento e renda (a carne e ovos eram utilizados para a alimentação, e o casco era vendido para fabricação de joias) e eram muito resistentes à preservação.

“Nós tivemos uma ideia que foi um divisor de águas. Apesar dos poucos recursos que nós tínhamos, nós chamamos os líderes dos pescadores para trabalhar para o Tamar e oferecemos carteira de trabalho assinada. Neste dia, nós transformamos nossos inimigos em amigos”, conta o coordenador do projeto.

Outro divisor de águas, lembra ele, foi o recebimento de três carros doados pelo governo, que permitiram ampliar a área monitorada pelos oceanógrafos. Só não havia dinheiro para o combustível. “Aí, nós fomos até a Petrobras, e eles começaram a abastecer nossos carros. Com a sobra desse dinheiro, a gente conseguia pagar os pescadores para nos ajudar”.

Apesar de o projeto estar bem consolidado nas costas brasileiras –hoje, são 1.300 funcionários tocando projetos em 25 municípios– o desafio agora é impedir que a urbanização das praias à beira-mar atrapalhe na reprodução das tartarugas.

Segundo o oceanógrafo, os animais se orientam pelas luzes naturais e quando alguém constrói uma casa perto da areia, a luz da residência confunde a tartaruga, que se perde e morre. É a chamada fotopoluição.

“As redes, a fotopoluição, os anzóis e a poluição são os inimigos da tartaruga. O que nós precisamos é de tempo e de continuidade. É como curar uma doença que precisa de muitos anos de tratamento. Mas, o remédio está matando a doença”, acredita Marcovaldy.



Fonte: Uol



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