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Técnicas de neutralização de CO2 por fertilização oceânica são polêmicas

Compartilhe:     |  22 de novembro de 2016

O oceano retém mais de 90% do calor contido nos gases de efeito estufa que produzimos em processos naturais. Ou seja, ele realiza o sequestro de uma quantidade enorme de CO2 (gás carbônico ou dióxido de carbono), cerca de 30% das nossas emissões – é o segundo maior reservatório de CO2, ficando atrás apenas das reservas geológicas.

A fertilização do oceano, outra solução da geoengenharia, consiste no lançamento de ferro em amplas áreas onde há excesso de nutrientes. O ferro estimula o crescimento biológico da região, principalmente de organismos aquáticos como fitoplânctons que irão se proliferar, aumentando a conversão de CO2 da atmosfera em matéria orgânica. A figura no começo desta matéria mostra manchas de fitoplâncton no mar após o fertilização oceânica.

Essa matéria orgânica se deposita no fundo do oceano e posteriormente, com sua decomposição, cria um estoque de CO2 acumulado também no fundo do mar. Entretanto esse método afeta os principais ciclos naturais do oceano, além de proporcionar efeitos negativos ainda incertos nos serviços ecossistêmicos (em termos locais e globais), alterar a rede alimentar, diminuir o oxigênio, influenciar o crescimento de algas prejudiciais, acidificar o ambiente, formar gases de efeito estufa às vezes piores que o CO2, como o metanoóxido nitroso, entre outros.

Diversos experimentos pelo mundo foram realizados para testar e investigar o comportamento da aplicação de ferro no oceano. As principais conclusões foram: o ferro é um nutriente que afeta o crescimento de fitoplânctons; e há intervenção nos ciclos biogeoquímicos e no clima do planeta.

Outra polêmica na questão da fertilização oceânica de certa parte da população é o interesse econômico por essa técnica. Em 2012, um empresário americano despejou nos mares do Canadá mais de 100 toneladas de sulfato de ferro para aumentar a sua criação de salmão e também para vender créditos de carbono. Essa ação chocou especialistas devido à falta de evidências científicas sobre a fertilização.

Apesar de ser uma opção que pode neutralizar emissões de CO2, a fertilização ainda não é segura para ser difundida e aplicada. A Sociedade de Oceanografia (The Oceanography Society) afirma, que devido ao conhecimento parco e às poucas pesquisas existentes sobre a fertilização oceânica, essa técnica não deve ser considerada como opção para mitigação das mudanças climáticas… Mas também não deve ser descartada, e sim estudada. Desse modo, seria possível testar hipóteses e entender melhor sobre as respostas dos ecossistemas marinhos em relação ao aquecimento global.



Fonte: Equipe Ecycle



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